Militar preso com cocaína pode levar ministro ao Congresso

Marina Barbosa

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, pode ter que ir ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre a prisão do militar que carregava drogas em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). A convocação foi sugerida pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Weverton (PDT-MA), que apresentaram um requerimento para cobrar explicações do governo.

"Acredito que sua excelência tem alguns esclarecimentos a prestar sobre esse gravíssimo evento que envolve uma aeronave que estava a serviço da presidência", argumentou o senador Randolfe Rodrigues, que, junto a Weverton, apresentou o requerimento durante a sessão desta quarta-feira (26) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Na ocasião, ele lembrou que o militar, cuja identidade ainda não foi revelada, foi preso na terça-feira (25) na Espanha com 39 quilos de pasta base de cocaína na aeronave que conferiu a segurança da rota aérea seguida pelo presidente Jair Bolsonaro na viagem ao Japão. "Considero esse tema da maior gravidade porque, além do surrealismo, envolve a imagem do Brasil no exterior", destacou o senador.

Segundo a assessoria da presidente da CCJ do Senado, a deputada Simone Tebet (MDB-MS), o requerimento protocolado nesta quarta já deve ser apresentado para apreciação da comissão na próxima semana. Mesmo assim, ainda não se sabe quando o ministro pode ser convocado.

Câmara

Na Câmara dos Deputados, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) também cobrou explicações sobre o assunto. "Eu exijo que o governo explique isso, que explique porque mudou o plano de voo do Bolsonaro e explique a trajetória profissional desse sargento. Precisamos saber se ele acompanhou todas as viagens do Bolsonaro e quais eram suas relações", disse o petista, que classificou como um um escândalo "o governo dizer que havia droga nas universidades, enquanto a droga estava no avião presidencial".

Em pronunciamento no plenário, o deputado Marcelo Nilo (PSB-BA) reforçou as críticas. Ele disse que a situação passou dos limites e envergonha o Brasil. "É muito grave. Todo o mundo está falando disso. O que vão pensar do nosso país?", questionou Nilo, pedindo que a Casa se levante contra o fato. "Jamais imaginamos que seria encontrada cocaína no avião do presidente", afirmou.

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