Odair Cunha admite alterar relatório

Relator da CPI do Cachoeira diz que pode modificar seu texto para impedir que comissão termine sem a aprovação de um relatório final

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), já admite que terá de fazer alterações em seu relatório caso os parlamentares da comissão não cheguem a um consenso. Parlamentares da oposição criticaram o conteúdo do documento e protestaram sobre o prazo exíguo entre a apresentação e a leitura do texto final. Por isso, a leitura do relatório foi adiada para amanhã (22).

 

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Odair diz que pode fazer algumas alterações para garantir a aprovação do texto final. Ele quer evitar que a comissão conclua seus trabalhos sem a aprovação de um relatório final. Se não houver novo adiamento, na semana que vem, os parlamentares iniciarão a análise do relatório. No entanto, somente o relator pode fazer alterações no texto, ponto que provocou reclamações de alguns parlamentares. O deputado Miro Teixeira (PDT-) chegou a pedir mudanças nas regras para que os demais integrantes do colegiado possam apresentar emendas de supressão ao texto.

Críticas ao relatório

Após a reunião, Odair rechaçou as críticas feitas ao seu relatório pela oposição, que o acusa de ter direcionado suas conclusões para agradar aos interesses do governo. “A oposição está acusando um relatório que não leu. Nosso relatório é contundente. Quem acusa o relatório de ser uma farsa ou uma pizza é porque não leu. Quem se debruçar sobre ele verá que todos os aspectos submetidos à nossa análise foram incluídos no relatório”, afirmou Odair.

Um dos pontos mais questionados pela oposição e que pode ser retirado é o pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Odair sugeriu ao Conselho Nacional do Ministério Público que apure a possível omissão dele em relação à Operação Vegas, conduzida pela Polícia Federal. Gurgel afirma que não deu prosseguimento às investigações, que chegaram ao Ministério Público em 2008, para não prejudicar outra investigação que desvendou uma quadrilha operada por Cachoeira. Odair disse ainda que a inclusão de Gurgel no relatório não era um pedido do PT. O procurador defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação dos réus do mensalão.

“A tentativa de intimidar o Ministério Público, que é o que leva o assunto aos tribunais, é lamentável. Isso serve para desviar as atenções do que deixou de ser feito. Por isso, a pizza é maior que o forno”, criticou Miro Teixeira.

Adiamento superado

Sobre a possibilidade de prorrogação dos trabalhos levantada durante a sessão, Odair afirmou que a questão já está superada e indicou que não deve acolher nenhum pedido nesse sentido. “Esse tema da prorrogação é matéria vencida. O conjunto de parlamentares do Congresso prorrogou com um fim específico: leitura, discussão e votação do nosso relatório”, disse. A CPI tinha prazo inicial para terminar em 4 de novembro, mas foi prorrogada até 22 de dezembro. Um grupo de deputados e senadores defende que ela seja prorrogada por mais 180 dias, alegando que a CPI não investigou o caminho do dinheiro desviado e deixou de apurar a relação de 116 empresas com a construtura Delta. “Eu acredito que não se investigou o caminho desse dinheiro porque vai bater em políticos do grande escalão”, disse Miro Teixeira.

O relator também descartou a possível reconvocação de Cachoeira, como muitos defenderam pela manhã. “O Cachoeira teve a oportunidade de se manifestar na CPI. Ele precisará falar em algum momento. Na comissão, não creio ser necessário, uma vez que já estamos convictos da profundidade da organização que ele criou. Exatamente porque ele está solto é que precisamos encaminhar rapidamente todo o material que a CPI tem em mãos para subsidiar, aí sim, ação do Ministério Público e outras investigações da Polícia Federal para que este indivíduo volte para a cadeia”, afirmou.

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