Nos jornais: burocracia emperra a vontade das ruas

Correio Braziliense informa que, na visão de especialistas, pacote anunciado pelo governo federal não resolvem plenamente os problemas levantados nos protestos. Jornais destacam plebiscito para reforma política e Natan Donadon

Correio Braziliense

Burocracia emperra a vontade das ruas

Os manifestantes que ocupam as ruas do país vão ter dificuldades para desembrulhar o pacote de bondades anunciado pela presidente Dilma Rousseff e pelo Congresso Nacional. Na visão de especialistas, as medidas já votadas pelos deputados e senadores ou prometidas por eles e pelo governo federal não resolvem plenamente os problemas apontados pelos protestos. Em alguns casos, as demandas ainda não tiveram sequer solução prevista.

As propostas para fazer a reforma política — tema agora classificado como "imprescindível e urgente" por políticos e pelo governo federal — não encontram consenso nem mesmo na base governista. Na reunião com a presidente ontem, líderes de partidos aliados toparam o plebiscito, mas se alguns se mostraram desacreditados com a proposta. Se sair mesmo do papel, a previsão de integrantes do Judiciário é de um processo demorado e caro para os cofres públicos.

Um plebiscito cada vez maior

O pacote de medidas para atender as demandas das ruas cada vez aumenta mais. A classe política se mobiliza para incluir o fim da reeleição e a fixação do mandato presidencial em cinco anos no plebiscito em gestação na Esplanada. A proposta de incluir o mandato presidencial na consulta popular partiu do presidente em exercício do PTB, Benito Gama, na reunião convocada pela presidente Dilma Rousseff ontem pela manhã, mas também é considerada factível para outros líderes da base, como Eunício Oliveira (PMDB-CE). O assunto é mais um para integrar a lista de temas espinhosos a serem enfrentados na reforma política, não tocados até hoje por falta de consenso.

O prazo do TSE

O prazo estipulado pelo governo para a realização do plebiscito sobre a reforma política é considerado inadequado por ministros e ex-integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ouvidos pelo Correio. A presidente Dilma Rousseff conversou por telefone com a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, que mobilizou todos os setores do tribunal para que cada chefe de área aponte o impacto da consulta popular e indique o tempo necessário para organizar o plebiscito. Cármen deve dar uma previsão até este fim de semana.

Confronto com a PM no Ceará

Pela segunda vez, desde o início da Copa das Confederações, áreas perto da Arena Castelão, em Fortaleza, transformaram-se em palco de confronto entre a polícia e manifestantes que protestavam contra os gastos elevados na construção dos estádios. Cinco policiais militares e pelo menos 20 pessoas que participavam do movimento ficaram feridas. PMs utilizaram spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. A Polícia Militar do Ceará comunicou que realizou 92 prisões. Cinco mil pessoas participaram da mobilização.

MP revela a falência das prisões

Mais de 20 mil detentos fugiram dos presídios brasileiros no período de um ano, entre março de 2012 e fevereiro deste ano. Os dados, divulgados ontem pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mostram que um total de 20.310 presos escaparam dos estabelecimentos prisionais ou não retornaram depois de saídas temporárias. Desse total, segundo os números, 7.264 retornaram espontaneamente e 3.734 foram recapturados pela polícia após a fuga.

Natan Donadon é considerado foragido

A Polícia Federal promoveu uma grande operação de busca ao deputado Natan Donadon (PMDB-RO), condenado a mais de 13 anos de prisão, pelo desvio de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondonia, entre 1995 e 1998, quando era diretor financeiro do órgão. A PF fechou o cerco nos portos e aeroportos, para evitar a fuga, e também aguardou que o parlamentar se entregasse, o que não ocorreu até a noite de ontem.

Câmara deve aprovar cassação em julho

Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela prisão imediata do deputado Natan Donadon (PMDB-RO), o parlamentar também é exaustivamente procurado pela Câmara Federal. Por lá, representantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tentam notificá-lo sobre o processo de cassação de seu mandato, aberto horas depois de a Corte definir que a condenação havia transitado em julgado, na quarta-feira (26). Após dois dias de tentativas, hoje é a última chance para que ele receba pessoalmente o documento e os prazos do processo comecem a valer.

Enfim, ônibus novos

O governador Agnelo apresentou ontem o primeiro coletivo da Expresso São José: a partir de hoje, 50 modernos veículos começam a atender a Estrutural. Toda a frota do DF deve ser substituída até dezembro.

Mais inflação e PIB menor, prevê o Banco Central

Mais inflação e PIB menor, prevê o Banco Central trueA o que tudo indica, o governo está perdendo a guerra contra a inflação, a despeito da promessa da presidente Dilma Rousseff de que a estabilidade econômica é um bem precioso do qual não abre mão. A disseminação de reajustes contaminou tanto a indústria e o varejo, que o Banco Central foi obrigado a rever, de 5,7% para 6%, a sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. Assumiu, ainda, que o custo de vida ficará, até o primeiro trimestre de 2015, sistematicamente acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário (CMN), de 4,5%. Na melhor das hipóteses, a média anual de inflação no governo Dilma será de 5,9%.

Comércio perde R$ 9 bilhões com protestos

O comércio varejista calcula queda de pelo menos 15% nas vendas em razão da onda de protestos em todo o país, que se somam às crescentes perdas com a inflação. Cerca de R$ 9 bilhões deixaram de ser faturados nas últimas três semanas. Os cálculos do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) bateram estimativas iniciais, mais otimistas, e ainda sinalizam para um esforço generalizado de liquidações a partir de julho, voltadas para equilibrar caixas e reduzir o custo pesado dos elevados estoques.

IPI para móveis e linha branca volta no dia 1º

Com os gastos públicos nas alturas e sem espaço para apertar o cinto, o governo foi obrigado a reduzir os estímulos fiscais para os setores de móveis e eletrodomésticos. A partir da próxima segunda-feira, começará a subir, gradualmente, as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de fogão, geladeira, máquina de lavar e de uma série de produtos que vinham se beneficiando da política de incentivo ao consumo.

11 milhões mais perto da legalização nos EUA

Após anos de iniciativas fracassadas para regularizar sua situação no país, os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos Estados Unidos viram, ontem, esse dia ficar mais próximo. Com folga, o Senado norte-americano aprovou o projeto bipartidário que abre caminho para a cidadania desses estrangeiros. O projeto de lei da reforma imigratória, elaborado pela chamada "gangue dos oito" — quatro senadores democratas e quatro republicanos —, sob encomenda do presidente Barack Obama, obteve 68 votos a favor e 32 contra. O placar deu fôlego para o texto enfrentar a batalha que se seguirá na Câmara dos Deputados. Para conseguir o apoio da oposição, democratas concordaram com medidas de reforço sem precedentes na fronteira com o México.

Ex-presidente é eleito para Academia de Letras

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 82 anos, se tornou ontem à tarde o novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Eleito por 34 de 39 votos possíveis, ele ocupará a cadeira de número 36, sucedendo o jornalista João de Scantimburgo, morto em 22 de março. Logo após o anúncio da eleição, FHC recebeu amigos e convidados na Fundação Eva Klabin, no Rio de Janeiro, onde aguardava o resultado da votação. No total, apenas 24 acadêmicos votaram presencialmente. Os outros 14 enviaram as escolhas por carta. Parlamentares membros da ABL comemoraram a chegada de FHC.

Comissionados põem o GDF em estado de alerta

O governo local estuda fórmulas para cumprir a ordem da Justiça de preencher 50% dos cargos de confiança com concursados, em toda a administração. Em alguns órgãos, como a TCB, nenhum funcionário pertence ao quadro permanente. A terceirização, o remanejamento e a realização de concursos estão entre as alternativas para evitar a paralisação dos serviços.

Folha de S. Paulo

Planalto defende plebiscito conciso sobre reforma

A presidente Dilma Rousseff definiu que enviará ao Congresso uma mensagem de no máximo cinco pontos sugerindo a realização de um plebiscito para nortear a elaboração de uma reforma política, mas seus aliados querem acrescentar mais questões, como o fim da reeleição.

Depois de três reuniões com presidentes de partidos e aliados da Câmara e do Senado, Dilma conseguiu o apoio da maioria de sua base para sua ideia de plebiscito, mas foi avisada de que a proposta de fazer poucas perguntas pode não vingar e que nem todas as regras podem valer para a eleição de 2014.

Constituinte foi barbeiragem do governo, diz Lula a aliados

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou com petistas da estratégia do governo Dilma Rousseff para dar uma resposta à onda de protestos pelo país. A aliados, Lula chamou de "barbeiragem" a articulação.

Antigo defensor da ideia, ele queixou-se da forma "atabalhoada" como foi gestada a proposta da convocação de uma constituinte exclusiva para discutir a reforma política, sem uma discussão prévia com o Congresso. Mais ainda, do recuo da iniciativa apenas um dia depois.

Dilma tenta desviar foco de protestos, diz oposição

Os presidentes dos três maiores partidos de oposição chamaram de "manobra diversionista" para tirar o foco das manifestações populares a proposta da presidente Dilma Rousseff de um plebiscito sobre a reforma política.

Aécio Neves (PSDB), José Agripino Maia (DEM) e Roberto Freire (PPS) divulgaram uma nota conjunta e unificaram o discurso.

Eles defendem a realização de um referendo, e não de um plebiscito, para que a população defina o novo sistema político do país, ao contrário do que sugeriu a presidente.

PT defende que reforma vigore já para 2014

O PT quer que as novas re­gras que forem definidas no plebiscito sobre a reforma política, pretendido pela pre­sidente Dilma Rousseff, já tenham validade nas eleições do próximo ano.

Para que possam vigorar no pleito de 2014, as mudanças teriam que ser aprovadas até 5 de outubro deste ano.

A direção do partido informou ontem que, se for necessário, apresentará uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) com validade transitória. O objetivo é encurtar esse prazo limite.

Deputado não cumpre acordo de se entregar e está sumido

Primeiro deputado com ordem de prisão no exercício do mandato desde a redemocratização do país, Natan Donadon (PMDB-RO) descumpriu acordo fechado com a Polícia Federal para se entregar.

A defesa dele tinha acertado que até o início da tarde de ontem o parlamentar se apresentaria na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele não apareceu. Ao longo do dia a Polícia Federal negociou com o advogado Nabor Bulhões para tentar viabilizar a prisão.

Ministro vincula decisão e réus do mensalão

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que a decretação da prisão de Natan Donadon é um "mau presságio" para os condenados no julgamento do mensalão.

Dos 25 réus, 11 podem ir à cadeia já que tiveram penas que somam mais de oito anos. Os ministros ainda precisam decidir se os recursos apresentados pelas defesas dos réus são válidos ou não.

"A decisão é um mau presságio para os condenados no julgamento da ação penal 470 [a do mensalão]", afirmou Lewandowski, que foi o revisor no julgamento do mensalão.

Alckmin vai extinguir secretaria para cobrir tarifa do transporte

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai anunciar hoje a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, a unificação de ao menos três fundações e a fusão de empresas públicas para cortar despesas do Estado.

O pacote resultará em uma economia de R$ 127 milhões este ano e de R$ 226 milhões em 2014. O valor será suficiente para cobrir a perda de receita provocada pela revogação do reajuste das passagens de metrô e trem estimada em R$ 210 milhões por ano.

Rigor maior para corrupção esbarra no STF

A inclusão do delito de corrupção na lista da Lei dos Crimes Hediondos pode ter seus efeitos reduzidos já que esse texto legal sofreu abrandamentos desde a sua entrada em vigor em 1990.

Segundo criminalistas ouvidos pela Folha, a mudança mais significativa do projeto de lei no Congresso que altera as regras do crime de corrupção é a elevação da pena mínima do delito de dois para quatro anos. Esse aumento poderá levar a alterações na definição de prazos de prescrição e na forma de cumprimento das penas.

É difícil fazer protesto pacífico, diz Passe Livre

O MPL (Movimento Passe Livre) afirma que a realização de protestos pacíficos no país é difícil devido à violência vinda do Estado e descartou colaborar com a polícia para identificar vândalos.

O grupo classificou ainda de "oportunismo" a proposta feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para criar um passe livre para estudantes, e defendeu que a tarifa zero seja financiada pelo contribuintes.

Governo e dono da Azul querem TAP e JetBlue

O empresário David Neeleman, dono da Azul, está criando um fundo de investimento destinado à compra da companhia aérea portuguesa TAP e da americana JetBlue, que ele fundou.

A ideia, no futuro, é integrar as três empresas, formando uma superaérea nacional com rotas para Europa, África e EUA. Por razões estratégicas, o governo federal decidiu participar do negócio como sócio via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Enfrentamento no entorno do estádio fere 7 em Fortaleza

Policiais e manifestantes voltaram a entrar em confronto ontem em pelo menos três capitais: Fortaleza, Porto Alegre e Salvador. No total, 12 mil pessoas saíram às ruas nessas três cidades.

A capital cearense reuniu 5.000 manifestantes e teve o confronto mais longo e intenso. O protesto começou às 10h e só terminou às 17h.

FHC confirma favoritismo e é eleito para Academia Brasileira de Letras

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 82, foi eleito ontem para a Academia Brasileira de Letras com 34 dos 39 votos possíveis. Bem-humorado, disse que a vitória foi seu melhor desempenho eleitoral na carreira.

"Não há eleição fácil, mas o resultado foi o melhor", disse o novo imortal, em entrevista à Folha por telefone.

"Não interpreto os votos recebidos em termos políticos, é um reconhecimento do meu trabalho intelectual. Certamente há muitas opiniões políticas discordantes da minha lá e, não obstante, tiveram a generosidade de me aceitar."

Governo anuncia volta parcial do IPI de geladeira, fogão e móvel

O governo vai aumentar parcialmente as alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para móveis e produtos de linha branca, como geladeira e fogão, a partir de segunda-feira.

O reajuste valerá até o fim de setembro, quando as tarifas devem voltar aos seus valores integrais, anunciou ontem o ministro Guido Mantega (Fazenda). Até lá, contudo, será feita uma nova avaliação por parte do governo.

O Globo

Deputado desafia ordem de prisão do STF e some

O deputado federal Natan Donadon não se entregou ontem à Polícia Federal, como era esperado, e agora é considerado foragido. A PF fez buscas em seu apartamento funcional, em Brasília, e nos escritórios políticos e residências em Rondônia, mas não o localizou. Seu advogado, Nabor Bulhões, havia prometido que Donadon se apresentaria até o meio-dia de ontem, mas isso não ocorreu. O mandado de prisão contra o parlamentar foi expedido pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chegou à PF por volta das 16 horas de anteontem.

Para advogado de Genoino, caso dos mensaleiros é diferente

Advogado do deputado José Genoino (PT-SP) no processo do mensalão, o criminalista Luiz Fernando Pacheco disse ontem achar que não há razão para que o Supremo Tribunal Federal (STF) repita com o petista o expediente usado no caso do deputado Natan Donadon (RO). O ex-peemedebista teve o mandado de prisão expedido anteontem após o tribunal entender que a defesa dele estava protelando com recursos a execução de uma condenação de 2010 por formação de quadrilha e peculato. Até ontem, Donadon não havia sido encontrado pela Polícia Federal.

Base apoia plebiscito, e oposição, referendo

Os partidos aliados concordam com a realização de um plebiscito para definir os termos da reforma política, mas, contrariando interesses do PT e da presidente Dilma Rousseff, integrantes de pelo menos três legendas do campo governista defenderam, nas reuniões de ontem no Palácio do Planalto, a inclusão de mais um tema polêmico: o fim da reeleição e mandato de cinco anos para presidente da República, governadores e prefeitos. Caso haja essa pergunta seja incluída, funcionaria como uma espécie de julgamento do governo Dilma, concluíram os petistas. A ideia, já defendida pela oposição, foi lançada ontem por representantes do PMDB, do PSB e do PTB.

Nas reuniões, Dilma se mostra disposta a rever posições e se abrir ao diálogo

"A situação deve ser mesmo muito grave. Se não fosse, a gente não estava aqui." A observação feita pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, na reunião com a presidente Dilma Rousseff no Planalto, deu o tom do que seria a maratona de encontros de ontem. As conversas prosseguem pelos próximos dias em reunião ministerial e com os líderes da oposição. Segundo relatos, Dilma, pela primeira vez, reconheceu que, para dar uma resposta às ruas, está disposta a mudar a imagem de intransigente, reconhecer erros, rever posições e dialogar com todos os setores da sociedade.

Oposição: governo tenta tirar foco de problemas

Convidados pela presidente Dilma Rousseff para tratar da reforma política, os líderes e presidentes dos partidos de oposição avisaram que querem discutir uma pauta mais ampla e em sintonia com o que os brasileiros têm manifestado, incluindo soluções para Educação, Saúde e redução de gastos públicos. Pretendem levar uma posição consensual. Ontem os presidentes do PSDB, senador Aécio Neves (MG), do DEM, senador Agripino Maia (RN) e do PPS, deputado Roberto Freire (SP), se reuniram e reafirmaram, em nota, o primeiro ponto comum: não aceitam o plebiscito para a reforma política, mas o referendo.

Cláusula de barreira: excluída da discussão

Considerado um dos pontos fundamentais de qualquer reforma política, para enxugar o número de partidos e acabar com as chamadas legendas de aluguel, a chamada cláusula de barreiras não deverá entrar nesta nova tentativa de reforma política, por ser um dos temas que mais desagregam: os grandes partidos são favoráveis, mas os pequenos e médios são contrários, porque resultaria em grande dificuldade de manutenção dessas siglas.

Barbosa cobra julgamento de processos anticorrupção

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, vai enviar ofícios aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais de todo o país para cobrar o cumprimento da Meta 18, fixada pelo próprio CNJ. A meta determina o julgamento, até o fim de 2013, dos 121.850 processos de improbidade administrativa e de crimes contra a administração pública iniciados até 2011. Como informou O GLOBO ontem, até agora apenas 36,5% deles foram julgados, um percentual baixo, na avaliação de Barbosa.

Após 14 anos, CCJ do Senado aprova PEC do Trabalho Escravo

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem a proposta de emenda constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras em que forem flagradas exploração desse tipo de mão de obra. O texto tramita há 14 anos no Congresso e segue agora para duas votações em plenário. Se aprovada, será promulgada pelo presidente do Congresso, sem necessidade de ser submetida à presidente Dilma Rousseff.

Menos protestos, e mais um morto

Enquanto a Polícia Federal caça o deputado federal Natan Donadon (RO), expulso do PMDB e foragido da Justiça depois de receber ordem de prisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pelas condenações de peculato e formação de quadrilha, milhares de brasileiros voltaram às ruas ontem para pedir o fim da corrupção e melhores serviços públicos. As manifestações, porém, foram menos intensas.

No Rio, pelo menos cinco mil pessoas protestaram contra a impunidade e por mais dinheiro para a Educação, entre outros temas. Em Brasília, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) resolveram mostrar a cara, duas semanas depois do início da onda de manifestações.

Relatório aponta que 60 índios foram assassinados em 2012

A violência contra povos indígenas aumentou em 2012. Relatório divulgado ontem pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mostra que foram registrados 60 assassinatos de índios no ano passado. Desses, 37 ocorreram no Mato Grosso do Sul, onde são mais graves os conflitos entre indígenas e fazendeiros. Em 2011, 51 índios haviam sido assassinados no país. Ao todo, 563 índios morreram no Brasil entre 2003 e 2010, dos quais 316 (56,1% do total) viviam em Mato Grosso do Sul. As vítimas do estado são das etnias guarani-kaiowá, terena e guarani nhandeva.

Denúncias de violência contra gays crescem 166%

O governo divulgou ontem relatório revelando que o número de denúncias de violência contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) aumentou 166% em 2012, se comparado com o ano de 2011. O salto foi de 1.159 denúncias para 3.084 de um ano para outro. As vítimas dessas agressões pularam de 1.713, em 2011, para 4.851 em 2012, um aumento de 183%.

UNE e Ubes mostram a cara, enfim, em ato próprio

Após ficarem de fora dos protestos que tomaram conta do país nas últimas semanas, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) organizaram ontem em Brasília sua própria manifestação. Nas estimativas da Polícia Militar (PM), cerca de duas mil pessoas - a maioria estudantes de escolas públicas de Brasília - participaram do protesto, que saiu do Museu da República e foi até o gramado em frente ao Congresso Nacional. O ato contou até com um "beijaço".

BC avisa: PIB será menor; e inflação, maior

Depois da decepção com o Pibinho no primeiro trimestre, o Banco Central já trabalha com um cenário de crescimento menor e preços mais altos. De acordo com relatório divulgado ontem, a previsão de expansão do PIB este ano passou de 3,1% para 2,7%. De outro lado, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,7% para 6%. O número poderia ser ainda pior se o BC não tivesse, na última hora, incluído nas contas a redução das passagens de ônibus anunciada por causa dos protestos nas ruas de todo o país. A queda das tarifas foi determinada após 7 de junho, último dia com informações incluídas no documento divulgado ontem. No entanto, os técnicos não atualizaram o valor do dólar, o que poderia jogar para cima as projeções de índices de preços.

IPI de geladeira e móvel aumentará

Pressionado pela necessidade de executar uma política fiscal mais austera, o governo decidiu não prorrogar a redução atual do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para móveis e artigos da linha branca. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que, a partir de 1º de julho, as alíquotas desses itens vão subir gradualmente. Para evitar que o aumento do imposto pressione os preços cobrados dos consumidores e pressionem a inflação, a equipe econômica decidiu que as alíquotas do imposto incidentes sobre cada produto ficarão num índice intermediário por três meses.

Crise europeia: Correntistas vão socorrer bancos

Além dos acionistas e dos investidores, os correntistas com mais de € 100 mil também arcarão com custos de falências dos bancos europeus. As regras entram em vigor até 2018. A UE aprovou orçamento de € 908 bi e corte de gastos.

Senado dos EUA dá aval a imigrante

O Senado americano aprovou o projeto de reforma imigratória, principal aposta do presidente Obama, que abre o caminho à cidadania para os 11,5 milhões que vivem ilegalmente no país. A próxima batalha será na Câmara.

NA ABL: FHC, o mais novo imortal

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito ontem para a cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras. Ele teve 34 dos 39 votos válidos e disse que temeu a politização de sua candidatura.

Câmara de São Paulo instala CPI para investigar transporte público

Os vereadores paulistanos aprovaram ontem, por 40 votos a 11, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as planilhas do transporte público em São Paulo. A proposta escolhida foi a do vereador Paulo Fiorilo (PT), correligionário do prefeito Fernando Haddad. Havia ainda dois pedidos semelhantes de autoria dos vereadores Paulo Frange (PTB) e Ricardo Young (PPS). Segundo o líder do PSDB, Floriano Pesaro, a CPI é "mais do que chapa-branca", já que, de acordo com o regimento da casa, a presidência será concedida a Fiorilo, proponente da comissão.

Que venha a Espanha!

Depois de 120 minutos dramáticos, em que só conseguiu domínio na prorrogação, a Espanha venceu a Itália nos pênaltis por 7 a 6, em Fortaleza, e vai à final da Copa das Confederações, domingo, no Maracanã, com o Brasil. No tempo normal, o placar foi 0 a 0. Fora do Castelão, confrontos deixaram sete feridos e 84 presos.

O Estado de S. Paulo

Aliados apoiam plebiscito; oposição vê manobra de Dilma

Presidentes de dez partidos da base aliada e de líderes na Câmara e no Senado disseram à presidente Dilma Rousseff que apoiarão a convocação de um plebiscito sobre a reforma política, mas, provocaram mal-estar ao propor um debate sobre o fim da reeleição e mandato de cinco na consulta popular e ao enfatizar que mudanças no sistema só devem vigorar em 2018. Dilma e o PT vão insistir numa reforma que vigore em 2014.

Embora a sugestão dos aliados tenha sido para que o fim da reeleição comece a valer a partir de 2018, não afetando a campanha de Dilma pelo segundo mandato, a simples referência ao assunto constrangeu o governo. O Estado apurou que, mesmo com a garantia de que eventual mudança não vai valer para ela, Dilma é contra incluir questões sobre o fim da reeleição no plebiscito.

Lula e as redes sociais

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula quer participar ativamente da campanha a favor do plebiscito da reforma política, defendido pela presidente Dilma Rousseff. No encontro que teve com Dilma, na semana passada, para tratar das grandes manifestações nas ruas, Lula teria sugerido que ela encampasse o debate sobre a reforma política, segundo fontes ouvidas pelo Estado.

Lula reuniu-se na última terça-feira pela manhã com representantes de movimentos sociais aliados do governo para ouvi-los a respeito da onde de protestos. Nas conversas, defendeu a limitação de reeleições dos mandatos eletivos (para deputado, senador e vereador). O petista lembrou que, quando presidente do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC, reformou o estatuto da entidade para proibir reeleições seguidas dos cargos de direção.

Gastos com plebiscito podem chegar a R$ 500 milhões

O plebiscito sobre a reforma política poderá ser realizado em setembro a um custo de R$ 500 milhões. A estimativa é feita por técnicos da Justiça Eleitoral que, na corrida contra o relógio tentam calcular os gastos e o tempo necessário para preparar a consulta popular.

Desde quarta-feira, quando a presidente Dilma Rousseff telefonou à presidente do TSE, Cármen Lúcia Antunes Rocha, para discutir questões práticas e logísticas do plebiscito, integrantes de várias áreas do TSE estão mobilizados para avaliar as providências e os gastos.

Senado dos EUA aprova reforma imigratória

O Senado dos EUA aprovou ontem o projeto de reforma imigratória. Com a decisão, 11 milhões de estrangeiros que atualmente vivem ilegalmente nos EUA poderiam obter a cidadania americana. Agora, a medida será enviada à Câmara, onde há forte oposição dos republicanos. O projeto, defendido pelo presidente Barack Obama, prevê o investimento de US$ 46 bilhões para melhorar a segurança nas fronteiras - com aparelhos para detectar imigrantes ilegais - e o sistema de visto americano.

Donadon é considerado foragido pela polícia

O deputado Matan Donadon (PMDB-RO) descumpriu ontem o acordo com a Polícia Federal para se entregar e passou a ser considerado foragido. A defesa do parlamentar, cuja prisão imediata foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal tinha combinado  que ele se apresentaria até o fim da manhã na Superintendência da Polícia Federal em  Brasília. Até o fechamento  desta edição Donadon não tinha se entregado. Durante todo o dia, agentes da PF foram mobilizados em Brasília e em Rondônia para localizar o parlamentar e cumprir  a ordem de prisão do Supremo.

Pressão das ruas aprovou lei do crime hediondo, diz senado

Proposto em 2011, o projeto de lei que classifica a corrupção passiva e a ativa - entre outros delitos contra a administração pública - como crimes hediondos só foi votado e aprovado no Senado anteontem graças à pressão  popular, afirma o autor da matéria, Pedro Taques (PDT-MT).

“O movimento popular fez com que o projeto fosse aprovado, não tenho dúvida. O projeto estava lá desde 2011”, afirmou Taques ao Estado.

IPI de móveis e linha branca sobe 2ª feira

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou que, a partir de segunda-feira, o IPI para móveis e eletrodomésticos da linha branca ficará mais alto, mas não voltará ao mesmo nível antes de o governo cortar o imposto, há quatro anos. Segundo Mantega, o setor se comprometeu a não repassar a alta do IPI ao consumidor.

Inflação

O Banco Central elevou a estimativa para o IPCA - o índice oficial de inflação -, mesmo sem os aumentos das tarifas de ônibus em várias cidades, e previu inflação de até 6% este ano.

Fora do estádio

Manifestantes incendeiam carro da TV Diário e entram em choque com a polícia perto do Castelão, em Fortaleza, durante jogo entre Espanha e Itália ao menos 5 policiais ficaram feridos e 84 pessoas foram detidas.

USP terá bônus racial para o vestibular

A USP aprovou a criação de bônus de 5% na nota do vestibular para candidatos de escolas públicas que se declarem pretos, pardos ou indígenas. A USP sempre se disse contrária a essa bonificação.

Legado, só estádio, diz Valcke, da Fifa

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, disse ao Estado que já não há tempo para uma “revolução” em infraestrutura no País até 2014.

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