Ministro nega irregularidades em liberação de verbas para rodovias

Paulo Sérgio Passos convocou entrevista coletiva neste sábado para responder sobre a denúncia de que teria liberado R$ 78 milhões em créditos para empresas que contribuíram para o caixa de campanha do PR

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, negou neste sábado (16) a existência de irregularidades na liberação de verbas para três obras em rodovias federais. De acordo com reportagem publicada na edição desta semana da revista Istoé, o titular da pasta liberou R$ 78 milhões em créditos suplementares para empreendimentos que constavam da lista de irregularidades graves do Tribunal de Contas da União (TCU). As empresas beneficiadas, diz a reportagem, contribuíram com R$ 5 milhões para o PR, partido ao qual Passos é filiado.

“É preciso esclarecer que ainda que o Ministério dos Transportes tivesse feito suplementação de obra, seja por decreto, seja por projeto de lei, o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal bloqueia que se emprenhe e se pague algo com impedimento do Tribunal de Contas da União (TCU)”, disse o ministro, em entrevista coletiva realizada no fim da manhã de hoje. Ele afirmou que não tinha conhecimento sobre o fato de as empresas terem doado para as campanhas do PR.

De acordo com a semanal, a campeã em doações foi a construtora Sanches Tripoloni, que repassou nada menos que R$ 2,5 milhões para o partido que controla os Transportes. Desse total, R$ 500 mil caíram diretamente na conta do comitê de Blairo Maggi, eleito senador por Mato Grosso e cotado para a pasta. Maggi foi beneficiado duplamente, pois Sinval Barbosa (PMDB), seu candidato ao governo de Mato Grosso, recebeu da mesma empreiteira mais R$ 1,2 milhão.

As obras sob suspeita, segundo Istoé, são a BR-317, que liga no trecho compreendido entre a divisa do Amazonas e Acre, de cerca de 100 km; a BR-265 em Minas Gerais, do trecho Ilicínia e São Sebastião do Paraíso, de 159 km; e a BR-101, em trecho de 26 km, dentro do Rio de Janeiro, ligando Santa Cruz a Mangaratiba. "Não há nenhuma restrição por parte do TCU [Tribunal de Contas da União]; a alocação foi feita apara atender a necessidade das obras, a primeira etapa foi concluída e eu inaugurei”, disse

Na entrevista coletiva, o ministro disse que a determinação da presidenta Dilma Rousseff para fazer os ajustes dentro da pasta é "clara". Existia a expectativa que ele anunciasse mudanças dentro do Ministério dos Transportes, em especial no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Isso acabou não acontecendo. Ele não quis antecipar qual será o destino do diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que está de férias.

“Tenho clara a determinação da presidenta de fazer ajustes e promover a demissão de quem tenha comprovadamente conduta inadequada daquela de um servidor público”, afirmou. O ministro, que assumiu o cargo em definitivo na última quarta-feira (13), disse também que não vê a necessidade de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias envolvendo o Ministério dos Transportes.

Ontem (15), o ministro Paulo Sérgio Passos decidiu afastar temporariamente o diretor executivo do Dnit, José Henrique Sadok, que estava respondendo interinamente pela diretoria-geral do órgão, em substituição a Pagot. O afastamento ocorreu após denúncias publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo de que a construtora da mulher de Sadok tem contratos que somam pelo menos R$ 18 milhões para obras em rodovias federais entre 2006 e 2011, todas vinculadas a convênios com o Dnit.

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Com informações da Agência Brasil

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