Nas revistas: novos documentos fazem renascer denúncias contra aliados de Sérgio Cabral

E podem reabrir investigações sobre as relações entre o governo do Rio de Janeiro e a empreiteira Camargo Corrêa, destaca a revista Época. Veja outros destaques das semanais

Época

Novos documentos fazem renascer denúncias contra aliados de Sérgio Cabral

Era uma terça-feira. Aparentemente, seria mais um dia normal na Camargo Corrêa, um dos maiores grupos empresariais brasileiros, com 58 mil funcionários espalhados pelo país e pelo mundo. Mas aquele 25 de março de 2009 não foi um dia comum. Tinha tudo para ser lembrado como o início de um dos mais rumorosos casos de promiscuidade no Brasil, entre uma empreiteira e partidos políticos.

Naquela manhã, 40 policiais federais varejaram o edifício sede da Camargo Corrêa, em São Paulo, e também casas e escritórios de funcionários e lobistas, suspeitos de operar um esquema de lavagem de dinheiro para a construtora. Na ação, batizada de Castelo de Areia, os policiais apreenderam uma série de documentos que, segundo eles, traziam indícios de transferências de recursos para políticos de diversos matizes, em contas no Brasil e no exterior. Entre os citados na papelada estavam nomes de PMDB, PT, PSDB, PR, DEM, PCdoB, PSB e PP.

A operação que prometia dinamitar gabinetes em todo o país acabou desmontada no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sob a alegação de que a ação da PF se baseara numa denúncia anônima, os ministros do STJ suspenderam o processo e anularam as provas recolhidas pela Polícia Federal.

O Ministério Público Federal discordou da decisão e, em agosto de 2012, recorreu ao Supremo Tribunal Federal. Em dezembro do ano passado, a subprocuradora-geral da República Maria das Mercês Aras, que atuou no caso, recebeu um conjunto de documentos que não integravam o processo original da Castelo de Areia.

Por considerá-los relevantes, ela remeteu os documentos a Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, que representa o Ministério Público no STF. Empossado em setembro, Janot disse a sua equipe que tem interesse especial na Castelo de Areia. Segundo os procuradores envolvidos no caso, tais documentos, a que ÉPOCA teve acesso, podem levar à reabertura da Castelo de Areia. Os mesmos documentos causaram apreensão no grupo próximo ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Em anotações manuscritas e e-mails recolhidos na ação da PF, aparecem anotações que a polícia identifica como referências a Wilson Carlos de Carvalho, secretário estadual de Governo há sete anos e coordenador das últimas quatro campanhas de Cabral, e a Carlos Emanuel Miranda, sócio de Cabral na SCF Comunicação e Participações Ltda. até setembro de 2013, quando a empresa foi extinta. Os dois, segundo a PF, aparecem como beneficiários de pagamentos suspeitos no Brasil e no exterior, relativos à “dívida do Metrô Rio”. Os valores descritos nesses manuscritos e mensagens eletrônicas correspondem exatamente a 5% dos valores pagos pela Opportrans à Camargo Corrêa que constam do contrato publicado no Diário Oficial. As datas também. Em 2010, a Camargo Corrêa foi a principal doadora na reeleição de Cabral, com R$ 1 milhão.
O contrato assinado entre o governo do Estado, Opportrans e Camargo Corrêa estipulou a dívida com a construtora em R$ 40 milhões. Segundo o contrato, ela deveria ser paga em 12 parcelas mensais, a partir de 27 de janeiro de 2008. As duas primeiras parcelas seriam de R$ 3,35 milhões, e as demais dez de R$ 3,33 milhões. Do sétimo mês em diante, o valor sofreria correção monetária. A correspondência é impressionante com tabelas e e-mails apreendidos nos escritórios e residências do ex-vice-presidente e então consultor da Camargo Corrêa, Pietro Bianchi – apontado pela PF como o principal operador do esquema –, e do doleiro Kurt Pickel, acusado de enviar o dinheiro dos beneficiários ao exterior. Ambos foram presos na operação.

A dança que emagrece

Tudo começou com um acidente. O professor de ginástica colombiano Beto Perez esqueceu o CD de músicas que usava para suas aulas de ginástica aeróbica. Colocou então para tocar uma seleção de ritmos caribenhos que ouvia no carro. O entusiasmo dos alunos fez com que ele assumisse o merengue e a salsa como trilha oficial dos treinos. Perez ganhou novos alunos, atraídos pela animação das aulas, moldadas aos ritmos.

Em 2009, registrou a marca zumba fitness, aulas de dança latina adaptadas a movimentos de ginástica, que exercitam capacidade aeróbica e vários grupos musculares. Em pouco tempo, a zumba virou febre em Miami. Chegou ao Brasil em 2012 e foi disseminada no ano passado. Hoje, até mesmo lojas de eletrodomésticos vendem DVD com as coreografias.

Há uma versão da dança para crianças, videogame zumba para os consoles Wii, PlayStation e XBox e produtos como massageadores, maracas e linha de roupas para dançarinos de zumba. Não há academia de ginástica grande que não mantenha a coreografia latina em sua grade de cursos. Em muitas delas, é preciso pegar senha para participar das aulas lotadas.

No último ano, ao mesmo tempo que a zumba explodia dentro das academias brasileiras, outras modalidades de dança foram importadas ou criadas como opção de condicionamento físico. Entre as mais populares estão a walking dance, movimentos de dança feitos em cima de uma esteira; a stiletto dance, que coloca os dançarinos em cima de saltos agulha à moda Beyoncé; e a sh’bam (pronuncia-se xibam), modalidade similar à zumba, que usa o hip-hop e a dance music no lugar de ritmos latinos.

Istoé

Não é segredo o fato de o apóstolo Valdemiro Santiago enfrentar problemas na Justiça por falta de pagamento de aluguéis de diversos templos da sua Igreja Mundial do Poder de Deus. Em outubro passado, em sua edição de número 2293, ISTOÉ esmiuçou as dificuldades financeiras da instituição religiosa. Os casos de inadimplência, porém, foram ofuscados, na semana passada, por uma crise maior. Em janeiro, a Rede Bandeirantes acionou a Mundial cobrando judicialmente uma dívida de R$ 10.156.259,57 pelo não pagamento de mensalidades relativas à cessão de espaço na programação do canal.

Na ação, solicitou o bloqueio de bens da igreja e, um mês e meio depois, obteve uma decisão favorável que impingiu um dos maiores reveses da história do império evangélico de Valdemiro. Entre os dias 20 e 22 deste mês, seis contas bancárias da Mundial foram vasculhadas, para cumprir a ordem do juiz Carlos Eduardo Borges Fantacini, da 26ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e foram bloqueados R$ 2.133.103,80 de duas delas.

A Mundial e a TV Bandeirantes têm relaçõs comerciais desde 2010. Em 1º de janeiro de 2013, acertaram um contrato de quatro anos. Desde então, a igreja deveria pagar R$ 3 milhões mensais para que a emissora divulgasse diariamente, das 4h às 6h50, os programas produzidos pela instituição religiosa. Esse acordo foi cancelado no fim do ano passado, justamente por atrasos contumazes e reincidentes. Na ação, foi alegado falta de pagamento das parcelas de setembro e outubro de 2013 e de parte das de agosto e novembro do mesmo ano.

Pessoas a par do acordo comercial entre o apóstolo e a família Saad, dona da Bandeirantes, contam que a relação entre as partes começou a ruir em 2011. Desde então, os valores em atraso da Mundial chegaram a variar de R$ 12 milhões a R$ 20 milhões. “A igreja atrasava o pagamento, renegociava e pagava com cheques parcelados. E vários cheques voltaram sem fundos, com valores que variavam de R$ 100 mil a R$ 1,5 milhão”, contou uma pessoa com acesso às tratativas. “A emissora fez mais de dez notificações judiciais sobre atrasos e mais de 50 por meio de cartas e e-mails à Mundial. Não era saudável manter a relação.”

Existe amor no Tinder?

O Tinder, aplicativo de paquera para smartphone, está revolucionando a arte de seduzir. A popularidade da ferramenta no País aumentou vertiginosamente desde seu lançamento aqui, em agosto do ano passado. “O Brasil cresceu muito rápido em comparação a outros lugares e se tornou o terceiro maior mercado do Tinder, atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido”, afirma Justin Mateen, cofundador do aplicativo, à ISTOÉ. Hoje, já são dez milhões de brasileiros conectados. E, em uma época tão propícia para encontros casuais como o Carnaval, esse número deve aumentar ainda mais.

A lógica do aplicativo é simples. Uma série de fotos de pretendentes geograficamente próximos começam a ser apresentadas ao usuário. Gostou de alguém? Toque na tecla com o desenho de um coração. Se a pessoa também te achar interessante, dá “match” (palavra em inglês que significa combinação e jogo). A partir daí, o aplicativo abre uma janela de bate-papo. Quando os dois veem que há futuro na conversa, migram para o WhatsApp ou o Facebook. No Tinder aparecem até seis fotos, três linhas de autodescrição, o primeiro nome e a idade.

Simplicidade e superficialidade marcam uma mudança de comportamento quando se trata de paquera virtual. Para a pesquisadora em Antropologia e Cibercultura da Universidade Federal Fluminense (UFF), Márcia Mesquita, o trunfo do Tinder é justamente seu ar informal. “O tom de brincadeira deixa tudo mais leve.

Não há responsabilidade de conhecer o amor da sua vida. Além disso, mais pessoas estão buscando relacionamentos casuais. E ninguém tem vergonha de usar, porque o aplicativo não traz o estigma da solidão dos sites no início da internet”, afirma. Na opnião de Fábio Steibel, professor de Inovações e Novas Tecnologias da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM/Rio), o usuário do app é de uma geração que se relaciona mais livremente com sua sexualidade e usa a tecnologia para se expressar e conhecer gente nova.

Carta Capital

A violência aplaudida

No domingo 13, por volta das 16 horas, uma menina de 7 anos foi baleada dentro de casa, no Morro do Gambá, no bairro de Lins de Vasconcelos, zona norte da cidade. Mais uma vítima do confronto entre polícia e traficantes.

Tanto essa tragédia quanto a violência que se seguiu fazem parte da rotina de insegurança nessas localidades mais pobres. A população quase sempre reage e, mais uma vez, reagiu. Durante a manifestação, uma base avançada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foi atacada e incendiada ao ser atingida por um coquetel molotov.

Há sinais visíveis de que os traficantes se rearticularam. Embora a ocupação das favelas não leve em conta o combate específico à venda de drogas, e sim a conquista do que chamam de “território”, os traficantes retornaram com mais cautela sem perder a agressividade. Nos últimos meses, três UPPs já foram atacadas, provocando algumas baixas na PM.

Em dezembro de 2014, completa cinco anos o início do que foi chamado de “guerra contra o tráfico”. Esse apelido favoreceu as ações. Mesmo as ilegais como, por exemplo, a utilização do Exército e da Marinha sem seguir os rituais previstos na Constituição. A segurança adotou um modelo em execução. Desde então, 37 favelas foram invadidas pelas forças policiais e nelas, instalados os postos de proteção (UPPs). Os cariocas aplaudiram a iniciativa e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, virou celebridade. Chegou a ser chamado de “Rei do Rio”. Evitou a tentação do apelo político. Recusou os convites.

Punição terceirizada

A expressão “vaquinha”, conta o professor Ari Riboldi, nasceu em 1923, quando os torcedores vascaínos, sedentos por bons resultados, resolveram dar incentivo pecuniário aos jogadores. Buscou-se inspiração no jogo do bicho. Uma vitória comum valia a dezena 10 do coelho, ou melhor, 10 mil réis. A vaca, bicho de número 25 (equivalente a 25 mil réis), ficava reservada às grandes conquistas. No futebol, a “vaquinha” acabou substituída pelo “bicho”, pago pelo clube. Mas a “vaquinha” foi para o brejo em desuso e popularizou-se.

No caso do “mensalão” petista, ainda não se sabe da aceitação da “vaquinha” para o fim de ser declarada, pelos pagamentos, extintas as penas criminais de multa. Ao ministro Joaquim Barbosa, juiz natural do processo de execução, caberá decidir, com possibilidade de recurso ao plenário do Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, Roberto Jefferson prepara uma vaquinha a exemplo de José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e José Dirceu. Jefferson, à época presidente do PTB, confessou o recebimento de 4 milhões de reais. Até agora, recusa-se a dizer se embolsou sozinho os milhões ou se repartiu com os então parlamentares e afiliados do partido. O certo é que no PTB apenas Jefferson foi denunciado na Ação Penal 470. Seu silêncio rendeu-lhe a reeleição e a renúncia à presidência da legenda deu-se exclusivamente por motivos de saúde.

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