Lava Jato: PF indicia o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada

Sucessor de Nestor Cerveró na estatal, Zelada foi indiciado por corrupção passiva, lavagem de capitais e evasão de divisas. Preso em Curitiba, ele transferiu € 11 milhões para Mônaco e US$ 1 milhão para a China sem declarar às autoridades brasileiras, segundo os investigadores

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e evasão de divisas. Caberá agora ao Ministério Público Federal analisar o relatório da PF, concluído ontem (31), e decidir se pede à Justiça a abertura de ação criminal contra o ex-diretor da estatal, preso na 15ª fase da Operação Lava Jato.

A PF suspeita que Zelada, que sucedeu Nestor Cerveró na estatal entre 2008 e 2012, recebeu propina em troca da liberação de contratos de exploração e produção e de navio sonda. De acordo com os investigadores, o ex-executivo da Petrobras transferiu, sem declarar às autoridades brasileiras, € 11 milhões para Mônaco e US$ 1 milhão para a China. Em março, a Lava Jato conseguiu bloquear € 10 milhões mantidos por Zelada no paraíso fiscal europeu.

Zelada foi apontado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, e pelo ex-gerente Pedro Barusco como um dos beneficiários do esquema do petrolão. Paulo Roberto está preso em regime domiciliar e colabora com as investigações em troca da promessa de redução da pena. Barusco também fez acordo de delação premiada.

Por orientação de seu advogado, Jorge Zelada preferiu ficar em silêncio em seu depoimento à PF. O ex-diretor está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele não esclareceu a origem do dinheiro transferido sem declaração ao exterior. A movimentação financeira feita por ele é considerada incompatível com seus rendimentos. Quando comandava a área internacional da Petrobras, o executivo recebia cerca de R$ 100 mil por mês de salário.

Pelos mesmos crimes atribuídos ao ex-diretor foram indiciados Raul Schmidt Felippe Júnior e João Augusto Rezende Henriques. Outros três investigados – Hamylton Pinheiro Padilha, Paul Alfred Bragg e Hsin Chi Su – tiveram indiciamento por corrupção ativa.

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