Magistrados acusam advogados de manobrar para tirar Moro da Lava Jato

Associação dos Magistrados Brasileiros considera "inadmissível" iniciativa do Sindicato dos Advogados de São Paulo de representar no Conselho Nacional de Justiça contra juiz que preside a Operação Lava Jato

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) classificou como “inadmissível” a iniciativa do Sindicato dos Advogados de São Paulo de pedir a abertura de processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Sérgio Moro, que preside a Operação Lava Jato na Justiça Federal. Segundo a entidade, a medida é uma tentativa de cerceamento à autonomia da magistratura e de impedir Moro de continuar à frente da Lava Jato.

“Para a AMB, o CNJ não pode ser encarado como uma instância recursal ou como caminho para cercear a autonomia da magistratura. Tal medida evidencia mais uma forma de intimidação dos juízes em suas atividades estritamente jurisdicionais e indica possível tentativa de impedimento à atuação do juiz que está à frente das investigações da Lava Jato”, sustenta a nota assinada pelo presidente da associação, João Ricardo Costa.

A pedido de Roberto Teixeira, um dos defensores do ex-presidente Lula, o Sindicato dos Advogados de São Paulo decidiu ontem entrar com pedido de processo no Conselho Nacional de Justiça contra Sérgio Moro. Os advogados querem que o CNJ apure infrações que, segundo Teixeira, foram cometidas contra ele.

O presidente do sindicato, Admir de Assis, diz que Sérgio Moro constrangeu a atuação do advogado ao insinuar que Teixeira forjou a escritura do sítio de Atibaia (SP), alvo de investigação da Lava Jato. Na representação, a entidade vai questionar também a manifestação do juiz por meio de nota à imprensa para justificar a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na semana passada.

Leia a íntegra da nota da AMB:

"A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) considera inadmissível a iniciativa do Sindicato dos Advogados de São Paulo em protocolar pedido de processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Sérgio Moro, que preside a Operação Lava Jato.Para a AMB, o CNJ não pode ser encarado como uma instância recursal ou como caminho para cercear a autonomia da magistratura. Tal medida evidencia mais uma forma de intimidação dos juízes em suas atividades estritamente jurisdicionais e indica possível tentativa de impedimento à atuação do juiz que está à frente das investigações da Lava Jato.

A magistratura brasileira reafirma a sua confiança nas instituições, sobretudo no Poder Judiciário, e reitera que não se furtará diante de ações e manobras que venham a tentar paralisar o trabalho dos juízes no combate à corrupção.

João Ricardo Costa
Presidente da AMB"

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