Para oposicionista, demissão de Lupi não basta

Duarte Nogueira defende investigação das denúncias contra Carlos Lupi. Para tucano, elas revelam esquema "pós-mensalão" no Ministério do Trabalho. Líderes do DEM e do Psol comentam exoneração

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), afirmou neste domingo (4), após o pedido de demissão do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que é preciso investigar as denúncias recentes. Para ele, as suspeitas contra a pasta e o então titular revelam um esquema "pós-mensalão" de cobrança de propinas. "Demitir apenas não é suficiente. É preciso investigar as denúncias, que são muitas, punir os responsáveis e recuperar os recursos desviados", afirmou o tucano.

Os termos da demissão foram negociados hoje entre Lupi e a presidenta Dilma Rousseff em reunião no Palácio da Alvorada. Em nota oficial, o pedetista afirmou ter sido alvo de uma “perseguição política e pessoal da mídia” nos últimos dois meses. “Faço isto para que o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste país contra o Trabalhismo não contagie outros setores do Governo”, disse Lupi na nota publicada no Blog do Trabalho.

Pesavam contra Lupi a recomendação da Comissão de Ética Pública para sua exoneração, divulgada na última quarta-feira (30) e a revelação de ter ocupado simultaneamente, por quase cinco anos, dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos, a Câmara dos Deputados, em Brasília, e a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Reportagem da revista Veja na semana passada disse também que Lupi pediu propina a um sindicalista ligado ao PT para a liberação de um registro sindical.

"As denúncias mostram que havia um modus operandi na pasta, que consistia na cobrança de propina de ONGs e para aprovar o registro sindical. É um esquema pós-mensalão, que se revela alastrado pelo governo", disse Nogueira. O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), disse não entender como Lupi permaneceu "tanto tempo no cargo". "Ele não tinha a mínima condição de continuar ministro", opinou.

O líder do Psol na Câmara, Chico Alencar (RJ) brincou com a situação: "Ministério do Trabalho e Emprego terá novo titular: ministro que dava trabalho decidiu, afinal, pedir demissão do emprego". Ele levantou uma questão que ainda terá que ser equacionada por Dilma Rousseff. Por enquanto, a pasta será comandada pelo secretário-executivo Paulo Pinto, filiado ao PDT e próximo a Lupi. "Agora é a 'guerra' pelo cargo: PDT/Força Sindical continuam? PT/CUT entram? Proposta de gestão para a área, que é bom, nada", analisou.

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