Nas revistas: qual a saída para Lupi

Istoé ressalta que o tempo do ministro do Trabalho no cargo está acabando. Época mostra as ações da CIA no Brasil e uma foto inédita da presidenta Dilma Rousseff

Istoé

Qual a saída para Lupi

Alvo de uma decisão inédita da Comissão de Ética da Presidência da República, que recomendou ao Palácio do Planalto sua demissão por violação de conduta, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, resistiu mais um tempo no cargo. A duras penas. Convocado pela presidenta Dilma ­Rousseff a explicar as novas denúncias de duplo emprego, Lupi pediu prazo para provar inocência. Mas sua validade está se esgotando. Esperava-se que ele caísse, porém Dilma contrariou as expectativas, surpreendendo a oposição, o PT e outros partidos da base aliada, que não foram poupados em episódios anteriores. Enquanto outros seis ministros tombaram, Lupi ganha sobrevida, embora pesem contra ele acusações graves (leia o quadro). Desde agosto, ISTOÉ vem denunciando a cobrança de propina na Secretaria de Relações do Trabalho para a liberação de cartas sindicais. Agora se sabe que Lupi, acusado de acumular ilegalmente salários da Câmara dos Deputados e do gabinete de um vereador, também recebia como funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro. ISTOÉ teve acesso a seus contracheques, o último deles, inclusive, é de março de 2007 – mês em que assumiu a função de ministro de Estado.

Serra, Serra, serrador

Nas últimas semanas, o tucano José Serra mostrou como está em descompasso com o restante do partido. Na terça-feira 22, despertou a ira do diretório municipal de São Paulo e até de dirigentes nacionais da legenda ao dizer que os quatro pré-candidatos do PSDB à prefeitura paulistana não teriam condições de vencer as eleições de 2012. De quebra, ainda defendeu que a sigla se aliasse e oferecesse a cabeça de chapa ao PSD, de Gilberto Kassab, hipótese que muitos caciques do partido rejeitaram prontamente. Ainda sem rumo, na segunda-feira 28, numa palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ex-governador fez um discurso inflamado criticando a condução econômica do País, justo no momento em que o Brasil vem mostrando vitalidade frente à crise internacional.“O Brasil foi o único país do mundo que não baixou os juros, foi uma coisa fenomenal, não há erro mais espetacular de política econômica”, disse Serra. A análise contraria a posição dos correligionários Aécio Neves, senador mineiro, e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Mais uma vez, ninguém entendeu o destempero verbal de Serra no ninho tucano.

O incidente mais inusitado, no entanto, foi protagonizado no sábado 19, durante a posse do núcleo sindical paulista da legenda, evidenciando ainda mais o isolamento de Serra na sigla. Bastante irritado, ele bateu boca com o presidente da juventude tucana de São Paulo, Paulo Mathias, 20 anos. Queria explicações por ter ficado de fora de uma publicação da entidade, que preferiu não citar o nome de líderes sem mandato na revista. Quando soube, Serra ficou uma fera. Ao seu velho estilo, classificou a publicação como “revistinha” e rompeu com o grupo. A discussão acabou fazendo com que integrantes das juventudes de vários Estados alvejassem o tucano por vários dias nas redes sociais.

Época

As ações da CIA no Brasil

Nos tempos da Guerra Fria, a atuação agressiva dos serviços secretos era um meio de ultrapassar as fronteiras da “cortina de ferro”, expressão usada para designar a divisão do mundo em áreas de influência dos Estados Unidos e da extinta União Soviética. Espiões infiltrados em governos, partidos e grupos armados tiveram participação determinante em muitos fatos históricos daquele período. A aura de mistério em torno dos agentes secretos criou mitos e inspirou o cinema e a literatura policial. Esse ambiente que mistura lendas e segredos de Estado forneceu farto material para denúncias e especulações sobre a influência da Central Intelligence Agency (CIA), o serviço secreto dos Estados Unidos, em acontecimentos relacionados à ditadura militar instalada em 1964.

Os arquivos secretos da Marinha obtidos com exclusividade por ÉPOCA ajudam a entender a nebulosa relação dos governos militares brasileiros com a agência de espionagem americana. Esta segunda reportagem sobre o conteúdo de mais de 2 mil páginas produzidas pelo Centro de Informação da Marinha (Cenimar) torna públicos, pela primeira vez, documentos da ditadura que comprovam o envolvimento direto de agentes da CIA em fatos ocorridos no Brasil antes e depois do golpe de 31 de março. Nos arquivos do Cenimar, a que ÉPOCA teve acesso, aparecem descritos dois casos de aliciamento de militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Partidão”, pela CIA. Um deles, um ano antes da tomada do poder pelos militares, informação que reforça a tese de envolvimento da CIA na preparação do golpe de 1964. Em março de 1963, segundo os documentos, Manoel dos Santos Guerra Júnior, o Guerrinha, militava no PCB quando recebeu a visita de um estrangeiro. De acordo com a versão documentada pelo Cenimar, o desconhecido falava com sotaque e se apresentou como agente da CIA. Sem fazer cerimônias, convidou o dono da casa para trabalhar como informante remunerado da agência americana.

A trajetória de Dilma, da guerrilha ao poder

A fotografia abaixo é inédita. Ela foi tirada em novembro de 1970 e mostra a presidente Dilma Rousseff aos 22 anos. Dilma já passara por 22 dias de tortura e respondia na ocasião a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro. A imagem foi desencavada do processo contra Dilma na Justiça Militar graças ao jornalista Ricardo Batista Amaral e faz parte do livro que relata a trajetória da presidente desde sua juventude, em Belo Horizonte, quando ingressou em organizações da luta armada contra o regime militar, até sua eleição para o Palácio do Planalto, no ano passado. A vida quer é coragem (Editora Primeiro Plano), título tirado de uma citação de Guimarães Rosa escolhida por Dilma para seu discurso de posse, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. O livro é resultado em parte da posição privilegiada da qual Amaral assistiu à disputa presidencial de 2010. Como assessor da Casa Civil e da campanha de Dilma, ele testemunhou bastidores só agora relatados com a experiência de quem foi repórter político por 25 anos em Brasília, parte deles como jornalista e colunista de ÉPOCA. “Procurei fazer um relato objetivo dos fatos, como se espera de uma reportagem, sem abrir mão de explicitar meu ponto de vista”, diz Amaral. ÉPOCA publica, a seguir, alguns trechos do livro, em que os leitores podem saborear a excelência do texto de Amaral.

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