Jornais: presidenciáveis não dizem como vão bancar propostas

Planos de governo têm 'reciclagem' de medidas bem-sucedidas e pouca inovação, segundo a "Folha de S. Paulo". Dilma se apoia em feitos passados e Aécio promete aperfeiçoar programas de governos petistas

Folha de S. Paulo

Presidenciáveis não dizem como vão bancar propostas

Com muitas generalidades e alguns pontos em comum, os programas de governo dos três principais candidatos à Presidência da República na eleição deste ano não esclarecem o principal: de onde virá o dinheiro para implementar suas agendas, sobretudo em um cenário de crescimento medíocre como o atual.

Um exame dos planos de governo de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que há pouca inovação e boa dose de continuísmo nas propostas dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

De novidade, a presidente Dilma propõe pouco. Ao contrário, apoia-se fortemente nas realizações dos dois mandatos de Lula e de um seu para pleitear mais quatro anos e evitar “retrocessos”. Na média, sob Dilma o Brasil terá crescido à metade do ritmo dos dois governos de Lula.

Programas do PT adotados por Lula e Dilma também ganham destaque nos planos de Aécio Neves. O tucano cita nominalmente e ainda promete aperfeiçoar nada menos do que quatro deles: ProUni, Ciência sem Fronteiras, Mais Médicos e Minha Casa, Minha Vida.

O programa do terceiro mais bem colocado, Eduardo Campos, é o mais genérico. É forte a influência da vice, Marina Silva, na carta de intenções do PSB. Mas o resultado de promessas e “eixos programáticos” com viés “verde” é que sua agenda se torna bastante inespecífica.

Estados devem R$ 30 bi em serviços e obras

Os governos estaduais terão, neste ano eleitoral, um desafio a mais para fechar as suas contas: um volume recorde de “fiado”, o maior desde o início do atual mandato.

Levantamento da Folha mostra que os 27 governadores têm quase R$ 30 bilhões a pagar em serviços e obras que foram realizados em anos anteriores, mas cujo pagamento ficou para este ano.

Esse montante é chamado de “restos a pagar”. É uma espécie de pendura oficial, um instrumento comum na contabilidade pública, já que as despesas passam por várias etapas até o pagamento.

O problema é que, se a conta da “caderneta” for grande, pode ser um fardo –especialmente em ano eleitoral, que tem mais restrições fiscais do que outros anos de gestão.

Para ajudar Padilha, PT quer reabilitar Haddad

Numa tentativa de reabilitar a gestão do prefeito Fernando Haddad, o PT planeja promover a administração do petista na campanha da sigla à sucessão do governo de São Paulo.

Aprovado por apenas 17% da população paulistana (segundo o Datafolha), o prefeito é apontado por petistas como um dos obstáculos para o crescimento da candidatura de Alexandre Padilha, atualmente estacionado em 3% das intenções de voto.

A principal estratégia da campanha será reforçar a ligação de Padilha com o ex-presidente Lula e com a presidente Dilma Rousseff. Cresce, porém, a defesa para que a propaganda eleitoral dele na TV explore iniciativas da Prefeitura de São Paulo.

 

O Estado de S. Paulo

Dilma evita exposição, mas volta a ser hostilizada pela torcida no Maracanã

Em carta, petista fala em ‘melhorar’ o futebol

Copa não tem a ver com voto, afirma oposição

Programas de candidatos ao governo de São Paulo tratam crise hídrica com superficialidade

 

O Globo

De olho na reeleição, Planalto agora quer virar a página da Copa

Aliados da presidente Dilma Rousseff querem sepultar o tema Copa do Mundo — e também a derrota da seleção — para evitar que o mau humor dos brasileiros contamine seu desempenho na corrida pela reeleição. A solidariedade da presidente com os jogadores encerrou-se na carta que ela enviou ou grupo ontem, e não há nenhuma intenção de recebê-lo no Palácio do Planalto. Quem acompanhou a presidente ao Maracanã ontem disse que Dilma não se deixou abalar pelas vaias que ouviu no estádio. Segundo fontes próximos a ela, a presidente deixou o local tranquila apesar de ter sido hostilizada mais uma vez, repetindo cenário visto no Itaquerão, na abertura do Mundial.

Segundo o deputado José Guimarães (CE), ex-líder do PT na Câmara, se alguém tentar culpar Dilma pelo mau resultado da seleção, dará um tiro no pé. Para ele, Dilma chamou para si a responsabilidade de organizar a melhor Copa da História e não pode ser responsabilizada pela derrota do Brasil.

— O fato de a seleção ter sido humilhada é responsabilidade unicamente dos jogadores e do Felipão. Não tivemos uma seleção à altura do que o governo realizou fora dos campos — afirmou ele. — A solidariedade que a presidente Dilma teve da população anula qualquer efeito de vaia. Apostaram no caos, e não teve isso. A Copa acaba hoje (ontem), e o assunto também. Vamos virar a página e começar a campanha imediatamente. Amanhã, mãos à obra, militância nas ruas para ganharmos a eleição.

Ministros já têm papéis estratégicos na busca pela reeleição de Dilma

A linha que separa compromissos de governo de eventos de campanha é tênue. E não é só a presidente Dilma Rousseff que terá de andar sobre esta corda bamba nos próximos três meses. Seus auxiliares mais próximos também o farão. No Palácio do Planalto, quatro ministros vão se equilibrar para cumprir suas tarefas sem resvalar para a agenda eleitoral. Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, praticamente não fará viagens. Ficará em Brasília, atuando como uma espécie de síndico do governo.

Além de coordenar os programas setoriais junto aos demais ministérios, Mercadante fará a defesa do governo sempre que este for atacado de forma contundente, como já fez no dia seguinte ao lançamento da candidatura do tucano Aécio Neves, que disse que um tsunami varreria o PT do poder. Quando houver acusações específicas a uma área do governo, Mercadante orientará o ministro da pasta sobre como responder.

Outro que não terá função operacional na campanha, mas será consultado sobre os caminhos que ela deverá tomar, é o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. Petista tarimbado, ele tem grande trânsito dentro da legenda e mantém forte interlocução com sindicatos e com a ala jovem do partido, especialmente em São Paulo, sua base eleitoral e estado em que Dilma enfrenta a rejeição de quase metade da população, segundo a última pesquisa do Datafolha.

Já o ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação Social, terá de trocar figurinhas o tempo todo com a turma da comunicação da campanha (Franklin e João Santana) para delimitar qual é o espaço de cada um. Para se ter uma ideia do quanto a linha que separa a presidente da candidata é sutil, confusões já começaram a acontecer.

Campanha de Dilma pagará despesas de quem voar com ela

O comitê de campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição pagará as despesas dos ministros e de seus assessores diretos para que eles a acompanhem em viagens do governo que, depois, virarão atos de campanha pelo país afora. Desde a campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, o PT adotou como hábito pagar a conta do presidente-candidato. Busca não sofrer críticas e acusações de ter usado dinheiro e estrutura públicos para ganhar a eleição. Este ano, no entanto, a decisão de estender a regra aos ministros foi um pedido da presidente Dilma, acatado pela coordenação jurídica da campanha.

No entendimento da coordenação da campanha, é difícil definir onde termina a agenda do ministro e onde começa a agenda do militante. Ao garantir o pagamento de todas as despesas dos ministros que acompanharão Dilma ou o ex-presidente Lula nos eventos de campanha, o comitê do PT estima que o ressarcimento feito à União ao fim da disputa eleitoral aumentará muito em comparação às eleições de 2006 e de 2010.

 

Valor Econômico

Ex-ministro pode deixar comitê da reeleição

A coordenação da campanha da presidente Dilma Rousseff atravessa uma crise interna, resultado da sobreposição de comando, e se vê ameaçada de perder um de seus principais integrantes, o ex-ministro da Secretaria da Comunicação Social Franklin Martins. O comitê tem reunião prevista para hoje, em Brasília.

Apagão de lideranças faz eleição no DF orbitar em torno de fichas sujas

Decisão judicial tomada no dia 9 tornou o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR), que quer retornar ao cargo, candidato “ficha suja”. Por enquanto, ele continua na disputa, à qual vinha liderando, segundo pesquisas de intenção de voto. Mas a candidatura está ameaçada e sua eventual saída da competição alterará o processo eleitoral do DF. Arruda é o principal adversário do governador Agnelo Queiroz (PT) que tenta a reeleição e tem alta taxa de rejeição.

No Senado, 47% disputarão cargos

O esforço concentrado para apreciação de uma série de pendências no Senado, agendado para esta semana – serão 20 proposições analisadas em três dias de plenário, entre vetos, propostas de emenda constitucional (PEC) e projetos de lei – será uma das últimas oportunidades antes das eleições para se notar um movimento intenso de parlamentares no Salão Azul. Após as duas semanas de recesso parlamentar, que se inicia no dia 17, a grande maioria dos senadores embarca na corrida eleitoral e, em que pese o funcionamento formal do Congresso e recebimento regular de salários, não reservarão grande espaço em suas agendas para os trabalhos da Casa.

Walfrido assume campanha de Dilma em Minas

O empresário mineiro e ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva Walfrido Mares dos Guia está de volta ao papel que desempenha em disputas eleitorais desde os anos 90: o de coordenar campanhas em Minas Gerais. Sua tarefa este ano é comandar a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no Estado. Walfrido está numa posição peculiar. Ele é amigo de Dilma e de Lula; se diz amigo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), principal candidato da oposição; e até dois meses atrás era companheiro de partido de Eduardo Campos (PSB), outro postulante ao cargo, a quem vê também como amigo e como um dos jovens políticos mais promissores do país.

 

Correio Braziliense

Debate sobre o Mundial deve se concentrar na reforma do esporte

A Copa da Fifa deixa os gramados para entrar na eleição. A ordem entre os oposicionistas agora, passado o Mundial, é lembrar que os problemas brasileiros ficaram amortecidos, daí, as vaias à presidente Dilma Rousseff ontem no Maracanã. Da parte do governo, entretanto, a estratégia é ressaltar o sucesso da “Copa das Copas”, que conquistou os estrangeiros e deixou ao país não só uma boa imagem perante o mundo, como também uma série de obras, tentando assim minimizar as hostilidades à presidente na abertura e no encerramento do evento.

Ontem, Dilma e seus principais assessores, com a colaboração da Fifa, fizeram tudo o que estava ao alcance para evitar desgastes. A presidente, por sua vez, chegou em cima da hora do jogo, perdendo todo o início da festa de encerramento. A justificativa oficial foi a de que ela saiu tarde do Palácio Guanabara, mas o atraso evitou uma exposição presidencial antes do jogo, como ocorreu no Itaquerão durante a abertura.

Da parte da Fifa, o empurrãozinho para evitar o desgaste presidencial se deu em dois momentos. O primeiro foi fechar a cerimônia de passagem da bola ao comandante do próximo país anfitrião do Mundial, Vladimir Putin, da Rússia. Ali, todos puderam discursar longe dos olhos dos torcedores. Ao desejar sorte para os russos, Dilma tratou mais uma vez de separar a sucesso do Brasil nos gramados da organização da Copa: “Nós, brasileiros, guardaremos a emoção e satisfação de ter realizado um evento muito bem-sucedido, uma Copa que só não foi perfeita porque o hexa-campeonato não veio”, disse.

 

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