Líder do DEM pede inquérito contra presidente da CUT por incitação ao crime

Caiado pede à PF que reforce a segurança de manifestantes, no próximo domingo, após declaração de Vagner Freitas de que pegaria “em armas” para defender a presidente. Senador também quer investigação de sindicalista

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), vai acionar a Polícia Federal para pedir o reforço da segurança dos manifestantes nos protestos marcados para este domingo (16). Os ofícios serão encaminhados com base nas declarações do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, de que a entidade defenderia Dilma, com “armas na mão”, dos defensores de seu impeachment. Caiado também anunciou que vai pedir a abertura de inquérito contra o sindicalista por incitação ao crime e à violação da ordem pública.

"Essa declaração do presidente da CUT é um atentado grave contra o Estado. O que mais impressiona é a presidente da República permitir isso dentro do Palácio do Planalto, sede do Executivo brasileiro. Dilma, no mínimo, deveria ter repreendido esse sujeito que ameaça a população e ter dado voz de prisão", afirmou o senador.

Segundo ele, os documentos serão encaminhados ao Ministério da Justiça, para que a Polícia Federal observe a segurança dos manifestantes, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como forma de garantir a “proteção ao Estado Democrático de Direito”.

Em solenidade realizada ontem (13) no Palácio do Planalto, Vagner Freitas deu “um recado aos golpistas” e disse que, se os adversários da presidente insistirem na tese do impeachment, um “exército” armado irá às ruas para defendê-la.

A frase foi dita em discurso no evento “Diálogo com Movimentos Sociais”, parte da estratégia que o governo põe em curso para recuperar a popularidade de Dilma e se contrapor às manifestações de domingo.

“Recado para os golpistas: nós somos trabalhadores, trabalhamos pela democracia. O que se vende é a intolerância, o preconceito de classe contra nós. Somos defensores da unidade nacional. Isso implica ir para as ruas entrincheirados, de armas na mão, se deitar [na rua] e lutar, se tentarem tirar a presidente”, disse Vagner, diante de cerca de 1,2 mil pessoas de diversas entidades sindicais. “Nós teremos o exército que vamos enfrentar essa burguesia”, acrescentou o presidente da CUT.

Mal interpretado

As manifestações previstas para este domingo ocorrem na esteira da mais recente pesquisa Datafolha, divulgada em 6 de agosto, que mostra que a rejeição a Dilma (71%) é a maior desde a reabertura democrática, em 1985. Os números negativos superam até mesmo o do ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor (PTB-AL), que foi cassado e, ainda assim, bateu Dilma em três pontos percentuais.

O governo não comentou a declaração do presidente da CUT. Após a repercussão de sua fala, Vagner Freitas disse que foi mal interpretado e que apenas utilizou um “jargão” do meio sindical ao falar sobre armas. “Essa minha declaração, ela foi apenas uma figura de linguagem. É a arma da construção da democracia. É a arma do debate das ideias, nunca de nenhum tipo de violência física, nada bélico”, afirmou o presidente da maior central sindical do país em entrevista à TV Globo.

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