Nova diretoria do BC mantém Selic em 14,25% ao ano

Reunião do Copom é conduzida pelo novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, pela primeira vez. Juros básicos da economia estão inalterados desde julho de 2015

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira (20) a taxa Selic, os juros básicos da economia, em 14,25% ao ano. Trata-se da primeira reunião do Conselho sob a gestão do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, empossado pelo presidente interino Michel Temer em 9 de junho. Na reunião anterior, no início de junho, o economista-chefe do Itaú ainda estava oficialmente à frente da instituição financeira.

Essa foi a oitava reunião consecutiva do órgão sem modificação no percentual da Selic. O resultado, já esperado pelos analistas, sinaliza que o percentual deve ser preservado até o final do ano. Ou seja, mais de um ano sem que o nível de juros seja alterado – a taxa está inalterada desde o fim de julho do ano passado. Principal instrumento do BC para controlar a inflação oficial, a Selic é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A primeira reunião do Copom sob a gestão Ilan Goldfajn teve mudanças como a antecipação do horário, em duas horas, do encerramento do segundo dia de reunião. A alteração faz com que a taxa Selic seja divulgada por volta das 18h. Em outra novidade, o BC passa a anunciar o resultado exclusivamente pela internet, em vez do comunicado tradicionalmente lido para jornalistas em coletiva de imprensa. Também foi alterada a prática de divulgação da ata do Copom: antes tornada pública na quinta-feira seguinte a cada reunião, agora será divulgada dois dias antes, na terça-feira.

Tendência de queda

A taxa mantida nesta quarta-feira é também a mesma que era praticada em outubro de 2006. No tradicional comunicado, o Copom explicou que os prognósticos inflacionários estão com tendência de queda. mas que ainda há riscos de curto prazo, a exemplo da persistência de alta em preços de alimentos, dúvidas a respeito da aprovação de projetos de ajustes econômicos e a própria indexação da economia, em que a inflação anterior alimenta a próxima na hipótese de que índices de preços se mantenham elevados e superando a meta – contexto usado pelo Copom para justificar a manutenção da taxa.

A meta inflacionária fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos (ou seja, admitido em até 6,5%). Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o IPCA, o termômetro da Selic, teve taxa de acúmulo de 8,84% nos 12 meses anteriores a junho, depois de ter chegado ao recorde de 10,71% nos 12 meses encerrados em janeiro.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de junho pelo BC, o CNM prevê que o IPCA feche 2016 em 6,9%, mas o mercado está mais pessimista, com quase sempre. Para o boletim Focus, pesquisa semanal junto a instituições financeiras produzida pelo Banco Central, esse percentual será de 7,26%. No entanto, mercado e analistas financeiros do governo dizem acreditar que a inflação desacelere.

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