No 7 de setembro, um grito contra a corrupção

Cansados de esperar, brasilienses vão às ruas protestar pelo combate à corrupção. Fim do voto secreto legislativo e defesa da Lei da Ficha Limpa foram as principais reivindicações dos cerca de 25 mil manifestantes que passaram pela Esplanada dos Ministérios hoje

Mesmo a temperatura batendo os 30º e a umidade relativa do ar em torno de 13% não foram suficientes para desestimular o brasiliense neste 7 de setembro, que ocupou as pistas da Esplanada dos Ministérios em protesto contra os recentes casos de corrupção. Segundo o 6º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 25 mil pessoas participaram da Marcha contra a Corrupção, movimento originado nas redes sociais.

O Museu Nacional foi o ponto de encontro dos manifestantes, que chegavam com cartazes, faixas e nariz de palhaço. “A gente não pode mais aceitar isso. Eles nos fazem de palhaços, mas quem paga o salário deles somos nós”, bradou o estudante de história Igor Carvalhedo.

O movimento apartidário e sem núcleo de organização pedia prioritariamente o fim do voto secreto legislativo, ferramenta que ajudou a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) a se livrar da cassação na Câmara, na semana passada. Vestidos em sua maioria com roupas pretas, os manifestantes partiram às 10h em direção à Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes. De lá, virados para o Congresso entoaram o Hino Nacional. Palavras de ordem como “Deputados, não somos otários, nós é que pagamos seus salários” e “Voto secreto, não. Eu quero ver a cara do ladrão” deram o tom do protesto.

“É claro que o feriado ajudou a mobilizar as pessoas, mas acho que se deve criar uma nova cultura na sociedade brasileira, porque o que acontece no Congresso é reflexo das ações do povo. Se você rouba em casa ou na sua empresa, também está sendo corrupto. O povo permite a corrupção”, afirmou o artista circense Bernardo Ouro Preto, que participou da marcha vestido como o palhaço Bené. O também artista circense Leonardo Leal endossou o colega. “Se existe corrupção, é porque alguém corrompe os políticos. Eles não fazem nada sozinhos. São empresários, lobistas, enfim, todo tipo de gente que ajuda a corrupção. É isso o que tem que mudar também”.

Para uma das organizadoras do evento, Lucianna Kalil, a quantidade de pessoas que se uniram em prol de uma política mais limpa no país surpreendeu. “Ficamos muito felizes com a participação das pessoas, principalmente porque foi um protesto sem violência, sem confronto, sem brigas, como tínhamos proposto”, disse.

Após a parada na Praça dos Três Poderes, os manifestantes retornaram ao Museu Nacional. No entanto, parte do movimento se deslocou para a frente do Congresso. Alguns manifestantes ocuparam o espelho d’água diante de policiais militares que rapidamente formaram um cordão de isolamento, mas não houve nenhum tipo de confronto.

De acordo com os organizadores, não há ainda uma nova manifestação agendada. Mas a ideia é continuar promovendo ações como a de hoje. “Não há resultado em um caso isolado. Pretendemos continuar a organizar mais Marchas contra a Corrupção para criar uma consciência na população”, disse Lucianna. Apesar de ainda não haver nada programado, páginas no Facebook já começam a divulgar o dia 15 de novembro como provável data para nova manifestação.

Aproximadamente 300 manifestações foram convocadas pela internet para este Dia da Independência em todo o Brasil. Alguns deles contavam com milhares de confirmações. Não há uma pauta definida em comum, mas todos pedem o fim do voto secreto e criticam a absolvição de Jaqueline Roriz. Uma parte apoia a “faxina” que a presidenta Dilma Rousseff começou a fazer nos ministérios e defende a criação da CPI da Corrupção, inviabilizada até o momento pela articulação governista no Congresso.

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