Nos jornais: Crise faz imigração legal para o Brasil crescer 52% em 1 ano

Número de regularizações de estrangeiros no País saltou de 961 mil no ano passado para 1,466 milhão registrados até junho

O ESTADO DE S. PAULO

 

Crise faz imigração legal para o Brasil crescer 52% em 1 ano

O número de regularizações de estrangeiros que buscam uma oportunidade de vida no País saltou de 961 mil no ano passado para 1,466 milhão registrados até junho, um aumento de 52,5%, mostram dados do Ministério da Justiça. Os portugueses lideram no primeiro semestre deste ano, 328.826 deles conseguiram regularizar a sua situação, contra 276.703 no mesmo período de 2010. Em seguida aparecem os bolivianos. O Brasil acertou a situação de 35.092 deles em 2010 e outros 50.640 agora, em 2011. Para o governo, o fenômeno se explica pelas oportunidades de trabalho no Brasil e a crise econômica na Europa. Nas autorizações de trabalho permanente para profissionais como diretores e gerentes, o País inclui cerca de 700 deles por semestre no mercado.

O agravamento do quadro econômico internacional nos últimos meses e o crescimento interno brasileiro colocaram o Brasil na rota da imigração de trabalhadores. Dados do Ministério da Justiça mostram um aumento de 52,5% no número de regularização de estrangeiros que buscam uma oportunidade de vida no País, saltando de 961 mil registros em 2010 para 1,466 milhão até junho. Portugueses, bolivianos, chineses e paraguaios lideram os índices de elevação da regularização do Departamento de Estrangeiros do Ministério. E a concessão de nacionalidade brasileira dobrou. Subiu de 1.119 (em 2008) para 2.116 novos brasileiros (em 2010).

No Brasil, os estrangeiros que mais procuram oportunidades de trabalho são os portugueses. No ano passado, a regularização de passaportes pelo Ministério da Justiça contemplou 276.703 portugueses até junho. De janeiro a junho deste ano, esse número pulou para 328.826 - 52.123 a mais do que no período anterior. Em seguida, aparecem os bolivianos. O Brasil acertou a situação de 35.092 deles em 2010 e outros 50.640 agora, em 2011. E há ainda crescimento no reconhecimento da migração de chineses e paraguaios.

Para o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, a crescente procura por oportunidades de trabalho no Brasil é resultado de uma mistura entre o momento da economia brasileira e a crise do emprego nos países centrais. Segundo Abrão, há ainda dois aspectos relevantes. "Do ponto de vista político, o Brasil adquiriu maior visibilidade internacional e teremos também importantes eventos nos próximos anos", observa, referindo-se à Copa do Mundo e à Olimpíada. Por outro lado, argumenta, há a forte demanda de empresas brasileiras que se beneficiam com a chegada de profissionais de alta qualificação.

Números do Ministério do Trabalho também apontam esse aumento de estrangeiros no mercado de trabalho formal. O País tem hoje taxas de desemprego na casa dos 6%, que é próximo do chamado pleno emprego. Segundo estudos do ministério, o total de autorização "temporária" para estrangeiros passou de 40 mil em 2009 para 53 mil em 2010. Comparados só os dois últimos primeiros semestres, a tendência se mantém. No primeiro semestre de 2010 foram 20 mil. No mesmo período de 2011, 24,6 mil.

 

'O País está no caminho certo', diz imigrante português

Ele ainda está se acostumando com o tamanho de São Paulo. Chegou ao Brasil em junho, viveu em hotel até agosto, quando alugou um apartamento em Perdizes, zona oeste, para trazer a mulher, Mónica, e a filhinha, Leonor, de 3 anos. Marcos Pereira, de 36 anos, português, nascido e criado até os 10 anos na Alemanha, é formado em eletrotécnica em Portugal e deixou a pequena cidade Vila das Aves, a cerca de 40 quilômetros do Porto, para gerenciar um projeto de modernização das Linhas 2 e 7 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em São Paulo.

Pereira foi contratado por dois anos pela Efacec, empresa portuguesa que tem negócios no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Estados Unidos e Europa, na área de energia e transportes. Operador de um projeto do metrô do Porto, foi chamado para trabalhar no Brasil após o final da obra de extensão na cidade, que fica ao norte de Portugal.

 

Assassinos de deputada vão a júri após 13 anos

Passados quase 13 anos do assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) - fuzilada com o marido e dois parentes em casa -, a Justiça enfim vai levar os assassinos ao banco dos réus. O júri popular foi marcado este mês para o dia 16 de janeiro de 2012.

O julgamento fechará assim um dos dez casos de impunidade, selecionados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mais afetam hoje a credibilidade do Poder Judiciário e mancham a imagem do País no exterior.

O ex-deputado Talvane Albuquerque, acusado de ser o mandante do crime, e os quatro suspeitos apontados como autores não têm mais chance de adiar o julgamento. O juiz André Granja, da 1.ª Vara Federal de Alagoas, decidiu que novos recursos, sempre possíveis no sistema penal brasileiro, não terão efeito suspensivo e só serão apreciados depois do julgamento.

Em mais de 12 anos de tramitação, o processo sofreu várias reviravoltas, envolvendo conflitos de competência entre a Justiça Federal e a Estadual, além de sucessivos recursos movidos pelos réus, o que atravancou a ação. Mesmo após a confissão de participantes do assassinato e a conclusão da investigação, o caso ainda não teve um desfecho e os réus estão até hoje em liberdade.

Na varanda. O processo, que forma uma pilha mais de 6 mil páginas em 29 volumes, passou pelas mãos de uma dúzia de magistrados de primeira e segunda instância, além de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre idas e vindas, a causa tramitou seis anos na Justiça estadual, até ser reconhecida a competência federal.

 

'O PDT é um partido sem alma', diz historiadora

Enfraquecido pelas denúncias de fraudes nos contratos de ONGs com o Ministério do Trabalho, que ocupa desde 2007, e dividido quanto à permanência do ministro Carlos Lupi no governo, o PDT nasceu há 31 anos como tentativa de "modernização" do trabalhismo de Getúlio Vargas, mas esbarrou nas velhas marcas da centralização e dos líderes absolutos. Viu o PT assumir o domínio do movimento sindical e, em 2004, com a morte de seu fundador, Leonel Brizola, perdeu ainda mais a identidade. "É um partido sem alma", define a historiadora Marly da Silva Motta, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para a pesquisadora, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou ao PDT um Ministério do Trabalho totalmente esvaziado, característica que se mantém no governo de Dilma Rousseff. Segundo ela, seja qual for o destino de Lupi, "o tranco é muito grande" para o partido.

 

Lei abre dados do governo ao setor privado

A Lei de Acesso à Informação, sancionada na sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff, deve abrir uma corrida do setor privado e da comunidade acadêmica por informações e documentos da esfera pública. Setores do governo, no entanto, temem que a divulgação de dados classificados como "de interesse público" exponha a intimidade de empresas como Correios, Petrobrás e Banco do Brasil, que também se subordinam à nova legislação.

O texto atinge não só órgãos da administração direta do Executivo, Legislativo e Judiciário, mas também "as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e municípios".

No México, por exemplo, 26,2% dos pedidos de acesso à informação são feitos por empresas, segundo dados do Instituto Federal de Acesso à Informação e Proteção de Dados (Ifai), órgão independente que zela pelo cumprimento da legislação. A comunidade acadêmica é responsável por 45,3% das solicitações. O próprio governo (16,7%) e os meios de comunicação (11,8%) se beneficiaram com a iniciativa.

 

Emenda de Barbiere pagou empresa de irmã

Recursos de R$ 140 mil de emenda do deputado estadual Roque Barbiere (PTB) foram parar nas contas da empreiteira de sua irmã e seu cunhado. A verba, usada na construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), no município de Valparaíso, foi repassada em 2007 para a prefeitura, que contratou a Amplie Construções e Serviços Ltda. para fazer a obra.

A empresa é de propriedade da irmã de Barbiere, a dentista Elena Maria Barbiere Jorge, e do marido dela, o engenheiro Luiz Carlos Jorge. A UBS, embora inaugurada em 2008, até hoje não entrou em funcionamento e ninguém na cidade soube dizer ao certo qual a modalidade de licitação foi usada para contratar a construtora.

Entre 2005 e 2008, a Amplie abocanhou R$ 1,4 milhão em obras realizadas em Valparaíso, cidade de 22 mil habitantes, na região de Araçatuba. A empreiteira construiu e reformou escolas, prédios esportivos, postos de saúde e até uma delegacia de polícia. O prefeito Antônio Gomes Barbosa (PTB), depois de perder a reeleição, foi contratado como assessor parlamentar de Barbiere.

 

Usina de contradições

Desde que a hidrelétrica de Belo Monte começou a ser erguida, Altamira (PA) vive sob intensa agitação, informa a enviada especial Renée Pereira. A prosperidade é evidente, mas problemas como trânsito e violência também crescem.

 

Espanhóis vão às urnas para punir governo de Zapatero

Após anos de crescimento, a Espanha vai às urnas hoje em clima de fim de festa, informa o enviado especial Jamil Chade. Os 35 milhões de eleitores esperam dar uma resposta à crise em que vivem. Mesmo não sendo o único responsável, o governo socialista do premiê José Luiz Zapatero deverá perder para o direitista Mariano Rajoy.

 

Endividado, brasileiro ganha mais crédito

O governo incentiva o crédito para consumo num momento, em tese, delicado: nunca os brasileiros deveram tanto e comprometeram parcela tão grande do salário para pagar dívidas. Em média, cada um deve atualmente R$ 3.724 a financeiras e bancos.

 

Rio regulariza favelas e abre especulação

A pacificação de mais de 20 favelas acelerou o maior movimento de regularização de terras em favelas da história do Rio. Especialistas temem que moradores não resistam à valorização e vendam suas casas para morar na periferia.

 

João Bosco Rabello: A coalização de fachada

A crise no Ministério do Trabalho expõe o quão fictício é o governo de coalizão montado com partidos que se traduzem por blocos fisiológicos.

 

 

 

O GLOBO

 

Nova corrida do ouro atrai US$ 2,4 bilhões para o Brasil

Com equipamentos sofisticados que permitem o garimpo a 2.500 metros de profundidade, o Brasil vive uma nova corrida do ouro, atraindo investimentos de US$ 2,4 bilhões. O salto de 540% no preço do metal na última década viabilizou negócios de gigantes estrangeiras, que dominam o mercado nacional e já exploram o que pode ser chamado de “pré-sal da mineração”. No Centro-Oeste e no Norte, minas até então intocadas tornaram-se economicamente viáveis, assim como outras esgotadas em Minas Gerais e no Nordeste, relata Vivian Oswald. A produção do país, hoje de 62 toneladas anuais, deve dobrar em cinco anos. Só no Rio Grande do Norte, sairá de 60 gramas para seis toneladas. Na mineração, estados produtores ficam com 23% dos royalties pagos pelas empresas, e os municípios, com a maior parte 65%.

 

Crescimento de Eduardo Campos incomoda PT

Aliado histórico do PT, o PSB se prepara para deixar de ser um apêndice do maior partido do país ao final do atual ciclo petista no comando do Brasil, em 2018. A cúpula petista está extremamente incomodada com os sinais de força política e da movimentação precoce do governador Eduardo Campos (PE), 46 anos, presidente do PSB. O comando do PT reconhece que Campos pode crescer e se tornar adversário do projeto político petista não só em 2018, mas até antes disso.

As articulações de Campos começam a ser vistas com desconfiança por dirigentes petistas, como o ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu, que tem feito alertas internos sobre o crescimento do PSB e as pretensões de Campos.

A preocupação ganhou força nos últimos dias com a declaração do ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE), que considera natural um futuro rompimento entre PSB e PT. Apesar da desconfiança petista, Campos tem recebido nos bastidores estímulo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se transformar em alternativa no futuro. Isso na lógica lulista de que é melhor criar alternativas dentro da própria base governista que possam defender o seu legado.

 

Grupo do Araguaia quer ampliar tempo de ação

Sancionada pela presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira, a Comissão da Verdade, que ainda será instalada, já surte os primeiros efeitos. O Grupo de Trabalho do Araguaia (GTA), constituído há três anos para localizar, exumar e identificar corpos de ex-guerrilheiros do PCdoB, pretende estender sua atuação na região da guerrilha por mais dois anos, para coincidir com o prazo de vigência da Comissão da Verdade.

O GTA foi criado em 2009, como Grupo de Trabalho Tocantins, instituído pelo governo para cumprir a sentença da juíza federal Solange Salgado, que determinou a busca das ossadas dos militantes de esquerda. O prazo de validade e as ações do grupo são renovados todo ano, via decreto presidencial, sempre por um ano. Desta vez, o GTA, com a Comissão da Verdade, quer funcionar por mais dois anos e encerrar de vez as expedições.

Os representantes da coordenação do Ministério da Defesa no GTA, os advogados Sávio Andrade Filho e Edmundo Muller, defendem a extensão do trabalho por mais dois anos e estão confiantes de que este será o novo prazo a ser adotado a partir de maio de 2012, quando expira o atual período de vigência. Esses dois anos passariam a contar a partir de junho de 2012.

 

Práticas suspeitas insistem em assombrar o DF

No aniversário de dois anos da Operação Caixa de Pandora, que varreu o governo de José Roberto Arruda e pôs deputados do Distrito Federal sob suspeita, os contratos e gastos nebulosos continuam a poluir o cenário político da capital do país. Executivo e Legislativo repetem práticas que simbolizaram a corrupção em Brasília, como a proliferação de contratos emergenciais e resistência a ações moralizadoras, como a proibição do nepotismo. Aliada às suspeitas do presente, ainda existe uma disputa entre grupos rivais dentro do Ministério Público, que ameaça o futuro de investigações de grosso calibre sobre o governo passado.

Agnelo Queiroz (PT) foi eleito para construir "um novo caminho", dizia o lema de sua campanha. Trilha maculada pelo processo judicial que investiga sua gestão no Ministério do Esporte e pela forma como mantém, sem licitação, contratos de limpeza e segurança com empresas conhecidas por sua relação com o poder. Pior: para fechar contratos emergenciais com as mesmas prestadoras de serviço dos governos Arruda (2007-2010) e Joaquim Roriz (2003-2006), Agnelo se valeu de um decreto, assinado para dar um "freio de arrumação", após o caos que quase determinou a intervenção federal e fez com que o Distrito Federal chegasse a ter, em 2010, quatro governadores em menos de um ano.

 

O antimilitarismo de Ulysses Guimarães

Por que José Sarney, e não Ulysses Guimarães, assumiu a Presidência da República com o impedimento de Tancredo Neves? Jorge Bastos Moreno conta relatos da época e relembra o antimilitarismo de Ulysses.

Coube ao jornalista Carlos Chagas, logo no início do governo Sarney, desvendar o grande mistério que até hoje provoca discussões jurídicas no país: por que Sarney, e não meu marido, assumiu a Presidência da República, com o impedimento de Tancredo Neves?

Foi num almoço na casa do nosso amigo Afrânio Nabuco, em Brasília, ao qual Sarney chegou atrasado, vindo de uma inauguração em Goiás, que o jornalista, puxando Ulysses para um canto, perguntou baixinho, suavemente, quase sussurando:

- Agora que tudo já passou - e veja a cara do Sarney, todo feliz ali ao lado dos ministros militares -, diga aqui para nós, doutor Ulysses, por que o senhor não assumiu a Presidência?

Ulysses olha para os lados, como se estivesse preocupado de alguém ouvir aquela conversa, e responde quase que no mesmo tom da pergunta:

 

A Rocinha que renasce da paz

Recém-ocupada, a Rocinha se prepara para novos tempos, simbolizados pelo colorido de ruas já urbanizadas. Da futura UPP Social, os moradores querem crédito; da época do tráfico, esquecer as atrocidades.

 

País não está pronto para dano ambiental

O Brasil não está preparado para evitar nem conter vazamentos de petróleo de grandes proporções. O Plano Nacional de Contingência, idéia surgida em 2000, não saiu do papel. Houve nova tentativa em 2010, após o desastre no Golfo do México, mas prevaleceu a inércia das autoridades. Há duas semanas, vaza óleo na Bacia de Campos, em área explorada pela americana Chevron.

 

Superlotação e revoltas são ameaça nos presídios

Inspeções do Conselho Nacional do Ministério Público nas cadeias brasileiras mostram que, superlotadas, elas são uma panela de pressão prestes a explodir. Retirados das delegacias, presos que aguardam julgamento cumprem pena ao lado de condenados por crimes graves. Em apenas sete estados, a superlotação chega a 35 mil presos. Nas celas cheias e insalubres, a revolta é permanente. Para evitar o pior, Justiça e governos estaduais buscam alternativas, como mandar presos para casa.

 

 

 

 

FOLHA DE S. PAULO

 

Cesáreas superam os partos normais pela 1ª vez no país

No ano passado, pela primeira vez, o percentual de cesarianas superou o de partos normais no Brasil. As cesáreas chegaram a 52% do total. Em 2009, os dois modos se igualavam. Para a Organização Mundial da Saúde, o recomendado é uma taxa em torno de 15%.

O grande número de cesarianas é puxado pelo setor privado, em que 80% dos partos são cirúrgicos desde 2004. Mas o crescimento maior se deu no SUS, onde a taxa aumentou de 24% para 37% na década passada.

Como é marcada com antecedência, a cesariana pode ocorrer antes do tempo adequado e levar o bebê a apresentar problemas associados à prematuridade. Para Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do ministério, os atuais níveis são “escandalosos” no setor privado.

 

Candidatura faz ministro ampliar presença em SP

O ministro da Educação, Fernando Haddad, ampliou de forma significativa sua presença em São Paulo no período em que afastou do caminho seus rivais no PT e consolidou sua pré-candidatura a prefeito da capital paulista.

Desde que assumiu a pasta, em 2005, Haddad costumava viajar de Brasília a São Paulo duas vezes por mês, em média. O ministro tem residência em São Paulo.

Do início de agosto até a segunda semana de novembro, um período de 103 dias até a sexta-feira em que o PT definiu sua escolha como candidato, ele passou 47 dias em São Paulo, incluindo os fins de semana.

Em pelo menos dez dessas ocasiões, o ministro procurou conciliar compromissos oficiais no horário de expediente com atividades partidárias à noite e nos fins de semana.

Por três vezes ele esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal condutor do processo que levou à indicação de Haddad como candidato.

Sem influência na máquina partidária e desconhecido em São Paulo, o ministro compareceu a mais de 30 encontros organizados pelo partido com os pré-candidatos da legenda.

 

Tucanos ficam com um terço das emendas em SP

A bancada de deputados estaduais do PSDB, partido que administra o Estado de São Paulo há 16 anos, apadrinhou quase um terço (30%) de todo o montante liberado pelo governo paulista em emendas parlamentares ao Orçamento desde 2007.

No total, os tucanos conseguiram R$ 181 milhões dos R$ 615 milhões liberados pelo governo, segundo dados divulgados pela Secretaria de Fazenda do Estado.

O período envolve as gestões dos tucanos José Serra, Alberto Goldman e do atual governador Geraldo Alckmin. A liberação das verbas é feita pela Casa Civil do Estado.

Esse montante é similar ao total obtido pelas outras duas bancadas mais bem posicionadas no ranking juntas, a do PT (R$ 105 milhões) e do DEM (R$ 76 milhões).

PSDB e PT têm as maiores bancadas na Assembleia Legislativa nos últimos anos. Os tucanos somam hoje 22 cadeiras, ante 24 do PT. Em 2006, o PSDB elegeu 24, e o PT, 20.

 

Congressistas se afastam de extremos e buscam o centro

A julgar pelo que deputados federais e senadores dizem de si mesmos, a direita nunca esteve tão envergonhada no Congresso Nacional quanto na última legislatura.

Pesquisa realizada com 139 congressistas mostra que em 2009 apenas 11,9% dos deputados e senadores se colocavam à direita da reputação de seus partidos (88,1% diziam se perceber à esquerda).

O percentual é o menor entre as seis edições da pesquisa, feita desde 1990 com 797 parlamentares diferentes, e mostra grande declínio em relação a 1997 e 2001.

Naqueles anos, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, 21,6% dos parlamentares se classificavam mais de direita do que seus próprios partidos.

Os dados integram a Pesquisa Legislativa Brasileira, cuja edição de 2009 foi analisada no livro "O Congresso por Ele Mesmo" (UFMG, 2011), organizado por Timothy Power e Cesar Zucco Jr.

 

Pré-sal faz Estados brigarem por fronteiras

Além de disputarem a divisão dos royalties do petróleo, Estados brigam na Justiça para mudar a demarcação de limites no mar e assim obter uma fatia maior da indenização paga pela Petrobras.

Há ações na Justiça envolvendo Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.

Os capixabas, em ação movida contra Rio e Bahia, pleiteiam modificações nos limites traçados no mar pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em junho, o Supremo Tribunal Federal mandou o Ministério da Defesa fazer perícia nas demarcações.

Outro caso do tipo envolve Santa Catarina, Paraná e São Paulo e tramita na corte há 20 anos, ainda sem definição.

 

ANP investiga erros em cálculos da Chevron

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá anunciar na próxima semana a punição que será imposta à Chevron pelo derramamento de óleo na costa brasileira.

O valor da multa não foi divulgado pela ANP.

Segundo o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, já ficou claro que a petroleira americana não fez o revestimento suficiente do poço e errou no cálculo do volume de lama necessário para impedir a forte pressão que resultou no vazamento de petróleo.

Essa é também a versão da Chevron, que na sexta-feira reconheceu que teria, com base no cálculo errado, usado um tipo de lama de perfuração que não tinha o peso necessário para conter o óleo.

A Polícia Federal, no entanto, diz não descartar a hipótese de que a petroleira norte-americana tenha tentado atingir irregularmente a camada pré-sal no Campo de Frade.

 

Ir à Justiça contra as aéreas dá certo em 60% dos casos

Levantamento feito pela Folha mostra que ir à Justiça contra empresas aéreas por falhas na prestação do serviço é indenização certa em 60% dos casos. O pagamento é rápido: em até quatro meses, com valor médio de R$ 3.573.

 

Altamira pede suspensão de Belo Monte

O município de Altamira (PA) pediu à presidente Dilma Rousseff, ao Ibama e ao Ministério Público Federal a suspensão das obras da hidrelétrica de Belo Monte.

 

 

 

 

 

 

CORREIO BRAZILIENSE

 

O drama das empresas à procura de pessoal

É grave o apagão de mão de obra no Brasil. Pesquisa aponta que 57% das companhias nacionais têm dificuldades para preencher o quadro profissional. A carência de trabalhadores com boa formação atinge todos os segmentos. É nesse vácuo que as mulheres, como Tatiana Câmara e Ednalva Viana, estão ocupando funções que antes eram monopólio masculino.

 

Era só olhar os relatórios

Se o governo pudesse voltar no tempo até 15 de julho de 2008, a crise que hoje atinge o Ministério do Trabalho já poderia ser considerada assunto superado. Naquele dia, a Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu relatório, enviado ao gabinete do ministro Carlos Lupi, no qual apontava irregularidades em um convênio firmado entre a pasta e a Fundação Pró-Cerrado na área de qualificação profissional. Em dezembro de 2010, o secretário de Prevenção da Corrupção da CGU, Mário Vinícius Spinelli, esteve no gabinete do então ministro do Turismo, Luiz Barretto. Tinha em mãos um parecer mostrando falhas graves em contratos assinados para capacitação de mão de obra e realização de eventos.

Depois de três anos acumulando poeira, sem que nada fosse feito, o primeiro relatório vem à tona no inferno astral vivido por Carlos Lupi, depois que sua relação com o dirigente da Pró-Cerrado, Adair Meira, foi revelada pela imprensa. Hoje, Lupi contempla o mesmo abismo no qual o ex-ministro do Turismo Pedro Novais caiu, abatido por uma crise iniciada com uma operação da Polícia Federal sobre os mesmos problemas que já tinham sido detectados pela CGU e encorpada com uma saraivada de denúncias divulgadas no noticiário. O roteiro é o mesmo dos escândalos que derrubaram outros quatro ministros envolvidos em denúncias de corrupção. "O governo sabia antecipadamente das irregularidades em praticamente todos os escândalos que foram divulgados pela imprensa", afirma Spinelli.

 

Manual de sobrevivência de um ministro

Com base na experiência do dominó de titulares da Esplanada derrubados por denúncias, o Correio publica cartilha para mostrar o que fizeram os governistas que conseguiram superar os tremores políticos na gestão de Dilma Rousseff

Seis ministros caíram e um agoniza na UTI política do Palácio do Planalto, tentando ganhar sobrevida pelo menos até a reforma nas pastas, marcada para fevereiro de 2012. De junho pra cá, a praga que atinge a Esplanada dos Ministérios revela que parte do primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff morreu vítima de um conjunto de sintomas que se repete escândalo após escândalo.

Os que conseguem sobreviver à crise adotam a fórmula "bom senso e separação entre público e privado" para evitar encrencas. O estado das artes da longevidade ministerial não é um mistério. Os ministros que continuarão na foto oficial do próximo ano são aqueles que perguntarão quem é o dono do avião antes de pegar caronas em jatinhos, acompanharão o destino do dinheiro que sai dos cofres públicos e não usarão recursos humanos e materiais das pastas que comandam para resolver problemas domésticos.

O manual de sobrevivência dos ministros também mostra que separar a vida partidária da ministerial contribui para a tranquilidade da gestão, assim como a temperança, remédio milagroso contra o suicídio verborrágico. Todos os itens de segurança foram esquecidos pelos ministros afastados.

 

O dilema de Marta Suplicy

Enfraquecida no Diretório Municipal, a senadora é pressionada a apoiar Haddad ao mesmo tempo em que precisa se reposicionar politicamente. Apesar de ter mandato até 2019, gostaria de voltar à Esplanada, mas esbarra no Planalto

A hegemonia da senadora Marta Suplicy (PT-SP) no Diretório Municipal paulistano ficou comprometida com a confirmação da candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), à prefeitura de São Paulo sem a necessidade da realização das prévias. Construída ao longo dos últimos 17 anos, mas solidificada com a vitória nas eleições municipais de 2000, a liderança de Marta sai enfraquecida no episódio e a parlamentar vê todos os seus antigos aliados migrarem para um novo polo de poder local — que poderá ser o próprio Haddad, caso ele consiga unificar a legenda de fato, tanto na campanha quanto em uma eventual administração. Assim como fez Marta em 2000.

Os caminhos que Marta seguirá daqui para frente ainda estão indefinidos. Ela tem ainda o capital político dos 8,31 milhões de votos que recebeu para o Senado, onde é vice-presidente. Marta chegou a dizer a interlocutores quando visitou a Casa pela primeira vez, ainda antes da posse, que gostaria de ser "uma fiel escudeira da presidente Dilma no parlamento". Mas mudou de ideia com certa rapidez. Acabou influenciada pelos números das primeiras pesquisas eleitorais, em setembro, que apontaram seu nome com quase 30% das intenções de voto. Acabou também estimulada pelo atual namorado, Márcio Toledo, presidente do Jóquei Clube de São Paulo, amigo do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, mas visto com desconfiança pelos petistas.

 

Vale tudo no clube do livro

Piadas, horóscopo e até imitação de Lula animam um encontro mensal de funcionários do Palácio do Planalto

Ubirajara Augusto pula da cadeira quando o grupo diz que é sua vez de ler. Pigarreia para projetar melhor a voz. Com a mão direita, arruma os óculos e ajeita o nó da gravata. A esquerda segura uma folha de papel, cujo texto ele começa a ler para a reduzida, mas atenta, plateia. Trata-se de uma piada em que presidentes de diversos países conversam. Imita o sotaque de um americano falando português. "É o presidente Bush", avisa. Os risinhos dão a largada, ainda que tímidos. Bira, para os íntimos, encarna outros personagens e arrisca gestos. Aos poucos, a roda se anima, mas as gargalhadas só começam mesmo quando ele enrouquece a voz e fala com a língua presa. A imitação do ex-presidente Lula é o auge do clube do livro, que tem animado as horas de almoço de funcionários do Palácio do Planalto.

 

PF vai indiciar petroleira

A Polícia Federal anunciou que deverá denunciar a norte-americana Chevron por dois crimes ambientais: pelo vazamento de óleo e por não estar recolhendo o petróleo que há duas semanas polui o litoral fluminense.

 

Não viu porque não quis

Os escândalos que derrubaram quatro ministros do governo Dilma já haviam sido investigados pela Controladoria-Geral da União, que também tinha apontado irregularidades no Ministério do Trabalho.

 

Produção sustentável

Com simples ações diárias, como fazer a coleta seletiva do lixo, pequenos empresários estão diminuindo os danos de sua atividade no meio ambiente e aumentando os lucros.

 

Corte na carne

A União Européia não teve saída: vai conter os gastos em 2012 para, desse modo, dar o exemplo de austeridade exigida pela crise fiscal no continente.

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