Miami, Paris e NY são os destinos preferidos nos voos internacionais; veja a lista


Parlamentares e pessoas que usaram a cota de passagens dos deputados que mais voaram ao exterior têm os Estados Unidos como destino preferido.


Como mostrou o Congresso em Foco na manhã desta segunda-feira (20), a cota de 18 parlamentares foi usada pelo menos 20 vezes para voar ao exterior. Os passageiros eram os próprios deputados ou terceiros.


Neste universo, os destinos mais procurados são os EUA, com 126 voos, mais da metade das 244 viagens registradas. Há 93 voos para Miami, na Flórida, a primeira cidade no ranking, e 33 para Nova Iorque, a terceira cidade mais visitada.


Em segundo lugar, está a capital da França, Paris, com 44 voos. No conjunto, a Europa é o destino mais procurado. São 79 viagens (32% do total), com destaque também para Milão, na Itália, e Madri, na Espanha.


Voos para os países da América do Sul estão em baixa entre os passageiros usuários das cotas parlamentares. As 39 viagens para Buenos Aires, Santiago e Montevidéu representam apenas 16% do total.


Veja a tabela com os destinos

Veja a tabela completa com o nome dos passageiros

Falcatrua

Entre os deputados cuja cota foi mais utilizada para voos internacionais, o deputado Eugênio Rabelo (PR-CE) promete providências. Isso porque ele não foi o passageiro de nenhuma das 24 viagens que saíram da sua verba. E também não reconhece nenhuma delas.


“Ele não deu essas viagens para ninguém e não viajou. Nós vamos investigar quem repassou esses vôos e vamos tomar as providências cabíveis, como demissão ou queixa à polícia”, anunciou a assessoria de Rabelo.


“Nunca ouvi falar isso aí. Então tem falcatrua aí. Preciso descobrir quem fez isso”, comentou a a chefe de gabinete do deputado, Margareth Andrade, que começou a levantar informações com as empresas aéreas.

Créditos ficam em agência


O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) reconheceu apenas seis dos 29 bilhetes emitidos por meio de sua cota. São as passagens que o levaram, sua esposa, Regina, e sua mãe Josephina, até Miami, nos Estados Unidos. Ele disse que não vê problema na emissão das passagens e disse que esteve em Miami para acompanhar o nascimento de seu neto. A filha do deputado vive na cidade americana. A viagem dos três aconteceu em dezembro de 2007.
 
Assessoria do deputado não reconheceu os outros passageiros, mas admitiu que ele deixou créditos em uma agência de viagem em troca de passagens mais baratas para o trecho usado rotineiramente – a rota São Paulo–Brasília.


Com 22 voos internacionais, o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) informou ter pedido um levantamento às companhias TAM e GOL de todas as passagens emitidas em seu nome entre fevereiro de 2007 e dezembro de 2008, a fim de se certificar de quais foram os trechos percorridos. Para justificar a emissão de tantos bilhetes internacionais em seu nome, ele diz considerar a hipótese de que “auxiliares” que “tomam conta” das passagens possam ter “desvirtuado” o uso das cotas.
 
“Deve ter algo errado nisso aí”, disse o deputado, pedindo à reportagem que aguardasse até quarta-feira (22) para ter uma posição definitiva sobre a questão.


Em viagem à região de Irecê (BA), para participar de debates sobre o uso do biocombustível, João Carlos diz que os parlamentares “sofrem muito” para exercer mandato, e que as cotas de passagens, bem como a verba indenizatória, são mesmo necessárias para percorrer longas distâncias nos estados de origem.
 
Sem broche


O deputado disse ainda que entrou na política por questões “ideológicas”, e não para “enriquecer ou se locupletar”, e reclamou da generalização negativa dos parlamentares por parte da mídia. “Você não pode generalizar. Um mau exemplo não pode contaminar 513 [deputados]. Há parlamentares bons, que estão trabalhando e não podem ser postos em vala comum”, desabafou, acrescentando que, ao embarcar em aviões, deputados se sentem obrigados a retirar o broche de identificação, temendo reações do cidadão comum.
 
Desde ontem (19), o Congresso em Foco tenta contato com os 18 parlamentares citados, por telefone e correio eletrônico. Mas a maioria deles não deu retorno aos pedidos de informação ou não foram localizados, porque, segundo seus assessores, estão no interior dos estados de origem.

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