Lula nega arrependimento por indicação de Barbosa para o STF

"Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros", disse Lula, citando o mensalão tucano

O ex-presidente Lula negou nesta terça-feira (8) ter se arrependido pela indicação de Joaquim Barbosa para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), atual presidente da Corte e relator da ação penal do mensalão do PT. “Não me arrependo porque na época [em 2003] não havia o mensalão. Não o indiquei para julgar o mensalão. Eu o indiquei porque eu queria um negro no STF. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Eu acho que a Suprema Corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Eu não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns [ministros] inclusive mentiram descaradamente", declarou Lula, em entrevista a blogueiros realizada no instituto Lula, em São Paulo (SP). Segundo ele, o currículo de Barbosa era o melhor.

"Eu só quero que a verdade venha à tona. A história do mensalão vai ser recontada nesse país e, se eu puder, eu vou ajudar a recontá-la. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em 513 deputados não tenham achado um que tenha recebido mensalidade. Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos Correios terminou no mensalão? Eu acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa”, disse Lula.

O julgamento do mensalão culminou na prisão de lideranças do PT: José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), José Genoino (ex-deputado e ex-presidente do partido), João Paulo Cunha (ex-deputado que presidiu a Câmara dos Deputados) e Delúbio Soares (ex-tesoureiro da sigla).

Lula afirmou ainda que “o massacre [no caso do mensalão do PT] foi apoteótico”. “Eu não vi essa gritaria no caso de Minas [mensalão tucano]. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Eu acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave, eu acho que ele deveria estar em prisão domiciliar”. Dirceu está preso em regime semiaberto, em Brasília, desde novembro do ano passado, mas ainda não obteve utorização da Justiça para trabalhar fora do presídio durante o dia.

O ex-presidente comparou o tratamento dado à ação penal envolvendo petistas e aliados ao processo conhecido como "mensalão tucano", que tem como réu o ex-deputado pelo PSDB, Eduardo Azeredo. Em março, o STF decidiu encaminhar o caso do mensalão tucano para a primeira instância, em Minas Gerais, adiando assim o desfecho, o que evita desgaste eleitoral do pré-candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves.

Economia

Lula afirmou que prefere a criação de empregos, ainda que inflação esteja alta. "O país não está crescendo ao ritmo de 5% ao ano, mas faz 11 anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo? A inflação era de 80% ao mês. Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo [Maílson da Nóbrega] reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, eu gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que sejam criados empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação. Hoje dizem que falta mão de obra qualificada. Que ótimo, porque 20 anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros. A imprensa não sabe o que está acontecendo no país. O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20. Poderíamos estar melhor”.

Saúde

Questionado sobre problemas na área da saúde, Lula elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS). “Sem recursos, não é possível dar saúde de qualidade. Saúde custa caro. É preciso pagar melhor os médicos. Governo não tem dinheiro de sobra. O SUS é motivo de orgulho desse país. Poucos países têm um sistema de saúde pública como o SUS. Mas só se noticia sobre quem morreu. Todo mundo sabe que há muita carência. Tentei criar imposto só para a saúde, mas foi barrado”.

Reforma política

Lula defendeu a criação de uma assembleia constituinte exclusiva para reforma política."O Congresso, que é o retrato do que é a sociedade brasileira no dia da eleição, não fará e não tem condições de fazer [reforma política], seria contrariar sua natureza. Reforma política é a mais importante de todas".  Ele defendeu também o financiamento público de campanhas e cláusula de barreira para a criação de partidos.

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