Parlamentares pedem a Gurgel que investigue Delta e governadores

Grupo de deputados e senadores entrega representação ao procurador-geral da República para que o Ministério Público aprofunde investigações contra a empreiteira e os governadores Sérgio Cabral, Agnelo Queiroz e Siqueira Campos

Um grupo de parlamentares da oposição e autointitulados independentes entregou nesta quinta-feira (22) uma representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. No documento, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) e os deputados Rubens Bueno (PPS-PR) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pedem que o Ministério Público prossiga com as investigações realizadas no âmbito da CPI do Cachoeira.

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Os parlamentares não concordam com o teor do relatório apresentado ontem (21) pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira é tido como o mentor do esquema que corrompeu parlamentares e agentes públicos e privados. No entanto, a oposição considera que Cachoeira é apenas um dos braços da empreiteira Delta, que seria a operadora central do esquema criminoso. A empreiteira é uma das que mais receberam dinheiro do governo federal no Programa de Ampliação do Crescimento (PAC).

Os parlamentares pedem que sejam investigados os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e de Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), além do dono da Delta, o empresário Fernando Cavendish. Em seu relatório, Odair pede o indiciamento de Cavendish.

O grupo também pede a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de 15 empresas que atuariam como fantasmas da Delta. Durante o curso da CPI, eles não conseguiram aprovar os requerimentos que determinavam o envio dessas informações à comissão.

No relatório final, o deputado Odair Cunha pede ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que apure a conduta de Gurgel ao não dar seguimento às investigações iniciadas pela Operação Vegas, da Polícia Federal. Para Odair, Gurgel foi omisso ao não se manifestar sobre o inquérito do Ministério Público de Goiás assim que recebeu as informações que, segundo ele, comprometiam o então senador Demóstenes Torres (GO).

O procurador-geral da República alega que não encontrou, na época, elementos que justificassem a abertura de investigação contra o então senador. Após a reunião com os parlamentares, Gurgel atribuiu as suspeitas levantadas pelo deputado petista à sua posição no processo do mensalão. “Tudo que tem acontecido desde a criação da CPI está relacionado ao mensalão”, declarou, segundo a Agência Brasil.

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