Maia quer informações de propina a Jaqueline Roriz

Mário Coelho


O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), vai pedir informações ao Ministério Público Federal (MPF) sobre a situação da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Segundo a assessoria do petista, a partir do retorno dos promotores, é que ele saber que medidas são possíveis tomar contra a parlamentar. Nesta sexta-feira (4), o portal do jornal O Estado de S. Paulo divulgou vídeo onde a deputada aparece recebendo dinheiro de Durval Barbosa, operador do mensalão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM).


O vídeo mostra Jaqueline e seu marido, Manoel Neto, recebendo e colocando um maço de R$ 50 mil numa mochila. A gravação foi feita em 2006, quando a hoje deputada federal concorreu a deputada distrital. Na época, Durval, que entregou a quantia, era presidente da Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal (Codeplan). Nas imagens, Manoel Neto reclama que o valor estava abaixo do combinado. "Rapaz, não é fácil ser candidato. Resolve isso para mim, cara!", disse Neto.


Veja o vídeo divulgado pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo:




Por conta da divulgação do vídeo, o líder do Psol na Câmara, Chico Alencar (RJ), adiantou que pedirá à Mesa Diretora o afastamento de Jaqueline Roriz da Comissão Especial da Reforma Política. Para o deputado, existem indícios ?robustos e documentais? de que a parlamentar brasiliense praticou uma irregularidade que inviabiliza sua participação na comissão. ?A deputada perdeu as credenciais para verbalizar propostas enquanto não provar que as acusações são infundadas?, afirmou, segundo a Agência Câmara.


Ex-delegado da Polícia Civil do DF, Durval Barbosa se tornou o pivô do esquema de propina envolvendo membros do Executivo e do Legislativo locais que ficou conhecido como mensalão do Arruda. Ao fornecer vídeos e conceder depoimentos ao MPF, abalou a capital da República. Em 27 de novembro de 2009, a Polícia Federal realizou a Operação Caixa de Pandora, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência oficial do então governador Arruda, gabinetes de secretários de Estado e de deputados distritais.


O caso ainda está em investigação. Até o momento, nenhum dos indiciados foi julgado. Por conta do mensalão, Arruda saiu do DEM e acabou perdendo o mandato acusado de infidelidade partidária. O vice, Paulo Octávio (DEM), renunciou ao cargo. Dois distritais, Junior Brunelli e Leonardo Prudente, também abandonaram os mandatos para evitar a cassação. Já a distrital Eurides Brito (PMDB), enfrentou o processo na Câmara Legislativa e perdeu o mandato.

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