Nos jornais: Congresso cria CPI inédita de todas para investigar todos

Com a adesão de 90% dos senadores e de 75% dos deputados, a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Cachoeira foi criada ontem no Congresso Nacional

O Globo

Congresso cria CPI inédita de todas para investigar todos

Com a adesão de 90% dos senadores e de 75% dos deputados, a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Cachoeira foi criada ontem no Congresso Nacional. O tamanho do apoio é proporcional à atenção que os partidos estão dando à comissão neste momento. Os líderes da base aliada resolveram seguir o que já havia sido feito pela oposição e estão indicando alguns de seus parlamentares mais experientes para integrar a comissão de investigação sobre as suspeitas relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários - por enquanto, a empreiteira Delta figura no inquérito da Polícia Federal como parceira do esquema. A CPI mista será instalada na próxima terça-feira, e deve começar a funcionar já na semana que vem.

Até o PMDB, que no início não queria se envolver no caso, pode rever nos próximos dias as indicações que havia feito na Câmara. O PMDB já decidiu que o senador Vital do Rêgo , da Paraíba, será o presidente da comissão. A sensação disseminada é que os rumos que a comissão tomará são imprevisíveis e que, portanto, é bom todos estarem preparados.

- O número de assinaturas inédito e o volume de acusações com fatos documentados colocam o Congresso diante de uma tarefa decisiva. Uma CPI que acabe em pizza vai ser a maior desmoralização da nossa história - disse o líder do PSOL, Chico Alencar, ao discursar na sessão do Congresso que criou a comissão.

'Que finalidade teria eu assinar?'

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) está determinado a retomar sua rotina e a atividade parlamentar no Senado. Ele compareceu novamente no plenário na tarde de ontem, ainda causando surpresa e tumulto. O senador goiano até comentou o escândalo do qual faz parte, dando razão ao Congresso na criação da CPI do Cachoeira, que terá como um dos focos sua relação com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Demóstenes se irritou ao ser questionado se assinou a CPI, dizendo que não é chegado a "falso heroísmo" e que não assinou porque, disse, é uma pessoa "coerente".

A revelação das conversas telefônicas, gravadas com autorização da Justiça, entre Demóstenes e Cachoeira causou impacto justamente pela falta de coerência entre a imagem pública adotada pelo senador goiano, o de paladino da moralidade, e seus supostos negócios com um bicheiro. Além da CPI, Demóstenes enfrenta investigação preliminar do Conselho de Ética do Senado, que deve abrir processo contra ele por quebra de decoro. A pena máxima, se for considerado culpado, é a cassação do mandato. - O Congresso tem razão para criar a CPI - afirmou Demóstenes, ao deixar o plenário, onde registrou presença e cumprimentou os senadores que estavam no local, mostrando-se à vontade.

Questionado se assinou o requerimento de criação da comissão parlamentar de inquérito, ele respondeu irritado: - Não faço falso heroísmo. A vida toda fui coerente. Que finalidade teria eu assinar? - disse ele, arrematando que "obviamente" será convocado para depor na CPI.

Conselho de Ética teme por vida de Cachoeira em presídio no DF

Temendo uma queima de arquivo, o Conselho de Ética do Senado decidiu enviar ofício ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, comunicando a preocupação com o fato de o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estar dividindo uma cela com 22 presos, na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O ofício será encaminhado ao ministro pelo presidente do Conselho, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).

- Tem tanta coisa envolvida, tanta gente com medo do senhor Cachoeira! Colocá-lo em uma cela com não sei mais quantos presos, daqui a pouco ele aparece morto. A União é responsável pela vida do senhor Cachoeira - afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), fazendo uma comparação com a morte de Paulo César Farias, tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello e peça-chave no suposto esquema de corrupção montado no governo à época.

Ontem, o Conselho de Ética do Senado também formalizou no Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de compartilhamento das informações da operação Monte Carlo, da Polícia Federal, deixando claro que a solicitação se refere somente aos dados relacionados ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Consórcio da Delta ganha obra antes de ser criado

Consórcio da Delta Construções ganhou obra de R$ 170 milhões em Belo Horizonte antes mesmo de existir legalmente. Documentos aos quais O GLOBO teve acesso mostram que a gestão do prefeito Marcio Lacerda (PSB) assinou contratos para a ampliação de duas avenidas e a implantação de sistema de trânsito rápido (BRT) três meses antes de o Consórcio Integração ser constituído e ter um CNPJ. Previsto no PAC da Copa, o empreendimento já é investigado pelo Ministério Público (MP-MG) por sobrepreço de até 350% em seus itens.

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP-MG anunciou esta semana investigação sobre todos os serviços prestados pela Delta a órgãos públicos no estado. Segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional do órgão, Leonardo Barbabela, a indicação aos promotores é de que verifiquem se há contratos com a empreiteira em suas áreas de trabalho e abram inquérito para investigá-los. A alegação é de que irregularidades já descobertas em contratos da empresa podem se repetir em outros negócios da empresa de Fernando Cavendish.

Partidos formam tropas de elite para a investigação

Policiais que levaram à prisão os traficantes Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadia, auditores da Receita Federal e técnicos com larga experiência em investigações já estão escalados para atuar na CPI Mista que investigará os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mesmo antes do início formal dos trabalhos, previsto para a próxima semana, a oposição já começou as investigações. DEM, PSDB e PSOL deram início nesta semana a reuniões com assessores para definir requerimentos de convocação que devem ser apresentados, e áreas de investigação que devem focar.

O DEM destacou seis assessores para se dedicar exclusivamente às investigações. Três deles trabalharam com o líder da bancada, ACM Neto (BA), durante a CPI dos Correios e têm vasta experiência na área. No PSDB, também foi definido que uma equipe será destacada exclusivamente para a apuração, mas o tamanho do grupo ainda é incerto.

Perillo empregou cunhada de Cachoeira

Na rede de influência de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, até a irmã da atual mulher do contraventor conseguiu emprego no governo de Marconi Perillo (PSDB), em Goiás. Vanessa Alves Mendonça é irmã de Andressa Alves Mendonça e ocupou a Gerência de Desenvolvimento dos Profissionais da Educação, da Secretaria de Educação, no segundo semestre de 2011. Cachoeira e Andressa estão com casamento marcado para maio.

Vanessa foi nomeada em 23 de outubro do ano passado. Em 18 de abril do mesmo ano, interceptação telefônica feita pela Polícia Federal mostra Carlinhos Cachoeira e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia Wladimir Garcez (PSDB) negociando a indicação de uma série de pessoas para ingressar no governo. Na lista, Vanessa é citada como candidata a uma "gerência". Garcez é apontado pela PF como braço direito do contraventor.

Supremo pé de guerra

Com o desafio de apaziguar as brigas entre os colegas e conduzir o julgamento do mensalão, o ministro Carlos Ayres Britto assumiu ontem a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte vive uma situação de conflito entre seus integrantes, especialmente pelas pressões de julgamento rápido do processo polêmico. Semana passada, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes discutiram rispidamente num intervalo de sessão. A crise foi acirrada no início da semana, quando Cezar Peluso criticou Joaquim Barbosa e o próprio tribunal, que acusou de se orientar pela opinião pública.

No discurso de posse, Ayres Britto enfatizou a importância do cumprimento da Constituição Federal, do respeito à democracia, da liberdade de imprensa, da probidade dos administradores públicos e da transparência. Citou como essenciais a Lei da Ficha Limpa, a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ressaltou também o papel do Judiciário na moralização da política.

- O Poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros dois não pode, ele mesmo, se desgovernar, se desmandar, se descontrolar. Mais que impor respeito, o Judiciário tem que se impor o respeito - disse.

'Peluso manipulou resultados de julgamentos'

Dois dias depois de ser chamado de inseguro e dono de "temperamento difícil" pelo ministro Cezar Peluso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa respondeu em tom duro. Em entrevista ao GLOBO, Barbosa chamou o agora ex-presidente do STF de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano" e "pequeno". Acusou Peluso de manipular resultados de julgamentos de acordo com seus interesses, e de praticar "supreme bullying" contra ele por conta dos problemas de saúde que o levaram a se afastar para tratamento. Barbosa é relator do mensalão e assumirá em sete meses a presidência do STF, sucedendo a Ayres Britto, empossado ontem. Para Barbosa, Peluso não deixa legado ao STF: "As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador e tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade."

Código Florestal: relator muda texto do Senado

O relator do projeto do novo Código Florestal na Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), apresentou ontem seu relatório final, alterando pelo menos 21 tópicos do substitutivo aprovado pelo Senado, em dezembro de 2011. Piau retirou do projeto do Senado o trecho mais polêmico: quatro parágrafos que estabeleciam o tamanho da faixa de vegetação a ser recomposta por produtores rurais nas margens de rios. O texto de Piau deverá ser votado no plenário na Câmara semana que vem.

Piau escreveu no relatório que a recuperação das margens de rios deverá ser regulada pelo governo posteriormente, no âmbito do Programa de Regularização Ambiental. Em outras palavras, jogou o problema para a frente, pois o novo Código Florestal prevê um prazo de até três anos para a criação deste Programa de Regularização. - Uma regra geral de Brasília para o Brasil inteiro não me parece uma medida inteligente - alegou o deputado.

Governadores pressionam União por dívidas

Os governadores aumentaram ontem a pressão junto ao Planalto pela revisão das atuais regras de pagamento de suas dívidas junto à União. Tanto os da base da presidente Dilma Rousseff quanto os da oposição, reunidos ontem na Câmara dos Deputados, defenderam três pontos básicos: troca do IGP-DI pelo IPCA como indexador das dívidas; juros menores; e redução do volume desembolsado mensalmente para o pagamento da dívida.

O objetivo é gastar menos com a parcela mensal e, assim, fazer com que sobrem recursos para investimentos nos estados. Todos alegaram que se a presidente Dilma está no esforço de reduzir os juros do setor privado, é preciso fazer o mesmo com os governos.

A necessidade de revisão dos atuais contratos foi discutida em audiência na Câmara, com a presença de governadores e representantes de oito estados, entre eles Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia.

Juro pode dobrar valor a ser pago

Apesar da redução de juros anunciada pelos bancos públicos e privados, o cliente que não obtiver a taxa mais vantajosa oferecida pela instituição ainda pagará caro para tomar crédito. É o que mostra uma simulação feita, a pedido do GLOBO, pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), tomando como base as taxas mínimas e máximas divulgadas, em várias modalidades de empréstimos, como Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e financiamento de veículos. As diferenças são impressionantes. Quem comprar um carro no valor à vista de R$ 60 mil, em 48 parcelas, por exemplo, pagando juro 4,23% ao mês (a taxa máxima oferecida pelo Bradesco), desembolsará R$ 141.144,20 pelo bem. O mesmo carro sai por R$ 75.333,39, se o cliente obtiver a taxa mínima do próprio banco, de 0,97%. A diferença é de mais de R$ 65 mil no preço final, ou 87% a mais.

Na comparação entre diferentes instituições, a diferença também chama atenção. Os juros de um financiamento de R$ 5 mil pelo CDC, com 36 meses, variam de 1,04% (Santander) e 1,6% (Banco do Brasil) a 2,48% (HSBC) e 2,97% ao mês (Bradesco), considerando apenas as taxas mínimas. No primeiro caso, a operação vai custar R$ 6.019 ao correntista, contra R$ 8.207 se fechar com a taxa mais elevada - uma economia de R$ 2.188.

Agentes penitenciários do DF param por 1 dia

Os agentes penitenciários de Brasília resolveram cruzar os braços um dia depois da chegada de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ao presídio da Papuda, no Distrito Federal. A paralisação de 24 horas coincidiu com o dia de visitas, mas não atingiu a unidade onde o contraventor está preso.

Cachoeira recebeu a visita da mulher, Andressa, e dos advogados Márcio Thomaz Bastos e Dora Cavalcante, que foram discutir detalhes da defesa apresentada na quarta-feira à Justiça Federal de Goiás. Segundo a advogada, o bicheiro, preso há 44 dias, continua debilitado, porém demonstra interesse em participar ativamente da produção da defesa.

Irã atribui abuso sexual a 'diferenças culturais'

A Embaixada do Irã em Brasília classificou como "um mal-entendido", causado por diferenças culturais, o episódio em que o diplomata Hekmatolla Ghorbani teria abusado de meninas na piscina de um clube de Brasília, no último sábado. Em nota, a embaixada alegou que a imprensa brasileira está tentando criar polêmica em cima de "algumas inverdades", o que, para os diplomatas iranianos, é "um tratamento intencional por parte de alguns veículos de comunicação".

O governo brasileiro, no entanto, cobrou da embaixada do Irã explicações sobre as acusações contra o diplomata. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, informou que o Itamaraty enviou nota pedindo esclarecimentos à embaixada, lembrando que a Convenção de Viena determina que pessoas que têm imunidade diplomática devem respeitar as leis do país em que estão em missão. Patriota qualificou as acusações contra Ghorbani como "preocupantes".

Serra define coordenação de campanha

O candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, definiu ontem a equipe que coordenará a sua campanha. A coordenação-geral ficará com o secretário de Desenvolvimento Metropolitano de São Paulo, Edson Aparecido, que deve se licenciar do governo paulista em julho. O secretário estadual, considerado um dos mais fieis aliados do governador Geraldo Alckmin, coordenou a campanha vitoriosa de José Serra à Prefeitura de São Paulo em 2004.

Folha de S. Paulo

CPI do caso Cachoeira nasce com Collor, Jucá e ficha-suja

A CPI criada para investigar os negócios do empresário Carlos Cachoeira terá entre seus integrantes o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), que foi afastado do cargo por corrupção e hoje é senador, e pelo menos outros 16 parlamentares com pendências na Justiça, como os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

A comissão poderá criar embaraços para o governo e a oposição. Uma conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal e cujo conteúdo foi obtido pela Folha mostra que o grupo de Cachoeira recebeu do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, incentivo para um projeto que discutia com o governo.

Nomes da comissão serão formalizados até terça

Criada ontem pelo Congresso, a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as atividades do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, deverá ter entre seus 32 integrantes 17 deputados e senadores com pendências na Justiça.

Entre os indicados estão os senadores Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que respondem na Justiça respectivamente por corrupção ativa e passiva, crime de responsabilidade fiscal e crimes contra a administração pública, entre outros.

Grupo diz ter discutido projeto com Padilha

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, teve o nome citado em uma conversa telefônica como tendo autorizado o grupo do empresário Carlos Cachoeira a dar sequência a um negócio na área da saúde, após reunião em Brasília. Na gravação feita pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, Wladimir Garcez, ex-vereador do PSDB de Goiânia e auxiliar de Cachoeira, conversa com o chefe.

"Teve a conversa com o Padilha, todos os outros lá, o chefe de gabinete, e [ele] achou interessante: faz o projeto, mostra o que que é, ele fala o que que é possível lá dentro e dá para nós um veredito lá. Mas que autorizou a gente a tocar pra frente o negócio, que eles têm condição de ajudar", diz Garcez a Cachoeira, em março de 2011. A conversa não deixa claro qual é o interesse de Cachoeira -que, segundo a PF, é dono oculto de um laboratório e controla um instituto que reúne grandes empresas da área farmacêutica.

Ministro nega ter recebido aliados de Cachoeira

O ministro Alexandre Padilha disse, via assessoria, que não conhece e nunca teve nenhum encontro com Wladimir Garcez ou Carlinhos Cachoeira. Além disso, diz a assessoria, eventuais projetos apresentados em audiência só são aprovados após crivo técnico. A assessoria disse ainda que no mês da interceptação telefônica não houve nenhum evento que pudesse guardar relação com o diálogo.

"É importante ressaltar que todos os projetos apresentados em audiência com o ministro são encaminhados para análise da área técnica responsável por aquele tema. Qualquer posicionamento do ministro a respeito da viabilidade de um projeto e do interesse do projeto para as políticas de saúde do ministério só é tomado após parecer das áreas técnicas", diz ainda a nota da assessoria.

Recebi R$ 30 mil para campanha, diz primo de assessor

O designer Fernando Noleto Rosa diz ter recebido R$ 30 mil do grupo de Carlinhos Cachoeira para a produção de material de campanha do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2010. Fernando é primo do assessor do Planalto Olavo Noleto e sócio de Alan Silva, ex-chefe de gabinete de Alexandre Padilha nas Relações Institucionais. O designer afirma ter sido contratado por Wladimir Garcez, suspeito de ser o braço político de Cachoeira, para fazer um jingle e peças publicitárias para a reeleição de Demóstenes.

Governador de GO é sócio em avião de R$ 4 mi, diz Cachoeira

Em diálogo captado pela Polícia Federal, o empresário Carlinhos Cachoeira diz que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é dono de um avião Cessna, que custou R$ 4 milhões, em sociedade com dois empresários. Na gravação, em abril de 2011, Cachoeira fala para o ex-vereador Wladimir Garcez -segundo a PF, seu "assessor direto"- que Perillo é dono de metade do avião. O restante é, de acordo com o diálogo, dividido entre os empresários Rossine Aires Guimarães, que, de acordo com a PF, é sócio de Cachoeira, e Hélder Rodrigues Zebral, ex-dono da churrascaria Porcão de Brasília.

Tucano declara que 'jamais' comprou avião

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou ontem que "nunca participou de nenhuma sociedade com as pessoas citadas" -Hélder Rodrigues Zebral e Rossine Aires Guimarães. Perillo disse também, via assessores, que " jamais" adquiriu aeronaves. "Essa é mais uma conversa de terceiros, sem fundamento. O governo de Goiás possui a quantidade de aeronaves suficiente para atender suas necessidades", disse.

Alckmin afirma que contratos da Delta em SP são 'ínfimos'

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), chamou ontem de "ínfimos" os contratos do Estado com a construtora Delta. "Nem sei se tem [contratos]. Se tem, são ínfimos", afirmou o tucano em visita à Câmara dos Deputados. O governador disse não estar preocupado com os contratos da empreiteira, que deverá ser investigada pela CPI do caso Cachoeira, com o Estado de São Paulo.

A Delta tem ao menos dois grandes contratos em vigor com o Estado: um de R$ 29 milhões para construção de piscinões antienchente na Grande São Paulo e outro de R$ 11,9 milhões para obras de infraestrutura e urbanização na Unicamp. Contando obras já finalizadas, o governo Alckmin pagou à empresa R$ 23,9 milhões. Desse total, R$ 11,8 milhões foram creditados em 2011 e outros R$ 12 milhões, em 2012 (até a última quarta).

Relator muda parte polêmica de lei florestal

O relator do Código Florestal na Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), apresentou ontem suas propostas de mudança na lei, eliminando os percentuais de recuperação de florestas desmatadas em margem de rio. O relatório altera 21 pontos do texto do Senado. Entre eles a previsão de que os proprietários rurais teriam de recompor um mínimo de 15 metros e um máximo de 100 metros das chamadas APPs (áreas de preservação permanente) ripárias.

O estabelecimento das faixas de proteção seria determinado a posteriori, por lei ou medida provisória a ser proposta pelo Executivo. A proposta irritou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "Isso é anistia e insegurança jurídica", disse. "O governo é contra anistia, e o texto dele é anistia."

Presidente da Previ será investigado por conselho

O Conselho Deliberativo da Previ decidiu abrir processo disciplinar para investigar a origem de R$ 190 mil em dinheiro vivo usado pelo presidente do fundo de pensão do Banco do Brasil, Ricardo Flores, para comprar uma casa em Brasília. Procurado, Flores não ligou de volta. O conselho, que tem poder para pedir a demissão de Flores, havia cobrado explicação mês passado, após a Folha revelar o caso. A decisão de abrir processo tem como base a resposta dada por ele.

Ao conselho, Flores admitiu, pela primeira vez, que retificou seu Imposto de Renda neste ano para incluir um empréstimo que diz ter feito em 2010 para pagar os R$ 190 mil de prestação da casa.

Juiz deve ser humilde, diz presidente do STF

Ao assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Carlos Ayres Britto afirmou ontem que os magistrados brasileiros não podem ser prepotentes e que o Judiciário "tem que se impor o respeito". "Quem tem o rei na barriga um dia morre de parto, permito-me a coloquialidade do fraseado, e os juízes não estão imunizados quanto a essa providencial regra de vida em sociedade", disse ele.

"O Poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros dois não pode, ele mesmo, se desgovernar, se descontrolar", completou Ayres Britto. O novo presidente também fez referência a recentes críticas, feitas até pelo seu antecessor, Cezar Peluso, sobre a tendência da Corte de julgar de acordo com a opinião pública. Para ele, a Justiça tem que levar em conta as expectativas da sociedade: "Juiz não é traça de processo, não é ácaro de gabinete".

Comandante do Exército cobra melhores salários

Depois de ser alvo de críticas de militares, a presidente Dilma ouviu ontem do comandante do Exército, general Enzo Peri, um recado indireto em defesa de melhores remunerações para membros da Força. Em cerimônia de comemoração do Dia do Exército, ele disse que um soldado precisa de "meios" para cumprir sua missão. "Por trás desse homem há uma família, onde repousa seu coração, e que precisa de condições compatíveis para viver com dignidade."

Vereadores tentarão barrar cessão de terreno ao Instituto Lula em SP

Vereadores que apoiam o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), anunciaram ontem que tentarão impedir a cessão ao Instituto Lula de um terreno público avaliado em R$ 20 milhões na cracolândia (região central). A Câmara Municipal aprovou a oferta do prefeito à entidade anteontem, em primeiro turno, por 37 votos a 10. O texto ainda precisa passar por uma segunda votação, prevista para daqui a duas semanas. Os vereadores Gilberto Natalini (PV) e Floriano Pesaro (PSDB), que apoiam Kassab, afirmaram que vão apresentar propostas alternativas para tentar barrar a cessão da área.

Dólar sobe, e Mantega fala em mais intervenção

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou ontem, em Washington (EUA), que o governo continuará a intervir no câmbio para forçar a desvalorização do real. "Há relatórios mostrando que a intervenção do câmbio é eficaz e necessária. No nosso caso, é absolutamente necessária e nós vamos continuar fazendo", disse o ministro, que participa da reunião de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional). Ontem, o dólar voltou a subir frente ao real no Brasil. Foi o quinto dia seguido de alta mas, dessa vez, sem intervenção do Banco Central.

Por juros menores, bancos dizem tolerar inflação

Diante das últimas ações do governo para estimular a economia, o sistema bancário já está mais tolerante com uma inflação maior em favor de juros menores neste ano. Para executivos do setor financeiro privado, o risco atual da equipe econômica não é o índice de preços (IPCA) ultrapassar o teto da meta de 6,5% fixado para 2012 e 2013, mas a atividade fraca obrigar o Banco Central a cortar a taxa de juros além do que se esperava há dois meses.

A economia não está se recuperando como imaginava o governo, e isso abriu um novo desafio para o Banco Central: testar um nível mais baixo de juros, se aproximando de uma taxa de 8% ao ano. Os dois maiores bancos privados do país -Itaú e Bradesco-já reviram para baixo suas estimativas para a taxa de juros neste ano, para 8,5%.

Correio Braziliense

Governo vai mudar regras da poupança

A presidente Dilma convocou o ministro da Fazenda Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para uma reunião na segunda-feira. Decidida a reduzir a Selic, taxa básica de juros da economia, de 9% para 8% até julho, Dilma resolveu mexer também no rendimento da poupança. O mais popular e tradicional investimento do país é corrigido pela taxa fixa de 6,17% ao ano mais a variação da TR. Com a mudança, a correção passará a ser feita com base na Selic. Como está conseguindo forçar os bancos e oferecer empréstimos mais baratos, discurso do governo é de que essa será a cota de sacrifício dos poupadores para que o país tenha juros civilizados.

Com o projeto que será enviado ao Congresso, Dilma pretende resolver um dilema que sempre impediu a queda dos juros no Brasil. Segundo economistas ouvidos pelo Correio, não dá para levar a Selic para 8% ao ano, como deseja a presidente, sem que ocorra uma fuga em massa de recursos aplicados em fundos de investimento, os principais credores do governo. "A partir dessa taxa, os ajustes na poupança são necessários", observou Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco. A ideia do governo é colocar faixas de remuneração. Caso a Selic chegue a 8% ao ano, como quer Dilma, a caderneta pagará 5,8% ao ano. Se a taxa básica da economia baixasse a um nível inferior a 4% ao ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ficaria encarregado de decidir a correção da poupança. As novas regras, entretanto, valeriam apenas para novos investimentos.

CPI: Base terá 78% das vagas

Considerada imprevisível, a CPI do Cachoeira contará com uma ampla maioria de integrantes da base aliada. D as 32 v agas disponíveis no colegiado, 25 estão reservadas para os governistas contra sete destinadas aos parlamentares da oposição. Com 78% da CP I compos ta por parlamentares que apoiam o Palácio do Planalto, congressistas do DEM e do PSDB se reúnem no início da próxima semana para afinar o discurso que adotarão e traçar a estratégia que seguirão ao longo do trabalho de investigação, previsto para durar 180 dias.

Na pauta do encontro está, por exemplo, a discussão se é mais rentável para os oposicionistas tentar convocar o contraventor Carlo Augusto Ramos , o Carlinhos Cachoeir a, nesse pr imeir o momento ou se é mais interessante deixar para ouvi-lo durante o andamento das investigações . Com uma atuação mais independente no Congresso, integrantes do PSol, no entant o, já têm em mãos uma lista de nomes para possíveis explicações. O senador Randolfe Rodrigues (AP), pr ováv el suplente do bloco da minoria, tem requerimentos prontos para apresentar ao colegiado convocando Cachoeira; o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO); e Fernando Cavendish, sócio da construtora Delta, que é suspeita de envolvimento com o contraventor e tem diversos contratos com o governo feder al. " Quando eu apresentar essas solicitações e tiver acesso ao roteiro da CPI é que vamos ver qual o nív el de isenção da base aliada nessa investigação", afirmou Randolfe. Apesar de uma tendência de blindagem por par te do gov er no, integrantes  da base avaliam como possível contraponto a CPI criada pela Assembleia Legislativa de Goiás também como objetivo de investigar a atuação de Cachoeira com agentes públicos e privados. A assembleia goiana, no entanto, conta com uma maior ia de integrantes ligados ao governador Marconi Per illo (PSDB). A CPI em Goiás deve apurar a influência do governador em atividades ilegais conduzidas por Cachoeira no estado e investigar contratos da construtora Delta com as prefeituras comandas pelos petistas na região. "O que for barr ado aqui, será liber ado em Goiás", avalia o senador Rodr igo Rollemberg (PSB-DF), que não pretende fazer parte da comissão no Congresso.

"Pena de morte" para vazamentos

O membro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que se declarou suspeito para participar do processo contra Benedito Torres, procurador-geral de Justiça de Goiás e irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), afirmou ontem que o vazamento de informações da operação Monte Carlo deveria ser punido com "pena de morte".

A declaração de Tito Amaral foi feita quando ele proferia o voto pela condenação do procurador Matheus Baraldi, do Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP), por dar entrevista em 2009 sobre o suposto superfaturamento em obras do Rio Baquirivu, em São Paulo. Segundo a acusação, as informações estariam protegidas por sigilo. Após apoiar a suspensão de Baraldi por 90 dias, Tito Amaral disse: "Se ele foi punido pela entrevista que deu, os procuradores da República que estão à frente da operação Monte Carlo têm que ser condenados à pena de morte". A justificativa de Tito é de que estariam acontecendo vazamentos seletivos de interceptações telefônicas e o MP não estaria apurando esses casos.

Atuação com foco no PAC

A Construtora Queiroz Galvão recebeu quase R$ 1,4 bilhão do governo federal desde 2008, a maioria dos recursos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em 2008, a empreiteira chegou a receber mais dinheiro da União do que a Delta Construções, atual recordista em repasses federais. A Queiroz Galvão é uma tradicional doadora de campanhas eleitorais. Nas eleições para presidente da República de 2010, a empreiteira dou R$ 2 milhões para o comitê da campanha de Dilma Rousseff (PT) e outros R$ 2 milhões para o comitê de José Serra (PSDB).

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no Congresso Nacional para apurar as relações políticas e privadas de Carlinhos Cachoeira vai investigar os repasses da Delta Construções a empresas fictícias montadas pelo bicheiro e o possível uso desse dinheiro em campanhas eleitorais. Além de um diretor denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), a Delta aparece nas investigações com suposta influência em nomeações em governos estaduais, como em Goiás e no Distrito Federal.

O lobista das empreiteiras

Além da Delta, Carlinhos Cachoeira trabalhou em favor da construtora Queiroz Galvão, segundo gravações da Polícia Federal. O bicheiro Carlinhos Cachoeira agiu em favor de outra empreiteira pertencente ao grupo das campeãs em repasses do governo federal, além da Delta Construções. Numa conversa telefônica em 14 de junho de 2011, Cachoeira e o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu — ambos denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Monte Carlo — falam sobre um crédito de R$ 20 milhões da Construtora Queiroz Galvão com a prefeitura de Anápolis (GO), cidade natal do bicheiro administrada pelo petista Antônio Gomide.

Na mesma ligação, Cachoeira pede três vezes que Cláudio cobre de Gomide o pagamento da dívida. O bicheiro cita a possibilidade de desconto de 40% no pagamento à vista, o que resultaria num débito de R$ 12 milhões. Em entrevista ao Correio, o prefeito de Anápolis confirmou que recebeu o então diretor da Delta. Cláudio, segundo Gomide, apresentou a proposta de pagamento da dívida referente à Queiroz Galvão. "Ele disse que conhecia o pessoal da Queiroz Galvão e que queria intermediar e avançar na questão da dívida."

Delta será declarada empresa inidônea

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de 19 de março suspendeu a Certidão de Acervo Técnico (CAT) apresentada pela Delta Construções para atestar a capacidade de serviço de coleta de lixo da empresa. O acórdão será usado pelo GDF para justificar a abertura de um Processo Administrativo contra Fornecedores (PAF) que tem como objeto a declaração de inidoneidade da empresa. Quando isso ocorre, a firma fica impedida de contratar com a administração pública. Ou seja, em meio ao escândalo levantado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, o governo do DF, amparado por um decisão judicial, adotará o procedimento para banir a Delta do mercado do lixo na capital federal.

Promessas frustradas

A escolha de Vital do Rêgo (PMDB-PB) para a presidência da CPI, além de agradar ao Palácio do Planalto, é uma maneira de prestigiar o senador paraibano. Cotado para cargos de visibilidade, ele sempre assiste às promessas virarem boatos. Recentemente, estava praticamente garantido para assumir a relatoria do projeto da Lei Geral da Copa nas três comissões em que o projeto vai tramitar no Senado: Constituição e Justiça (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE) e Educação, Cultura e Esporte (CE). Ficou somente com a CCJ.

Também era anunciado como relator do processo de quebra de decoro parlamentar aberto contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética, o que não se concretizou. Ele preferiu continuar como corregedor do Senado, uma vez que não poderia assumir as duas funções. E teve o nome incluído na lista de possíveis beneficiados na reforma ministerial, o que não ocorreu.

PT dividido entre Lula e o Planalto

A indefinição no PT quanto à escolha do relator para a CPI mista que investigará os negócios do bicheiro Carlinhos Cachoeira é mais um capítulo das divergências explícitas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Palácio do Planalto. Lula apoia a indicação do ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP). A presidente Dilma Rousseff discorda, temendo que as mágoas do petista por ter sido afastado do cargo de líder tragam novas dores de cabeça ao Executivo.

O PT não teve dúvidas, ao longo de todo esse episódio de instalação da CPI, sobre de que lado ficaria: os petistas sempre escolheram Lula. "Não se iluda, o PT sempre vai escolher o Lula nos instantes em que ele discordar da presidente", confirmou ao Correio um petista de destaque nos quadros partidários.

A própria criação da CPI colocou Dilma e Lula em flancos distintos. O ex-presidente quer a investigação mais ampla e emitiu sinais objetivos de seu desejo ao PT e aos demais partidos da base. Dilma, ao contrário, não queria ver o Congresso parado, nem sobressaltos em sua gestão. Não se mobilizou para evitar a criação da CPI, amarrada pelo discurso ético que a elevou a um patamar de 77% de aprovação popular, mas também não vê o clima de caça às bruxas com bons olhos.

“O Congresso tem razão”

Demóstenes Torres (sem partido-GO) voltou a marcar presença ontem no plenár io do Senado. Menos monossilábico do que se mostr ou anteontem, o parlamentar afirmou que seria falso heroísmo assinar a CPI que investigará a relação de agentes públicos e privados com a máfia de exploração dos jogos de azar. “A minha vida toda fui uma pessoa coerente. Por que assinaria a CPI? Falso heroísmo?”, questionou.

Demóstenes surpreendeu ao dizer que o “Congresso tem razão para criar a CPI”. Afirmou não ter tomado conhecimento de quais parlamentares subscreveram o documento, mas que respeita o posicionamento dos colegas. Perguntado se estava se sentindo à vontade para frequentar o Senado, ele foi direto. “Claro, é a minha casa, fui eleito para isso”, concluiu, antes de dizer que estava retomando a rotina e que sabe que será convocado pelo colegiado para depor.

Poeta assume o STF de olho no Mensalão

De perfil apaziguador, Carlos Ayres Britto, autor de seis livros de versos, assume o comando do STF em uma semana tensa no tribunal. Ministro fica sete meses no cargo e deve presidir a sessão de julgamento do mensalão. Em uma solenidade concorrida, com mais de 2 mil convidados, o ministro Carlos Ayres Britto tomou posse ontem nos cargos de presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em seu discurso, Britto propôs um pacto entre os Três Poderes em prol do cumprimento da Constituição e frisou que o Judiciário "não pode jamais perder a confiança da coletividade".

Sentado ao lado da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer, Ayres Britto sugeriu o primeiro trabalho conjunto: "Proponho aos Três Poderes da República a celebração de um pacto. O que me parece mais simples e ao mesmo tempo necessário, que é um pacto do mais decidido, reverente e grato cumprimento da Constituição". Na mesma sessão, o ministro Joaquim Barbosa foi empossado vice-presidente da Corte.

Dilma prestigia o Dia do Exército

A presidente Dilma Rousseff participou da solenidade do Dia do Exército, ontem, em Brasília, ao lado do ministro da Defesa, Celso Amorim, e do comandante da corporação, general Enzo Peri. Na ocasião, a presidente ressaltou o papel desempenhado pela Força nas ações internacionais de manutenção da paz, no apoio à ocupação de áreas de conflito no Rio de Janeiro e no atendimento à população brasileira em situações de emergência ou de calamidade. Na mensagem presidencial, lida por um locutor, ela destacou ainda que continuará "trabalhando para que a nossa Força terrestre esteja sempre capacitada para manter a devida operacionalidade e prontidão frente às missões que se apresentem e para garantir os interesses estratégicos do país". A solenidade marcou os 364 anos do Exército.

O Estado de S. Paulo

"Deltaduto"faz governador tucano anunciar auditorias

Beneficiado pelo "deltaduto", o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou ontem uma auditoria nas licitações e contratos celebrados entre o Estado e a Delta Construções. A campanha de Perillo, como revelou ontem o Estado, foi irrigada pelo circuito financeiro de empresas de fachada que serviam para redirecionar para políticos e laranjas, conforme aponta a Polícia Federal, recursos da Delta.

Segundo Perillo, o governo vai apresentar o relatório com a conclusão dos trabalhos em 30 dias. Caso sejam identificadas irregularidades, a Delta terá 15 dias para apresentar sua defesa. O governador negou ainda qualquer relação entre as doações de sua campanha e as empresas citadas nas investigações. "As doações feitas foram todas oficiais e legais."

Na lista de beneficiários das empresas investigadas pela PF consta ainda a Produtos Alimentícios Orlândia, que doou R$ 13 mil para o deputado Rubens Otoni (PT). O petista aparece em vídeo conversando com Cachoeira sobre doações de campanha.

CPI do Cachoeira é criada e aliados não sabem como agir

No dia em que o Congresso deu sinal verde para a CPI que vai investigar a ligação de políticos e empresas com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a articulação política do governo Dilma Rousseff foi alvo de fortes críticas da própria base aliada. Sem orientação do Palácio do Planalto, até parlamentares do PT passaram a bombardear o "vazio" na coordenação do governo e, em conversas reservadas, disseram temer o preço que será cobrado pelo PMDB na CPI.

"A presidente Dilma está muito bem, mas a articulação política do governo é muito fraca e amadora", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Favorável à investigação, ele se surpreendeu ao saber que o Planalto deflagrou uma operação para controlar a CPI e evitar desgaste, já que a Delta Construções - suspeita de injetar dinheiro em empresas de fachada ligadas a Cachoeira - é responsável por obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "A bola da CPI está quicando há duas semanas e ninguém do governo conversou com a gente."

Promotor: 'morte' a quem divulga dados

Levado para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com o apoio decisivo do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o conselheiro Tito Amaral, promotor de Justiça em Goiás e ex-assessor do parlamentar, criticou o vazamento de informações que comprometem o antigo chefe. Na sessão desta semana do órgão, Amaral falou em punir com "pena de morte" os procuradores da República responsáveis pela Operação Monte Carlo, que seriam coniventes ou responsáveis pelo vazamento de informações que apontam ligações entre Demóstenes e o contraventor Carlinhos Cachoeira.


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