Para Cristovam, Senado ainda vai piorar

Sylvio Costa


O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) não está otimista em relação ao Senado que emergirá das urnas de 2010. Na opinião dele, a crise por que passa a instituição dificultará bastante a reeleição dos parlamentares que lá chegaram nas asas do chamado “voto de opinião”, ao mesmo tempo em que pouco diminuirá as chances eleitorais de quem pega carona no tradicional e ainda vivíssimo “voto de cabresto”.


Ele explica: “O voto de opinião é de quem não precisa vender o voto. O voto de cabresto é o voto de quem precisa, e vende. Vende em troca de camiseta, de emprego, de promessa de lote ou de outros benefícios. Não condeno quem faz isso. Acho que quem faz isso, dentro da sua perspectiva, está certo, porque não vê outra alternativa para obter emprego e renda”.


“Pior, mas com mais cuidado”


No seu entender, o grande número de brasileiros que vota de acordo com tais critérios facilitará a reeleição de quem se elege com voto de cabresto, e que na verdade tem até maior responsabilidade pela atual crise do Senado. “São os eleitores que dão o voto de opinião que tiveram conhecimento da crise e eles estão decepcionados com os seus senadores, e estes sim vão ter dificuldades de se reelegerem”, pensa o senador.


Cristovam aponta como exemplo de vítimas do fenômeno que antevê os candidatos do PT , legenda pela qual ele se elegeu governador do Distrito Federal em 1994 e senador em 2002 (deixou o partido após ser demitido do Ministério da Educação por Lula). “E são parlamentares melhores que a média”, prossegue. “Por isso, acho que vai ser pior. Do ponto de vista da qualidade dos senadores, acho que vai piorar. A melhora que vai ter é no comportamento, já que haverá restrições para atos secretos, nepotismo, passagens aéreas e outras questões. Portanto, vai ser um Senado pior, mas que agirá com mais cuidado”.


Ética e pioridades


Mudança pra valer ele só acredita que venha a acontecer se o país passar por uma grande revolução educacional, seu tema preferido, e por uma radical reforma política. E isso, discorre o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), deveria ser parte de um processo ainda mais abrangente. Conforme suas palavras:


“Fala-se da ética no comportamento, mas não se fala na ética das prioridades. A ética no comportamento envolve centenas de milhares de reais, a ética das prioridades envolve bilhões. Não podemos esquecer que vazamento de dinheiro por ineficiência é corrupção também. Só revendo as prioridades, podemos enfrentar todas as crises que precisamos superar: a crise ecológica, a crise econômica, a crise financeira e a maior de todas as crises, que é a crise educacional. Não traremos ética para o Congresso sem dar educação ao povo, e isso observamos em vários países. As nações com menos corrupção são geralmente as que têm o povo mais educado”. 


De acordo com todas as pesquisas feitas até aqui, Cristovam é, disparado, o mais forte candidato ao Senado aqui em Brasília em 2010. Mas ele pretende mesmo sair candidato a presidente da República. O problema aí é que seu partido, aliado de Lula, não quer nem saber do assunto.

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