Nas revistas: “Não me sinto obrigado a disputar um segundo mandato”, diz Aécio

Época e Veja trouxeram entrevistas com o presidenciável tucano. Já Istoé levanta a possibilidade de a corrupção na Petrobras ter beneficiado a campanha de Dilma em 2010

Época

Aécio Neves: "Não me sinto obrigado a disputar um segundo mandato"

Pela primeira vez, desde a redemocratização, um candidato à Presidência da República termina o primeiro turno em segundo lugar e entra, numericamente, na dianteira da segunda fase da campanha. O autor da façanha é o candidato do PSDB, o senador Aécio Neves. No primeiro turno, a dez dias da votação, ele deu uma arrancada que tirou da disputa a ex-senadora Marina Silva (PSB). Nas pesquisas, Marina aparecia 10 pontos à frente de Aécio. Terminou, nas urnas, com 12% a menos de votos que ele. Aécio sabe agora que repetir a proeza no segundo turno exigirá superar obstáculos. “Farei uma campanha propositiva, mas obviamente enfrentarei todo tipo de calúnia, difamação, injúria, prática corriqueira do PT”, diz.

“Não me sinto obrigado, se vencer a eleição, a disputar um segundo mandato”, diz. “Temos de construir é a coincidência dos mandatos. Isso só será possível a partir dos próximos candidatos que vierem a ser eleitos no novo sistema. É isso que proporei ao Congresso. Mas nada impede que eu possa fazer um gesto adiante”, diz ele, abrindo a possibilidade de não se candidatar à reeleição.

O que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef revelaram à Justiça

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef – os dois delatores mais famosos do Brasil – começaram a entregar um dos mais vastos, ricos e poderosos esquemas de corrupção já descobertos no país. Nos últimos meses, as provas reunidas pelos investigadores da Operação Lava Jato já revelavam fortes indícios da existência de uma organização criminosa, atuando a mando de patronos políticos do Brasil, nas obras mais caras da maior empresa do país.

Paulo Roberto disse que, na raiz do esquema, está a mesma prática que levou o país ao trauma do mensalão: o aparelhamento político da máquina pública. A Petrobras, como maior empresa do Brasil, era o principal objeto do desejo do enxame de políticos que acossam o Planalto.

Segundo os dois delatores, o então diretor de Serviços, Renato Duque, indicado pelo PT e capitaneado pelo tesoureiro informal do partido, João Vaccari, era cúmplice no esquema. Youssef afirmou ter estado duas vezes com Vaccari para “tratar de Petrobras”. Disse, ainda, que cada partido tinha seus operadores e meios de repasse de dinheiro. Respeitavam-se os espaços, para não haver brigas, como a que expôs o mensalão.

Istoé

Campanha da Dilma sob suspeita

As declarações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do doleiro Alberto Youssef descrevem uma gigantesca rede de corrupção formada por dirigentes da Petrobras, empreiteiras e partidos políticos integrantes da base de sustentação do governo Dilma Rousseff. As revelações são estarrecedoras. A corrupção estatal poucas vezes foi exposta de maneira tão crua e direta narrada abertamente por seus executores a serviço do Estado. Nos áudios, os depoentes apontam PT, PMDB e PP como as legendas beneficiadas pelo propinoduto e colocam sob suspeição a campanha de 2010 da presidenta Dilma Rousseff.

A farra da base aliada na estatal se iniciou, de fato, em 2007, quando a Petrobras direcionou o orçamento para grandes projetos, como a construção de refinarias. Mas a idealização e a montagem da rede de corrupção remetem a 2004, com a nomeação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento. Na cúpula da estatal, ele teve grande importância na ampliação do poder do cartel das empreiteiras e na geração de mais divisas para a ala de políticos da quadrilha.

Dinheiro voador

No início da noite da terça-feira 7, o turboélice King Air prefixo PR-PEG que havia partido de Belo Horizonte alcançou a cabeceira do aeroporto internacional de Brasília. Ao abordar a aeronave, a Polícia Federal encontrou R$ 116 mil em cédulas de R$ 100 e R$ 50 distribuídos em sacolas e mochilas. Três passageiros foram detidos: o empresário Benedito Oliveira Neto, o Bené, conhecido operador do PT mineiro, o segurança Pedro Medeiros e o jornalista Marcier Trombiere, ex-assessor do Ministério das Cidades, indicado pelo PP. Em depoimentos marcados por lacunas e contradições, alegaram que o dinheiro seria pagamento por serviços à campanha de Fernando Pimentel, eleito governador de Minas Gerais. Mas não apresentaram qualquer recibo ou nota fiscal. A PF abriu inquérito para apurar o caso. Os elementos colhidos até agora indicam que quase nada do que disseram os três ocupantes da aeronave é verdade. E levantam a suspeita de que os valores seriam sobra de caixa 2 destinados à campanha de Dilma Rousseff.

Muito longe das jornadas de junho

As eleições deste ano encerraram o último capítulo de um enredo iniciado a partir das manifestações que levaram milhares de pessoas às principais avenidas do País, em junho de 2013. O desfecho, no entanto, passou ao largo dos ecos das ruas. Durante as jornadas de junho, se convencionou que a população bradava contra os partidos, a polarização e um sistema político que estimulava o toma lá dá cá por verbas e cargos na administração pública. O alvo da ira dos manifestantes foi tudo o que as urnas chancelaram neste primeiro turno. As eleições presidenciais levaram para o segundo turno os dois partidos hegemônicos da política nacional nos últimos 20 anos, PT e PSDB.

Veja

“Vou ganhar esta eleição”

Tido como derrotado até meados de setembro, o senador Aécio Neves afirma que, mesmo nos momentos mais desanimadores, nunca desistiu. Ele atribui sua chegada ao segundo turno à decisão de abandonar os conselhos de marqueteiros e assessores: “Se hoje avancei, não foi porque mudei a estratégia ou incorporei outras propostas, mas porque comecei a olhar nos olhos das pessoas, deixando de lado o teleprompter, os textos feitos e as sugestões”. Ele acusa o PT de “terrorismo eleitoral”, reafirma que vai manter e aprimorar o Bolsa Família e se permite ser otimista: “Vou ganhar esta eleição”. Abaixo, a entrevista que ele concedeu a VEJA na manhã de sexta, em seu comitê no Rio de Janeiro.

Como o senhor se sente, à frente nas pesquisas, depois de ter chegado a ser considerado uma carta fora do baralho?
As pesquisas não vão me tirar do chão. Sei que vamos ter dificuldades lá na frente. Sempre acreditei na vitória, mesmo nos momentos de maior dificuldade. Nós tivemos duas eleições. Uma antes e a outra depois da trágica morte do Eduardo Campos. Naquele momento, minha candidatura se fragilizou, porque o emocional prevaleceu sobre o racional. Minha candidatura é baseada na razão. O meu desafio agora é deixar a emoção aflorar também.

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