Pelo menos cinco jornalistas foram feridos ou agredidos durante protesto em Brasília

Sindicato dos jornalistas diz que os atos foram praticados tanto por policiais quanto por manifestantes. Dezenas de outros profissionais também relataram ter sofrido com os efeitos de bombas de gás lacrimogênio disparadas pela Polícia Militar

 

Os protestos dessa quarta-feira (24) em Brasília resultaram em atos de violência e coação contra pelo menos quatro jornalistas da Globonews, da TV Brasil, da rádio Bandnews, da Bloomberg e da agência Newzulo, de Nova York. Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), os atos foram praticados tanto por policiais quanto por manifestantes. Dezenas de outros profissionais também relataram ter sofrido com os efeitos de bombas de gás lacrimogênio disparadas pela Polícia Militar para reprimir os manifestantes.

A repórter Giselle Garcia, da TV Brasil, foi atingida por uma bomba lançada a distância e teve de ir para o hospital retirar estilhaços alojados em sua perna. Nilson Klava, da Globonews, foi agredido por um soldado durante uma entrevista. Também há relato de agressão a um profissional da Bloomberg e de coação ao repórter Ivan Brandão, da Bandnews, que foi expulso da área de cobertura por integrantes da Força Nacional de Segurança. O fotógrafo Ricardo Cifuentes, da Newzulo, foi atingido por uma bala de borracha.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas repudiou as agressões e intimidações a profissionais da imprensa e a decisão do presidente Michel Temer de convocar tropas das Forças Armadas para ocupar as ruas de Brasília, em nome da “garantia da lei e da ordem”, até o dia 31. A “medida extrema” também foi repudiada pelo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que não foi consultado sobre o assunto.

“Essa é uma medida que confirma o estado de exceção em diversos âmbitos do Estado brasileiro. Vale lembrar que em 2013 os atos foram maiores e com inclusive maior violência e nenhuma iniciativa neste sentido foi tomada. A contenção dos excessos deve ser feita pela polícia”, diz a nota, assinada em conjunto pela diretoria do sindicato. “A diretoria do sindicato coloca o seu departamento jurídico à disposição dos colegas e irá cobrar o Governo do Distrito Federal pelos abusos”, acrescenta.

Brasília viveu um dia de caos e tensão nessa quarta-feira. Os ministérios da Agricultura, Planejamento e da Cultura foram incendiados, vários outros foram depredados, cerca de 50 manifestantes ficaram feridos e, na Câmara, parlamentares quase se estapearam. O ato, batizado de #OcupaBrasília, foi convocado pelas centrais sindicais e outros movimentos sociais e estudantis para protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência e cobrar a saída do presidente Michel Temer.

Leia a íntegra da nota:

“Sindicato repudia agressões a manifestantes e jornalistas na cobertura do ato #OcupaBrasília

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF repudia diversos atos de violência contra jornalistas que estavam na cobertura do ato #OcupaBrasilia, na Esplanada dos Ministérios. Segundo informações recebidas, pelo menos quatro profissionais de imprensa sofreram algum tipo de agressão.

Da mesma forma, também repudia as agressões sofridas por dezenas de pessoas que protestavam contra as reformas da Previdência e Trabalhista e a crise instalada no governo de Michel Temer.

O Sindicato recebeu denúncias de violações contra jornalistas realizadas tanto por policiais quanto por manifestantes. Entre eles trabalhadores da TV Brasil, da Globonews e da Bloomberg. Giselle Garcia, repórter da TV Brasil, foi atingida por uma bomba lançada a distância e teve que ser encaminhada ao hospital para retirar os estilhaços da perna. O jornalista da Globo News Nilson Klava foi agredido por um soldado quando realizava uma entrevista. Segundo informações de colegas, um profissional da Bloomberg também foi agredido. Ivan Brandão, da Rádio Bandnews. foi coagido e expulso da área de cobertura por homens da Força Nacional durante uma transmissão ao vivo.

Outros jornalistas relataram ter sofrido com a repressão da polícia, especialmente o uso indiscriminado de gás lacrimogênio. A diretoria da entidade pede que os jornalistas agredidos entrem em contato com a entidade para relatar seus casos.

Com informações que há manifestantes hospitalizados devido aos graves ferimentos provocados por bombas de efeito moral e balas de borracha, o sindicato vê com preocupação a truculência das forças de segurança do estado, que busca impor o medo a quem tenta mostrar a sua indignação com a política que vem sendo implementada no país. Não podemos aceitar que as pessoas tenham usurpado o seu direito de protestar.

Repúdio e providências

O SJPDF, como em todos os grandes atos nos últimos anos, enviou ofício o Governo do Distrito Federal cobrando respeito ao trabalho dos profissionais de imprensa. Mas, lamentavelmente, mais uma vez o que se viu foi o contrário. O Sindicato reforça, mais uma vez, suas críticas às agressões aos jornalistas no exercício de suas funções, tanto aquelas praticadas pelas Forças de Segurança como as realizadas pelos manifestantes.

Independentemente de posições, o trabalho dos jornalistas merece ser respeitado, uma vez que essa categoria tem a missão de atender ao direito à informação dos cidadãos e é, ela própria, também formada por trabalhadores no exercício desta função. Na avaliação da direção da entidade, a preservação da liberdade de imprensa e a garantia da liberdade de expressão, inclusive dos manifestantes, são fundamentais para que a sociedade obtenha informações qualificadas sobre os fatos, em especial sobre as manifestações. A diretoria do Sindicato coloca o seu departamento jurídico à disposição dos colegas e irá cobrar o Governo do Distrito Federal pelos abusos.

A entidade também repudia veementemente a ação autoritária do governo de designação das Forças Armadas para conter protestos por parte do Governo Federal. Esta é uma medida que confirma o estado de exceção em diversos âmbitos do Estado brasileiro. Vale lembrar que em 2013 os atos foram maiores e com inclusive maior violência e nenhuma iniciativa neste sentido foi tomada. A contenção dos excessos deve ser feita pela polícia.

Assim, nos solidarizamos com os manifestantes vítimas da repressão desse governo ilegítimo, que cada vez mais não tem sustentação para seguir no comando do país.

#OcupaBrasília

O #OcupaBrasília teve início na manhã desta quarta-feira, 24/5. Convocado por todas as centrais sindicais do país e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem medo, o movimento exigiu a renúncia do presidente ilegítimo Michel Temer, bem como a realização das eleições diretas para a Presidência da República. Barrar as reformas da Previdência e Trabalhista, em tramitação no Congresso Nacional, também esteve entre as pautas de reivindicações dos trabalhadores que participaram do #OcupaBrasília.

Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do DF”

#OcupaBrasília termina com feridos, prédios depredados e capital sitiada pelas Forças Armadas

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