Palocci recebeu R$ 12 mi quando coordenava campanha de Dilma, diz revista

Segundo a revista Época, ex-ministro atribuiu repasses a serviços prestados por sua consultoria ao Pão de Açúcar, à Friboi e à Caoa em 2010. Empresas contestam versão, diz revista

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci recebeu R$ 12 milhões de grandes empresas em 2010, quando coordenava a primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff. Os pagamentos foram feitos em nome de sua consultoria, a Projeto. De acordo com a revista Época, investigação sigilosa do Ministério Público Federal indica que não há comprovação de que os serviços foram prestados em troca da remuneração.

Entre as movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores, estão R$ 5,5 milhões repassados pelo ex-ministro da Justiça no governo Lula Márcio Thomaz Bastos, falecido ano passado. O valor foi transferido em 11 pagamentos sem a existência de contrato, relata a reportagem. Um deles, no valor de R$ 1 milhão, efetuado no dia em que o petista foi confirmado ministro-chefe da Casa Civil.

Segundo os advogados de Márcio Thomaz Bastos e de Palocci, os repasses se referem a uma consultoria da Projeto sobre o processo de fusão entre o grupo Pão de Açúcar e as Casas Bahia. Época destaca que a empresa contratada pelo grupo de Abílio Diniz para tratar do assunto negou que Palocci tenha prestado qualquer serviço.

Também são considerados suspeitos pelos procuradores os repasses de R$ 6,5 milhões feitos ao ex-ministro pelo grupo JBS, gigante da indústria de carne, e pela Caoa, rede de concessionárias e importadora oficial da Hyundai e da Subaru no Brasil. Segundo a reportagem, mesmo após ouvido pelo Ministério Público Federal, Palocci não conseguiu comprovar que prestou serviços às empresas, o que reforça os indícios de que as consultorias eram de fachada.

Fusão

Campeã de doações oficiais à campanha de Dilma em 2010 (R$ 13 milhões) e 2014 (quase R$ 70 milhões), a JBS informou à revista que nunca teve qualquer negócio com o ex-ministro. De acordo com a reportagem, um contrato apresentado pela defesa de Palocci, assinado em julho de 2009, previa o assessoramento por parte da Projeto à aquisição da Pilgrims Pride nos Estados Unidos pela JBS. Segundo a revista, o negócio foi fechado com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e incluiu a compra do frigorífico Bertin. O financiamento desencadeou uma investigação no Ministério Público Federal no Rio por ter sido considerado suspeito pelos procuradores.

O grupo Caoa informou à revista que as consultorias de Palocci contratadas na área automobilística não vingaram. Mesmo assim, diz a reportagem, o ministro “levou uma bolada” da empresa, R$ 4,5 milhões entre julho e dezembro de 2010. Nesse período, ressalta a reportagem, o grupo pleiteava no Congresso a aprovação de uma medida provisória que estendeu até 2020 as isenções fiscais para montadoras do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. A Caoa tem uma fábrica da Hyundai em Goiás. A MP foi transformada em lei em abril de 2011, quando Palocci era o ministro da Casa Civil.

Defesa

Em nota à revista Época, Palocci disse que não poderia detalhar sua relação com as empresas contratadas por questão de confidencialidade e destacou que seus negócios “não têm nem nunca tiveram” qualquer relação com a campanha de Dilma em 2010.

As investigações sobre as consultorias de Palocci começaram em 2011, quando o jornal Folha de S.Paulo revelou que o então ministro da Casa Civil havia comprado um apartamento avaliado em R$ 6,6 milhões. Palocci alegou que seus rendimentos vinham de serviços prestados por sua empresa, mas que não poderia revelar o nome de seus clientes, alegando sigilo.

O ex-ministro também é investigado agora na Operação Lava Jato. O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a denúncia feita pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de que ele recebeu R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010.

Além de Palocci, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o agora ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também estão sob investigação. Os procuradores suspeitam que Dirceu forjou contratos de consultoria para receber dinheiro das empreiteiras denunciadas. Entre 2006 e 2013, o petista recebeu R$ 29 milhões como consultor. Só em R$ 2010, foram R$ 7,2 milhões. De acordo com Época, os procuradores veem semelhanças nas suspeitas que recaem sobre Dirceu e Palocci.

Leia a íntegra da reportagem de Época

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