MST ocupa Ministério da Fazenda e pede a saída de Levy

Sem-terra protestam contra o corte de quase 50% no orçamento para a reforma agrária, em função do ajuste fiscal. Unidades do ministério em pelo menos oito estados também são ocupadas pelo movimento, que cobra mais recursos para assentamentos

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocupam a sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, e pelo menos outras oito unidades da pasta no país em protesto contra o corte de recursos para o programa de reforma agrária. Devido ao ajuste fiscal, os R$ 3,5 bilhões previstos inicialmente para a reforma agrária foram cortados praticamente à metade. Segundo o MST, a redução do orçamento para R$ 1,8 bilhão inviabiliza o cumprimento da meta anunciada pelo governo federal no início do ano de assentar 120 mil famílias sem-terra acampadas em todo o Brasil.

Os manifestantes começaram a ocupar a sede do ministério em Brasília às 5h20 desta segunda-feira. Eles chegaram com bandeiras do MST e faixas pedindo urgência na reforma agrária e a saída do ministro Joaquim Levy. "Viemos aqui criticar e nos mobilizar contra a política econômica do governo de uma maneira geral, que tem atingido, através do reajuste fiscal, os trabalhadores e trabalhadoras e também o orçamento, no que diz respeito à reforma agrária", disse Kelli Mafort, da coordenação nacional do MST.

Funcionários do ministério foram impedidos de entrar no prédio e, do lado de fora, manifestantes montaram um acampamento com barracas. Segundo a coordenação do movimento, cerca de 2 mil pessoas de diferentes partes do país estão no local. Já a Polícia Militar estima o número de pessoas em 700. Também foram ocupadas unidades do Ministério da Fazenda no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Tocantins, Paraíba e Bahia.

Atualmente, cerca de 100 mil famílias ligadas ao MST aguardam a reforma agrária em acampamentos em todo país. "Temos hoje, no Ministério do Desenvolvimento Agrário, R$ 1,8 bilhão para a reforma agrária. Esse número é irrisório diante da necessidade", criticou Kelli Mafort.

Os manifestantes afirmam que ficarão no local até que haja uma sinalização por parte do governo. "É muito mais uma questão central do governo para, de fato, mexer na política econômica para que isso atinja também a política de reforma agrária, do que simplesmente uma negociação com o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] ou o Ministério do Desenvolvimento Agrário", ressaltou Kelli. Ela conta que foram feitas reuniões anteriormente, mas que as negociações não resultarem em conquistas concretas. Até o momento, o Ministério da Fazenda não se manifestou sobre a ocupação.

Com informações da Agência Brasil

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