Lula pede paz e critica oposição em discurso em SP

Ex-presidente disse que aceitou ministério para ajudar a presidente Dilma Rousseff. Secretaria de Segurança estima em 80 mil os participantes, enquanto CUT calcula 250 mil manifestantes

O ex-presidente Lula, que teve a posse como ministro da Casa Civil suspensa pela terceira vez nesta sexta-feira (18), afirmou em discurso durante manifestação pró-governo em São Paulo que a oposição não aceitou o resultado das eleições. Por isso, na visão de Lula, os oposicionistas atrapalham o governo.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, participaram da manifestação 80 mil pessoas. Número diferente de um dos organizadores do evento, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). A CUT diz que estiveram presentes 250 mil manifestantes.

"Eles que se dizem pessoas estudadas não aceitaram o resultado e faz um ano e três meses que estão atrapalhando Dilma a governar esse país", disse Lula em discurso na Avenida Paulista. "Eles vestem amarelo e verde pra dizer que são mais brasileiros do que nós", completou o ex-presidente.

Lula chegou a dizer que os integrantes da oposição são o "tipo de pessoa que gostariam de ir a Miami" para fazer compras. "Se a gente não conseguir convencer as pessoas a mudarem de ideia, a gente tem que convencer que a democracia é acatar a maioria do voto do povo brasileiro", disparou.

Ministério

Ele disse que aceitou o convite para assumir a Casa Civil para ajudar Dilma a governar. No entanto, ainda é uma incógnita quando ele poderá assumir em definitivo o cargo. Nesta sexta-feira, após o governo conseguir derrubar uma segunda liminar, a Justiça Federal em São Paulo decidiu suspender os efeitos da posse.

"Terça-feira, se não houver impedimento, eu estarei orgulhosamente servindo a minha presidenta Dilma, porque estarei servindo o povo brasileiro, o trabalhador brasileiro", disse. São ao menos 22 ações na Justiça Federal e outras 12 no Supremo Tribunal Federal (STF) que o governo precisará derrubar para Lula assumir o cargo de fato.

Paz

Durante seu discurso, Lula defendeu as manifestações feitas pela oposição, mas condenou a violência. "Protestem, não tem problema. Eu nasci na vida protestando. Eu nasci na vida atacando. Não na violência, como eles", discursou. "A gente tem que restabelecer a paz, a esperança e provar que este país é maior do que qualquer crise", disse.

"Quem quiser ficar com raiva que morda o próprio dedo", disse Lula, que pediu para os apoiadores do governo não caírem em provocações. "Não os tratem como inimigos", completou.

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