Jornais: decisão sobre jogos de Cachoeira se arrasta no STF

Segundo o jornal O Globo, ação iniciada no Ministério Público de Goiás tramita desde 2005 no Supremo tentando anular lei daquele estado que autoriza a exploração de loterias instantâneas

O GLOBO

Decisão sobre jogos de Cachoeira se arrasta no Supremo
Uma ação iniciada pelo Ministério Público de Goiás tramita desde 2005 no Supremo Tribunal Federal (STF) tentando anular lei daquele estado que autoriza a exploração de loterias instantâneas. Naquele ano, chegou ao ministro Cezar Peluso, que, como relator escolhido para o caso, deixou o processo parado por cinco anos, até que ele foi redistribuído e caiu nas mãos do ministro Gilmar Mendes – que mandou arquivar a ação do MP.

Sem entrar no mérito sobre a validade ou não da legislação estadual, Gilmar tomou a decisão com base em falhas processuais. A lei e o decreto que regulamentou essa norma foram assinados, em 2000, pelo então governador Marconi Perillo (PSDB), eleito para novo mandato em 2010. A legislação abria brecha para que o governo contratasse empresa para explorar até mesmo caça-níqueis, segundo promotores. A principal beneficiada seria a empresa Gerplan, que pertencia ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Apesar da lei aprovada e do decreto assinado, Marconi Perillo não levou adiante a exploração das loterias instantâneas. O governo de Goiás argumenta que não pôs a norma em prática por recomendação dos próprios promotores, que advertiam sobre a existência de brecha na lei para a exploração de caça-níqueis. Ainda assim, o processo judicial se arrasta até hoje, e, agora, a Advocacia Geral da União (AGU) pede ao ministro Gilmar Mendes que reconsidere a decisão.

(...)

O governo de Goiás assegura que não há exploração da loteria instantânea, apesar do arquivamento da ação do MP.A assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal informou que o ministro Gilmar Mendes terá que decidir sobre o caso, por isso, não pode se pronunciar fora dos autos. A AGU também se limitou a confirmar que atua no caso e que defende os argumentos presentes na ação.

Vital do Rêgo não aceita assumir Conselho de Ética
O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) não aceitou ser presidente do Conselho de Ética, que tem reunião marcada para o início da tarde desta terça-feira. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai tentar outro nome da bancada, já que o cargo é da cota do partido. O PT ofereceu o nome do senador Wellington Dias (PI). Calheiros se reuniu nesta segunda-feira com Rêgo e com o presidente do Senado, José Sarney, para conversar sobre a presidência do Conselho de Ética da Casa. Sarney assegurou que a indicação será feita nesta terça-feira.

- Temos que resolver até amanhã. O desejo de todos é realmente de realizarmos a reunião do Conselho – disse José Sarney, após a reunião. Após a reunião, realizada pela manhã, Rêgo informou que aguardava resposta da Secretaria-Geral da Mesa e da Advocacia-Geral do Senado sobre a possibilidade de acumular a função com a de presidente do Conselho de Ética.

- Confesso que fui pego de surpresa com o convite. Ao analisar o Regimento Interno, vi uma possível incompatibilidade. O corregedor, por vezes, tem que provocar o Conselho de Ética, apresentando denúncias. Porém, é o próprio presidente do Conselho que tem que julgar. Como um juiz poder julgar irregularidades apontadas por ele mesmo? – indagou.

Cardozo diz que escutas da PF no caso Cachoeira não são ilegais
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta segunda-feira que as escutas telefônicas colhidas pela Polícia Federal para a Operação Monte Carlo não são ilegais. Na semana passada, o ministro garantiu que o vazamento de gravações não partiu da Polícia Federal.

O advogado do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) vai contestar no Supremo Tribunal Federal (STF) a legalidade das gravações de conversas entre o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e o parlamentar. Para o advogado do senador, Antonio Carlos de Almeira Castro, conhecido como Kakay, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal em Goiás deveriam ter pedido autorização ao Supremo para fazer as gravações telefônicas da Operação Monte Carlo porque Demóstenes Torres tem foro privilegiado por ser senador da República.

De acordo com Cardozo, a Polícia Federal seguiu a ordem da Justiça para gravar as conversas. - Ninguém nunca investigou objetivamente os parlamentares. Estava-se investigando o empresário Carlinhos Cachoeira, agora, se parlamentares conversam com ele, o problema é outro - disse. De acordo com o ministro, o foro privilegiado deve ser entendido como uma garantia e não serve para fazer com que pessoas que cometam atos ilícitos sejam acobertadas. - A Polícia Federal fez o seu papel, agora cabe ao Judiciário decidir – afirmou

Goiás deve ter CPI para investigar envolvimento com contravenção
Falta apenas uma assinatura para que a Assembleia Legislativa de Goiás instale uma Comisão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o envolvimento das autoridades políticas do estado com o crime e a contravenção. O requerimento, feito na semana passada pelo deputado petista Luis Cesar Bueno, já conta com 13 assinaturas das 14 necessárias. Ele acredita que nesta terça-feira conseguirá a última assinatura.

- Goiás está no centro de um megaescândalo nacional e esperamos que os deputados da base apoiem esta CPI. As autoridades que deveriam proteger a população estavam protegendo a contravenção e a jogatina. A segurança pública do estado de Goiás precisa ser investigada - diz Bueno.

Nos últimos doze meses a violência no estado aumentou demais e, de acordo com o deputado, o fato de as investigações da Polícia Federal (PF) indicarem que pelo menos 89 políticos e autoridades goianas estão envolvidas com a contravenção pode ser uma prova de que uma coisa está ligada a outra.

PT agora fala em CPI para apurar elo entre bicheiro e parlamentares
Com o argumento de que o Supremo Tribunal Federal negou o acesso de senadores ao inquérito que investiga o envolvimento de parlamentares com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), iniciou nesta segunda-feira movimento para criar uma CPI sobre o assunto no Senado. Mas, como já há na Câmara um requerimento com assinaturas suficientes para iniciar investigação semelhante, crescem as chances de uma CPI mista.

A decisão do PT de apoiar a CPI do Cachoeira foi tomada em reunião do presidente do partido, Rui Falcão, com líderes e ministros petistas, semana passada. Partidos governistas e de oposição, que têm integrantes investigados por suposto envolvimento com a quadrilha do bicheiro e não se entusiasmam com a ideia de CPI, acusam os petistas de pretenderem, com essa investigação, pôr “todo mundo na vala comum da corrupção”, justamente no ano de julgamento do mensalão, um processo em que o PT é o alvo principal.

- Pedimos à Procuradoria Geral da República acesso ao inquérito, e fomos informados que só uma CPI poderia ter acesso a essas informações. Então, vamos criar a CPI. O Conselho de Ética só vai apurar se houve quebra de decoro por parte de Demóstenes. E o resto? Precisamos investigar - disse Walter Pinheiro.

Senado exonera advogado que trabalhava em gabinete
O advogado Admar Gonzaga Neto, que atuava como assessor do gabinete da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), foi exonerado de sua função, de acordo com portaria publicada no “Diário Oficial da União” desta segunda-feira. Gonzaga era servidor do Senado, porém é titular de um consolidado escritório de advocacia, com intensa atuação fora do Legislativo.

Levantamento realizado pelo GLOBO com base no Quadro de Servidores Efetivos e Comissionados apontou, no começo de março, que dos 81 senadores, pelo menos 25 (30%) abrigavam em seus escritórios em Brasília ou nos estados desde estudantes que moram fora do Brasil, até médicos e advogados que passam o dia entre clínicas e tribunais. Também foram revelados casos de aliados que enfrentam denúncias do Ministério Público ou até mesmo foram cassados por compra de votos.

Em março, o gabinete da senadora informou que não existia incompatibilidade entre as duas funções. Argumentou que o profissional se adequava as atividades de seu escritório às atribuições do cargo que exercia no gabinete. Gonzaga era um entre tantos advogados respaldados pela resolução que libera do ponto parte dos servidores do Legislativo, a critério do parlamentar. Segundo o quadro de remuneração do Senado, o salário do advogado era de R$ 4.084.

PSD: Gurgel dá parecer contrário sobre Fundo Partidário e TV
O recém-criado PSD, do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, acaba de sofrer seu segundo revés. O Procurador-Geral Roberto Gurgel emitiu nesta segunda-feira um parecer defendendo que o partido não tenha direito à parcela do fundo partidário e de tempo na propaganda eleitoral gratuita proporcionais ao tamanho da bancada.

Na opinião do procurador, por não ter disputado a última eleição, a legenda deve ser equiparada aos partidos que não elegeram parlamentares.Caso a Justiça acate o voto de Gurgel, o PSD - que arregimentou 47 deputados para seus quadros - terá direito apenas a uma verba mínima e poucos segundo de televisão, como os partidos nanicos.

Na opinião de Gurgel, "a representação, para efeito do direito pleiteado, é aquela decorrente da disputa eleitoral, da qual haja o partido político participado regularmente". Caso a tese saia vencedora, o PSD só poderá ter mais recursos do fundo e mais tempo de televisão após disputar as eleições parlamentares de 2014, quando passaria a ter direitos proporcionais ao tamanho da bancada que conquistasse. A primeira derrota do PSD foi uma decisão liminar do Supremo determinando que o partido não teria direito à presidência de comissões permanentes na Câmara.

Dilma nos EUA: do ‘cara’ à ‘minha grande amiga’
A falta de resultados retumbantes no encontro bilateral em termos de acordos comerciais e de investimentos foi compensada pelos rasgados elogios feitos pelo presidente dos EUA, Barack Obama, à presidente Dilma Rousseff. Autor do célebre “esse é o cara”, dirigindo-se ao ex-presidente Lula, Obama adotou um tom mais íntimo e carinhoso com Dilma, a quem chamou de “minha grande amiga”, e se disse “sortudo” por dialogar com uma “líder capaz”.

— Para mim, é uma grande satisfação dar as boas-vindas a minha amiga, grande amiga, a presidente Dilma Rousseff. E quero aproveitar para ressaltar o extraordinário progresso que o Brasil vem fazendo, sob a liderança de Dilma e do ex-presidente Lula, depois de se mover da ditadura para a democracia, de alcançar um expressivo crescimento econômico, tirando milhões de pessoas da pobreza, tornando (o Brasil) um líder incontestável não só na região, mas no mundo inteiro — afirmou Obama.

O presidente americano elogiou a liderança de Dilma na politica de incentivo a ciência, educação e desenvolvimento tecnológico. E creditou muito do “extraordinário progresso” nas relações entre os dois países ao trabalho da presidente: — A boa notícia e que a relação entre Brasil e EUA nunca foi tão forte. Ainda há um progresso a fazer, mas me sinto muito sortudo de ter (como interlocutora) neste processo uma líder tão capaz, com tanta visão.

Ela, após crítica enfática à política monetária dos EUA, retribuiu o gesto. Celebrou a recuperação da atividade econômica dos EUA nos últimos meses e, indiretamente, acabou torcendo pela reeleição de Obama, cujo mandato termina em janeiro.

ANP informa vazamento da Petrobras a 500m do Campo do Frade
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tomou conhecimento, na noite de domingo, dia 8, do vazamento de gotículas de óleo a partir do solo marinho do Campo de Roncador, operado pela Petrobras.

Roncador é vizinho do Campo de Frade, operado pela Chevron, onde ocorreu o vazamento em novembro e, depois, em março. Este é o sétimo vazamento da petrolífera brasileira no ano.O ponto do vazamento no Campo do Roncador foi localizado a partir de inspeções submarinas com ROVs (Remotely Operated Vehicles), estando situado a cerca de 500 metros da fronteira com o Campo de Frade. Até o momento, não há identificação de mancha na superfície do mar.

Importação de gasolina sobe para R$ 1,7 bilhão, aumento de 7.715%
Nos primeiros três meses deste ano, a Petrobras gastou US$ 958 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com a importação de gasolina. O valor é 7.715% maior que no mesmo período de 2011, de acordo com cálculos feitos por Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). — É importante destacar que as importações de gasolina em 2011 começaram a ganhar força em abril. Por isso, a elevação é tão grande na comparação com o primeiro trimestre de 2011 — disse Adriano, que usou um câmbio de R$ 1,7692.

Como a alta da cotação do barril do petróleo no mercado internacional, a estatal já perdeu US$ 151,2 milhões (R$ 267,5 milhões) no primeiro trimestre com a importação, já que o preço do combustível está congelado. — A Petrobras importa gasolina pois não tem capacidade de refino. Isso só vai mudar após as refinarias Abreu e Lima e Comperj ficarem prontas. — afirma o advogado Claudio Pinho. Para a Petrobras, a compra de gasolina no exterior pode chegar a 80 mil barris/dia — 33,3% a mais que em 2011.

FOLHA DE S.PAULO

Ex-senador é indiciado por suspeita de usurpar função pública
O ex-senador Gilvam Borges (PMDB) foi indiciado nesta segunda-feira (9) pela Polícia Civil do Amapá sob suspeita de usurpação de função pública. Adversário político da família do atual governador, Camilo Capiberibe (PSB), Borges comanda desde janeiro um chamado "governo paralelo" no Amapá, que vem realizando obras como casas e acessos rodoviários.

Antes do indiciamento, o ex-senador foi ouvido pelo delegado Leandro Totino, titular do Núcleo de Operações e Inteligência da Polícia Civil do Amapá. Segundo a Polícia Civil, Borges não respondeu nenhuma das perguntas feitas pelo delegado. O político havia sido intimado a comparecer na delegacia na semana passada, quando o Ministério Público do Amapá pediu à polícia que investigasse as ações do chamado "governo paralelo".

Segundo a polícia, a pena por usurpação de função pública varia de três meses a dois anos de prisão e inclui multa. O inquérito agora vai seguir para o Ministério Publico, que deverá decidir se oferece denúncia à Justiça, pede mais apurações à polícia ou mesmo o arquivamento do inquérito.

Procurado pela reportagem, Borges classificou o indiciamento como "tentativa de coerção". "Não tenho orçamento, poder de polícia. O governo paralelo funciona como uma ONG, uma associação civil. Não faço nada antes de informar o governo eleito. Como posso estar usurpando função pública?", disse Borges.

Comissão do Senado propõe legalizar casa de prostituição
Proposta da comissão do Senado de reforma do Código Penal prevê o fim de punições para donos de prostíbulos. A ideia dos especialistas em direito que compõem a comissão é acabar com o que chamam de "cinismo" moral da atual legislação. Na prática, dizem eles, a proibição dos prostíbulos só serve para que policiais corruptos possam extorquir os donos dessas casas.

"O Código deixará de ser o paladino da moral dos anos 40. A proibição não faz mais sentido", afirma o procurador Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, relator-geral da comissão, cujo objetivo é preparar um anteprojeto para ser submetido aos parlamentares. Pela legislação em vigor, quem mantém casas de prostituição está sujeito a pena de reclusão de 2 a 5 anos mais multa. Já a prostituição em si não é criminalizada, tampouco é regulamentada no país.

Se aprovada no Congresso, a mudança abrirá caminho para a regulamentação da profissão. Isso porque será possível estabelecer vínculos trabalhistas entre o empregado do prostíbulo e o empregador, como já ocorre em países como Alemanha e Holanda.

Demóstenes aposta no STF para esfriar caso e evitar cassação
O senador Demóstenes Torres (sem partido) planeja esperar que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise o pedido de anulação dos indícios contra ele nas investigações da PF para só então discutir uma eventual renúncia. A defesa de Demóstenes afirma que vai entrar hoje com um pedido para que seja anulado o poder de prova das gravações que o ligam a Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal.

O senador alega que, por ter foro privilegiado no STF, não poderia ter sido monitorado sem o aval da corte. Juridicamente, avalia o senador, uma renúncia a esta altura levaria o seu caso para o Tribunal de Justiça de Goiás, onde tem foro como procurador de Justiça. Lá, corre o risco de ter sua prisão pedida, o que hoje ele descarta no âmbito da Procuradoria-Geral da República.

"Se conseguirmos trancar as provas, este inquérito estará morto", diz o advogado do senador, Antônio Carlos de Almeida Castro. Já o Ministério Público alegará que as provas são legítimas porque o senador apareceu fortuitamente nas conversas.

Demóstenes tem dito a aliados que também não vê motivos para abrir mão do mandato agora pois a Lei da Ficha Limpa torna inelegível por oito anos quem deixa o cargo para escapar de cassação. No seu caso, o PSOL já protocolou uma representação no Conselho de Ética. O senador avalia que hoje suas chances de absolvição no conselho são remotas, mas aposta no tempo para negociar uma salvação. O regimento do Senado dá pouco mais de 60 dias úteis para a conclusão de um processo.

Ex-ministro pede soltura de Cachoeira
O advogado Márcio Thomaz Bastos, que defende o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – preso desde 29 de fevereiro –, pediu ontem habeas corpus no STJ. O caso está com a ministra Laurita Vaz. O Tribunal Regional Federal já havia negado habeas corpus ao empresário.

Nova direção do Dnit mantém contratos e reajusta seus valores
O general do Exército chamado para pôr ordem no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) resolveu manter os contratos de todas as obras administradas pela repartição, o que deverá provocar reajustes em seus valores. Empossado como diretor-geral do Dnit há seis meses, o general Jorge Fraxe diz ter feito isso para evitar custos maiores que o país teria com a paralisação das obras se os contratos da administração anterior fossem cancelados.

Fraxe chegou ao Dnit em setembro, em meio à crise que provocou a demissão do então ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), do antecessor de Fraxe, Luiz Antonio Pagot, e dezenas de funcionários acusados de corrupção. O Dnit administra atualmente 101 obras em rodovias. Segundo Fraxe, seus antecessores fizeram contratos com base em projetos "de qualidade duvidosa" e por isso serão necessárias mudanças para garantir que as obras previstas sejam executadas.

Ex-diretor-geral do órgão diz que mudança é uma 'imbecilidade'
O ex-diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot classificou como "imbecilidade" a decisão da nova direção do órgão de só contratar obras depois da definição de um projeto executivo completo. "Se não tem bom projeto básico não tem bom projeto executivo, que é um detalhamento. Não vejo problema em começar a obra com o básico, se ela tem boa fiscalização e gerenciamento adequado", afirmou o ex-diretor do órgão.

Segundo Pagot, as mudanças introduzidas nos projetos, depois de feito o projeto básico, não significam mau uso dos recursos. Segundo ele, mudanças são necessárias para melhorar o projeto. Pagot negou paralisia no órgão durante sua gestão e disse que problemas como a falta de pessoal não impediram que obras fossem feitas.

"Nós pagávamos R$ 1 bilhão por mês. No PAC 1 o Dnit teve o melhor desempenho da Esplanada, reconhecido pelo presidente Lula. Isso me basta", afirmou. "Não será com revanchismo e discriminação que as obras vão sair. Hoje todo mundo lá tem pavor de assinar um documento."

Partido de Kassab sofre revés na Justiça
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu parecer contrário ao pedido do PSD de receber, já a partir deste ano, uma maior fatia dos recursos públicos destinados aos partidos políticos. A sigla criada em 2011 pelo prefeito Gilberto Kassab quer ter direito a verbas do Fundo Partidário proporcionais aos votos recebidos nas eleições de 2010 pelos políticos de sua atual bancada.

De acordo com o parecer enviado por Gurgel ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os votos obtidos por seus filiados devem, porém, ser computados aos partidos dos quais eles faziam parte em 2010, quando foram eleitos. "A despeito de constituir a terceira maior bancada [da Câmara], com 52 deputados federais, o Partido Social Democrático, criado somente em 27/9/2011, ainda não se submeteu ao teste das urnas, não participou das últimas eleições", diz o parecer.

Por aliança, Haddad diz ter dado mais verbas ao PSB
Num esforço para romper o isolamento e fechar sua primeira aliança, o pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, aumentou o assédio ao PSB. Ele foi ontem a um seminário da Juventude Socialista e exaltou os governadores Cid Gomes (Ceará) e Eduardo Campos (Pernambuco), com quem disse ter mantido uma relação "muito intensa" como ministro da Educação.

"Se vocês olharem os convênios [do MEC], verão uma forte presença nos governos do PSB", afirmou o pré-candidato. "Eu diria até mais do PSB que do PT." Em seguida, Haddad disse que o volume de repasses se deveu à iniciativa dos governadores, "antenados com o futuro", e não a um privilégio concedido pelo ministério. "Sou um socialista e estou filiado a um partido trabalhista", gracejou. "A verdade é que PT e PSB têm tudo a ver."

Manuela lidera em Porto Alegre
Pré-candidata do PC do B à prefeitura, Manuela D'Ávila aparece com 37%, contra 28% do prefeito José Fortunati (PDT). A atual gestão é aprovada por 72%. A pesquisa ouviu 602 eleitores de 29 de março a 1º de abril e está registrada no TRE-RS com o número 06/2012. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.

EUA terão dois novos consulados em 2014
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou ontem a reabertura de dois consulados no Brasil. As unidades, hoje fechadas, serão reabertas em Belo Horizonte e Porto Alegre. Além da embaixada em Brasília, os EUA têm hoje consulados em São Paulo, Rio e Recife. Os dois consulados só devem começar a funcionar em 2014, informou o Departamento de Estado à Folha.

De acordo com a chefe da diplomacia americana, os EUA "trabalham arduamente" para atender à demanda por vistos no Brasil e na China, lugares onde a procura excede a capacidade de processamento das autoridades. "Estamos tentando facilitar a emissão dos vistos e as viagens [...] e continuar a promover o contato entre as pessoas dos dois países", disse Hillary. Os EUA também anunciaram investimento de US$ 40 milhões na reforma da embaixada e dos consulados já existentes no Brasil.

Desde janeiro, a Casa Branca anunciou uma série de ações para facilitar a concessão de vistos para turistas e empresários brasileiros. Entre as medidas está a possibilidade de que brasileiros "de baixo risco" sejam dispensados da entrevista ao renovar a permissão de entrada.

Facebook compra Instagram por US$ 1 bi
Quase uma semana após ter lançado uma versão para Android e ser acusado de "orkutização", o aplicativo Instagram foi comprado pelo Facebook. Antes rodava em aparelhos da Apple. "Eu estou animado em dividir com você que nós concordamos em adquirir o Instagram e seu talentoso time vai se juntar ao Facebook", anunciou ontem o diretor-executivo Mark Zuckerberg, em seu perfil na rede social.

O Instagram é um aplicativo de filtros para fotos, fundado em 2010 pelo brasileiro Mike Krieger e o americano Kevin Systrom. Também possibilita compartilhar fotos em um perfil, formando uma rede social com cerca de 30 milhões de usuários. O Facebook tem mais de 850 milhões e pretende chegar a 1 bilhão de usuários neste ano.

O valor do negócio foi de US$ 1 bilhão – valor mais alto já pago por um aplicativo – em dinheiro e participação no Facebook que fará seu IPO (oferta pública de ações, em inglês) em maio, na Nasdaq. Podendo levantar até US$ 5 bilhões, essa é a oferta pública mais aguardada desde o IPO do Google, em 2004. O Facebook pode ir a US$ 100 bilhões em valor de mercado.

O ESTADO DE S. PAULO

Márcio Thomaz Bastos pede ao STJ libertação de Cachoeira
A defesa do empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pediu nesta segunda-feira, 9, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determine a sua libertação. Preso em fevereiro durante a operação Monte Carlo, Cachoeira está atualmente no presídio federal de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Advogado do empresário, o ex-ministro da Justiça no governo Lula Márcio Thomaz Bastos protocolou um pedido de habeas corpus no STJ. Cachoeira é investigado por suspeita de comandar uma rede de jogos ilegais com máquinas caça-níqueis no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará.

A defesa do empresário já tentou outras vezes libertá-lo da prisão, mas até agora não obteve sucesso. Em março, o Tribunal Regional Federal (TRF) rejeitou um pedido de soltura de Cachoeira. O Ministério Público Federal posicionou-se contra o requerimento argumentando que a prisão era necessária para garantir a ordem pública. O Ministério Público também alegou que a suposta exploração de jogos ilegais teria ocorrido de forma contínua ao longo de mais de uma década.

STF nega ao Senado informações sobre inquérito de Cachoeira
O Supremo Tribunal Federal (STF) comunicou nesta segunda-feira, 9, ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) que não poderá dar acesso a pontos do inquérito da Operação Monte Carlo, que trata do envolvimento de parlamentares no esquema comandado pelo empresário de jogos de azar, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por se tratar de assunto sigiloso, protegido por lei. A informação é do corregedor-geral do Senado, Vital do Rego (PMDB-PR), que se reuniu nesta segunda com Sarney e o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros, para tratar da indicação do presidente do Conselho de Ética. Caberá ao conselho avaliar a abertura de processo contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), um dos suspeitos de envolvimento com Cachoeira.

PT recolherá assinaturas para CPI do Cachoeira
O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse nesta segunda-feira, 9, à Agência Estado que o partido vai começar a recolher nesta terça, 10, assinaturas para propor a criação de uma CPI para investigar as relações do empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A decisão dos petistas ocorre depois que o corregedor da Casa, Vital do Rêgo (PMDB-PB), foi informado de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não enviará os autos da operação porque a investigação está sob segredo de Justiça.

Pinheiro afirmou que o PT estava "segurando" a CPI para esperar o recebimento do inquérito no STF. Ele e outros senadores pediram, por intermédio do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acesso às investigações para subsidiar a Corregedoria e o Conselho de Ética. Mas o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, informou Vital que não poderia repassar o material ao Senado.

"Vamos propor a criação de uma CPI", disse Pinheiro. Ele ressaltou que ainda não conversou com outros líderes da Casa sobre se vão aderir à coleta de assinaturas ou sobre se a comissão parlamentar será mista, de deputados e senadores. Na Câmara, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) já apresentou no mês passado mais do que as 171 assinaturas necessárias para criar por lá uma comissão parlamentar para investigar as relações do contraventor. No Senado, para se abrir uma CPI, é preciso obter pelo menos 27 apoios.

Gurgel dá parecer contrário à concessão de fundo partidário para o PSD
O procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, emitiu nesta segunda-feira, 9, parecer contrário à concessão e recursos do Fundo Partidário ao recém-criado PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. No parecer, Gurgel diz: "Quanto à pretensão de ser contemplado na partilha, de forma proporcional, dos 95% do total do Fundo Partidário, o pleito não pode ser atendido. A despeito de constituir a terceira maior bancada, com 52 deputados federais, o Partido Social Democrático, criado somente em 27/09/2011, ainda não se submeteu ao teste das urnas, não participou das últimas eleições gerais realizadas em 3 de outubro de 2010.

"Ao dizer que o pleito do PSD não pode ser atendido, Gurgel argumenta que isso está baseado na regra do artigo 41-A - dispositivo legal editado para plena execução do disposto no artigo 17, inciso 3° da Constituição federal, que diz: "Apenas as agremiações que disputaram regularmente as eleições gerais e tiveram resultado final apurado pela Justiça Eleitoral, podem participar da divisão daquele montante, na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados."

E continua: "Exatamente pelo fato de não haver disputado ainda nenhuma eleição popular, o eminente ministro Carlos Ayres Britto, no Supremo Tribunal Federal, negou ao PSD a pretensão de se ver incluído na distribuição das vagas nas Comissões Permanentes e Temporárias da Câmara dos Deputados."

Dilma cobra papel dos EUA contra 'políticas monetárias expansionistas'
Na conversa de uma hora e meia com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta segunda-feira, 9, mais responsabilidade do colega no enfrentamento da crise econômica mundial e isentou a China das consequências pela desvalorização artificial de sua moeda. Embora reconheça a retomada americana como fundamental para a economia global a médio prazo, a brasileira condenou a tática do país para estimular o mercado interno em prejuízo dos demais – em especial, dos emergentes.

“Precisamos ter clareza de que a responsabilidade de todos nós, nesse processo de contenção da crise, de retomada (do crescimento) é compartilhada”, afirmou Dilma, em entrevista sem a presença de Obama, no hotel em que está hospedada. “Ninguém pode falar: ‘Não, eu não tenho responsabilidade, não tenho nada com isso. Não é bem assim.”

Dilma já havia adotado o tom crítico ao papel de seus anfitriões na economia global ainda na Casa Branca, logo após a conversa com Obama. “Essas políticas monetárias, solitárias no que se refere às políticas fiscais, levam à valorização das moedas dos países emergentes, levando ao comprometimento do crescimento desses países”, afirmou a presidente.

Hillary elogia liderança da 'senhora Rousseff'
A secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, definiu o relacionamento dos EUA com o Brasil como "um dos mais promissores" no século 21. Hillary abriu nesta segunda o seminário "Brasil-Estados Unidos: Parceria para o Século 21", na Câmara de Comércio, antes do encontro entre Dilma e o presidente norte-americano, Barack Obama, na Casa Branca. Diante de mais de 300 empresários que lotaram o auditório da Câmara de Comércio e ao lado do ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, Hillary elogiou a "liderança extraordinária" de Dilma, chamada por ela de "senhora Rousseff".

A secretária de Estado destacou o interesse do governo americano no programa brasileiro Ciência Sem Fronteiras, que concede bolsas de estudo para alunos no exterior, e disse estar "feliz" com a visita que Dilma fará amanhã (terça-feira) no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à Universidade de Harvard, em Cambridge, na área metropolitana de Boston.

"O Brasil já é uma das maiores democracias do mundo e está se tornando também uma das maiores economias. Nossos países têm de ser parceiros e queremos isso. Só podemos ficar mais fortes trabalhando juntos. Eu aplaudo o compromisso da senhora Rousseff de acabar com a pobreza no Brasil", comentou Hillary. Hillary estará em Brasília na próxima semana, para participar do encontro Open Government Partnership (Parceria para um Governo Aberto), no dia 17, no Palácio do Itamaraty. Antes, no dia 16, terá uma reunião com Dilma.

Haddad diz que, se eleito, renegociará dívida de São Paulo com a União
O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 9, que, se eleito, vai renegociar a dívida do município com a União, que hoje corresponde a 13% do orçamento da Prefeitura, independentemente da mudança no indexador da dívida, proposta que vem sendo discutida em Brasília pelos líderes no Senado Federal e os ministérios da Fazenda e das Relações Institucionais. "Nós vamos nos sentar com a Fazenda para repactuar isso, sobretudo se houver disposição do governo federal. E há (disposição)", afirmou.

Haddad lembrou que na época em que a renegociação foi feita, durante a gestão Celso Pitta, o PT já era contrário ao acordo. "Nós vislumbramos que a situação agravaria o problema do município." Segundo ele, contudo, a dívida não pode ser usada como justificativa para o baixo investimento na cidade e disse: "O Rio de Janeiro investe mais, tendo metade do orçamento de São Paulo."

Além de defender a repactuação da dívida do município, o pré-candidato falou que está confiante em uma aliança com o PSB. "Nós temos projetos semelhantes, tanto no plano nacional quanto no plano local". O PSB negocia com o PT a possibilidade de uma aliança na capital, neste pleito. Para isso, lideranças dos partidos discutem a possibilidade de dividirem o mesmo palanque em outras cidades.

José Aníbal critica gestão de Kassab
O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal (PSDB), teceu nesta segunda-feira, 9, duras críticas à gestão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). "A Prefeitura não está bem, o prefeito não cumpre o que fala, falta planejamento na cidade", criticou o secretário, que pleiteava disputar a sucessão de Kassab na capital, este ano, pelo PSDB, mas perdeu as prévias partidárias para o ex-governador José Serra. Mesmo estando em outra legenda, Kassab é um dos mais fortes aliados de Serra em São Paulo, foi vice-prefeito na gestão de Serra no executivo municipal e seu sucessor quando o tucano se lançou ao governo de São Paulo, nas eleições de 2006.

Questionado sobre as críticas a um dos maiores aliados de seu partido nessas eleições municipais - o prefeito Kassab chegou a cogitar apoiar o PT do pré-candidato Fernando Haddad neste pleito, mas mudou de ideia e vai apoiar o PSDB em razão da entrada na disputa de José Serra, a quem o prefeito diz que o apoio é ''incondicional'' - Aníbal diz que não poderia ser diferente, pois Kassab está fazendo uma gestão ruim. "É muita falta de planejamento, as subprefeituras não têm autonomia, e a administração (de Kassab) parece um disco riscado, sempre no mesmo lugar", ironizou.

CORREIO BRAZILIENSE

Câmara aumenta diárias
Integrantes da Mesa da Câmara dos Deputados aprovaram por unanimidade reajuste no pagamento das diárias às quais têm direito quando viajam a serviço ou em missão oficial no Brasil e no exterior. O aumento também foi repassado para o auxílio concedido ao transporte do parlamentar entre o aeroporto e o hotel em que ficará hospedado. Nesse último caso, os deputados passarão a receber R$ 279 no deslocamento dentro do país, US$ 196 (R$ 354) na América do Sul e US$ 215 (R$389) em outros países.

O ato foi assinado pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), na terça-feira da semana passada. Apenas neste ano está previsto o desembolso de R$ 2 milhões com as despesas das diárias pagas a deputados e servidores. Por se tratar de viagens de "interesse" do parlamento, o deputado, quando em serviço ou em missão oficial, não precisa tocar no chamado cotão pago todos os meses para, entre outras despesas, passagens aéreas. O valor desse benefício varia de R$ 23.033,03 a R$ 34.258,50, dependendo da região de origem do parlamentar. Eles só desembolsam algo quando decidem alterar o voo ou a categoria da passagem.

O novo texto altera ato de 2002 que previa a divisão no pagamento das diárias dentro do país. Nas cidades com mais de 200 mil habitantes, eram pagos R$ 300 e, para aquelas com até esse número de moradores, o valor era de R$ 250. O presidente da Casa recebia R$ 50 a mais nos dois casos. O novo ato acaba com essa divisão e estabelece um valor único de R$ 524 para qualquer localidade do país. O presidente da Câmara, no entanto, continua no topo da pirâmide, com direito a R$ 611. Em viagens na América do Sul, as diárias passaram de US$ 350 (R$ 633) para US$ 428 (R$ 774). Para outros países, de US$ 450 (R$ 814) para US$ 550 (R$ 995).

Indefinição no colegiado
O senador Vital do Rêgo (foto), do PMDB-PB, recusava-se, até a noite de ontem, a aceitar o cargo de presidente do Conselho de Ética do Senado. Os colegas Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF) foram à casa do senador, no fim da tarde desta segunda-feira, para tentar convencê-lo a assumir o posto. Mas, segundo Vital, há uma incompatibilidade pelo fato de ele ser o corregedor do Senado. "No Regimento, vi uma possível incompatibilidade. O corregedor provoca o Conselho de Ética, porém, é o próprio presidente do conselho que tem que julgar. Como um juiz pode julgar irregularidades apontadas por ele mesmo?", questiona.

Reunião marcada para hoje irá eleger o presidente do conselho, cargo vago desde meados de 2011. A primeira atribuição será avaliar pedido do PSol para abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador Demóstenes Torres por envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, em que poderá haver cassação do mandato. Na semana passada, Vital sinalizou ao Correio que seria favorável à abertura do processo.

Aproveitando a indecisão do PMDB, o PT avisou que a indicação do partido continua de pé. Ontem, o líder petista Walter Pinheiro (BA) afirmou que, caso o PMDB não aponte um nome — a preferência é do maior partido na Casa —, o PT irá insistir para emplacar Wellington Dias (PT-PI). "Precisamos dar uma resposta rápida à sociedade e, para isso, o conselho tem que funcionar", afirma.

Senado quer CPI para investigar parlamentares
Senadores do PT e do PDT, capitaneados pelos colegas Walter Pinheiro (PT-BA) e Pedro Taques (PDT-MT), começam hoje a recolher as 27 assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará as relações de políticos e autoridades com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A decisão foi tomada ontem, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) informar os senadores de que o Supremo Tribunal Federal indeferiu o pedido de acesso aos autos do processo contra Cachoeira, alegando segredo de Justiça.

O STF justificou que somente uma CPI poderia requerer documentos acessíveis apenas sob poder policial, como as escutas telefônicas que integram a peça. Nem mesmo o Conselho de Ética, que deve eleger hoje seu presidente (veja matéria ao lado) para dar início às investigações contra o senador goiano Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM), teria acesso a esses documentos. A solução encontrada foi, então, agilizar o processo de criação da CPI.

Na Câmara, os deputados aguardam a resposta do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), para a criação de CPI com o mesmo teor, protocolada há duas semanas por Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Segundo governistas, a ideia de fazer uma comissão também no Senado partiu do entendimento de que, politicamente, deputados poderiam enfrentar constrangimentos para investigar senadores. Ainda que não haja impedimentos legais para tanto, dificuldades burocráticas na hora de convocar os colegas da outra Casa poderiam interferir negativamente nos trabalhos.

O amigo de infância de Cachoeira
Um amigo de infância, colega de partidas de futebol e ex-vizinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira exerceu por quatro meses, em 2011, o mandato de senador e se prepara para assumir o posto nos próximos anos. Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), primeiro-suplente do senador João Ribeiro (PR-TO) e empresário do ramo de construção civil, foi incluído pela Polícia Federal (PF) na lista de políticos ligados ao contraventor, preso na Operação Monte Carlo. Numa conversa com o titular do cargo sobre as suspeitas, Ataídes confirmou a amizade e a recorrência dos contatos com o bicheiro. "Não houve somente um contato, não. O Ataídes falava várias vezes por dia com o Cachoeira. São amigos de infância", diz o senador João Ribeiro ao Correio.

João Ribeiro licenciou-se do cargo — a alegação foi tratamento de saúde, uma prática recorrente no Senado — para dar espaço ao suplente. O amigo de Cachoeira assumiu o mandato em 3 de maio e deixou o posto em 31 de agosto. Ataídes espera que João Ribeiro dispute o governo de Tocantins em 2014 para, então, retomar o mandato, que prossegue até janeiro de 2019. "Ainda tenho esse mandato de suplente até 2019. O titular é a pessoa mais cotada ao governo em 2014. O meu projeto é o de Deus", declarou o suplente quando deixou o cargo.

Três empresas de Ataídes e o próprio suplente, como pessoa física, que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio de R$ 15,4 milhões em 2010, foram os principais doadores da campanha de João Ribeiro ao Senado. O dinheiro foi repassado ao comitê financeiro único do PR em Tocantins, que por sua vez abasteceu a campanha de João Ribeiro, conforme a prestação de contas oficial ao TSE. Ataídes doou R$ 305 mil ao comitê. As três empresas contribuíram com mais R$ 400 mil.

Brasil e EUA acertam o fim do visto
Os Estados Unidos e o Brasil aceleraram as tratativas para permitir a entrada de visitantes nos dois países e assinaram o compromisso de derrubarem os vistos obrigatórios. O anúncio foi feito ontem pelo ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. A queda dos vistos ainda não tem data para entrar em vigor porque existem requisitos legais a serem seguidos.

A norte-americana ainda confirmou a instalação de mais dois consulados no Brasil — um em Porto Alegre e outro em Belo Horizonte. Em seu discurso, Hillary afirmou que a abertura dos consulados visa estreitar ainda mais o relacionamento entre os dois países. "Estamos tentando facilitar a retirada de vistos e as viagens, derrubar algumas barreiras que foram criadas, e continuar a promover o contato interpessoal", disse.

Em um primeiro momento, a decisão tem por objetivo ajudar a desafogar os consulados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Com o aumento no número de turistas brasileiros dispostos a visitarem e a injetarem dinheiro na economia norte-americana, a procura pelo visto aumentou 240% nos últimos cinco anos.

O deboche de Fidel
Diante de mais uma exclusão de Cuba da Cúpula das Américas, Fidel Castro ironizou ontem a presença de Barack Obama na reunião e a camisa guayabera, típica de Cuba, com que o presidente norte-americano será presenteado. "A guayabera que Obama usará em Cartagena é um dos grandes temas das agências de notícias", afirmou Fidel, em artigo publicado na imprensa de Havana.

Após contar que esse tipo de roupa se originou às margens do Rio Yayabo, em Cuba, e por isso é conhecida como guayabera, Fidel voltou às críticas. "O mais curioso, queridos leitores, é que Cuba está proibida nessa reunião, mas a guayabera, não. Quem pode conter o riso?", debochou.

Fidel Castro criticou ainda a Organização dos Estados Unidos (OEA) e perguntou qual será a posição adotada por Estados Unidos e Canadá contra a reivindicação da Argentina sobre as Ilhas Malvinas. No fim do texto, deu uma última alfinetada, afirmando que a América Latina "está longe de ser um grupo de países pedindo esmolas". Os Estados Unidos e o Canadá têm se oposto à participação de Cuba no encontro, que reunirá 34 chefes de Estado e de governo das três Américas para discutir a integração do continente.

A "parceira" e o "reeleito"
O encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi marcado pela quebra de protocolo. Para a mídia local, a reunião foi ofuscada pelo "Egg Roll", evento de Páscoa em que milhares de famílias norte-americanas invadem o jardim da Casa Branca para competir na corrida do ovo na colher.

A agenda do dia do principal jornal da capital dos EUA, o Washington Post, chamava para os dois eventos como se ambos tivessem a mesma importância. Mais de 30 mil pessoas fizeram fila para o festejo que começou ontem pela manhã e se estendeu durante a tarde e o barulho às vezes atrapalhava o discurso dos dois presidentes.

Em seus discursos, Dilma tratou Obama como presidente norte-americano para depois deste ano — ele ainda terá de passar pelas eleições de novembro para permanecer na Casa Branca por mais quatro anos. "A retomada do crescimento global passa pela retomada do crescimento norte-americano. Saudamos a grande melhoria ocorrida nos EUA e tenho certeza de que isso será uma tônica nos próximos meses e anos, sob a presidência do presidente Obama", disse Dilma. Em retribuição, ele classificou a brasileira como "parceira". "Me sinto sortudo de ter na presidente Rousseff uma líder tão capaz e minha parceira nesses empreendimentos", afirmou.

A parceira, o reeleito e o tsunami no caminho
A presidente Dilma Rousseff descreveu ontem ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, toda a sua preocupação com a crise mundial, que já afeta os países emergentes, como o Brasil, e cobrou do colega maior responsabilidade no enfrentamento do que ela tachou de tsunami monetário. Na avaliação da líder brasileira, é preciso que os países ricos, sob a liderança dos EUA, parem de injetar tanto dinheiro no mundo com o intuito de salvarem as suas economias em detrimento das nações em desenvolvimento.

Desde 2008, os bancos centrais norte-americano (Fed), da Europa (BCE) e do Japão já despejaram mais de US$ 9 trilhões na economia global, desvalorizando as moedas dos emergentes e tirando a competitividade de produtos fabricados nesses países. Dilma isentou, contudo, a China da guerra cambial, apesar de a nação asiática tirar proveito da atual situação ao manter um câmbio artificial, que favorece as suas exportações.

"Precisamos ter clareza de que a responsabilidade de todos nós, nesse processo de contenção da crise, de retomada (do crescimento) é compartilhada. Ninguém pode falar: "Não, eu não tenho responsabilidade, não tenho nada com isso". Não é bem assim", disse Dilma. Para descrever as responsabilidades de todas ante a crise atual e reforçar que ninguém é dono da verdade e que o Brasil não tem divergência apenas com os EUA, ela recorreu a uma expressão (Joãozinho do passo certo) muito usada em Minas Gerais, estado onde nasceu. "Não podemos acreditar, principalmente nós, as duas maiores democracias do continente, que todo mundo é Joãozinho do passo certo. Nós não somos Joãozinho do passo certo, nem do passo errado", afirmou.

Obama quer cooperar com pré-sal
Os Estados Unidos vão direcionar a bussóla comercial com o Brasil nos próximos anos para a área de energia. O presidente norte-americano, Barack Obama, concentrou a maior parte de seu discurso de ontem nesse tema, especialmente em um momento em que o petróleo dispara em meio à queda da demanda. "Temos muitas oportunidades de cooperação na área de energia. O Brasil tem rios extraordinários e uma infinidade de reservas naturais. Vamos fazer um trabalho muito grande de cooperação na área energética", destacou Obama no discurso ao lado da presidente Dilma Rousseff na Casa Branca.

Os dois discutiram os progressos do acordo na área de energia firmado em março na visita de Obama ao país. "O Brasil é um líder incontestável em termos de biocombustíveis e também é um ator mundial na questão de gás e petróleo. Os EUA esperam não ser apenas um grande freguês, mas também queremos cooperar de forma muito ampla no setor energético", afirmou.

PSD sem direito à fatia do bolo
Criado em 2011 com foco nas eleições municipais deste ano, o PSD sofreu ontem um revés em seu pleito por recursos do Fundo Partidário e por tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão. O procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, enviou parecer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual defende que a legenda não tem direito a participação no Fundo Partidário proporcional à bancada, de 52 deputados federais.

O critério adotado por Gurgel deve afetar também a demanda do partido por tempo de propaganda eleitoral. Isso porque, no entender do procurador, tanto o Fundo Partidário quanto o tempo de propaganda gratuita devem ser distribuídos com base na bancada eleita de cada sigla. Como o PSD ainda não existia nas eleições de 2010, o partido não teria direito à parcela dos recursos que pleiteia. Nem ao tempo de rádio e tevê.

Aliança ameaçada em São Paulo
A possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetar ao PSD o direito ao tempo de tevê e o acesso ao Fundo Partidário não abala a parceria entre o pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, e o atual ocupante do posto, Gilberto Kassab (PSD). Pode, no máximo, dificultar a indicação do vice na chapa tucana. Mas ameaça a reeleição dos 10 vereadores pessedistas na capital paulistana. "Os vereadores tucanos estão dispostos a não fazer uma coligação proporcional com um partido sem tempo de tevê. Essa parceria é essencial para nós", reclamou o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

Saulo, contudo, lembra que esses vereadores têm votos, militância e capilaridade eleitoral. E que, se os tucanos complicarem a aliança, dificilmente o grupo vai se empenhar para eleger Serra prefeito. "Acredito que o Kassab vai conversar com o Serra sobre essa situação. Ele precisa pensar no partido também", cobrou o secretário-geral do PSD.

Sem tempo de televisão nem Fundo Partidário, ficará mais difícil para o PSD exigir a vaga de vice na chapa de José Serra. A legenda disputa o posto com o DEM, que pretende emplacar o nome do secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia. Se depender de Kassab, o vice será o atual secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.

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