Impeachment: após bate-boca senadores baixam o tom de discursos

Parlamentares favoráveis e contrários ao impeachment costuraram um acordo de procedimentos que permita restabelecer a ordem na sessão.

O segundo dia de julgamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff começou com ânimos exaltados por parte dos senadores. Após a suspensão da sessão, em decorrência de bate boca e trocas de acusações entre os parlamentares – que envolveram até o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) – a avaliação geral dos senadores é uma só: se havia algum limite de respeito ou bom senso, ele foi ultrapassado.

Neste cenário, parlamentares favoráveis e contrários ao impeachment costuraram um acordo de procedimentos que permita restabelecer a ordem na sessão.

A reação de Renan Calheiros, que, ao tentar pacificar os ânimos, acabou provocando o efeito contrário, surpreendeu os senadores dos dois lados. Insatisfeito com as declarações feitas na sessão de ontem (25) por Gleisi Hoffmann (PT-PR), de que o “Senado não tem moral para julgar a presidente Dilma”, Renan disparou:  “Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa? Exatamente uma senadora que, há 30 dias, o Presidente do Senado Federal conseguiu no Supremo Tribunal Federal desfazer o seu indiciamento e do seu esposo” afirmou. “Mentira”, reagiu Gleisi, que, pouco antes havia chamado o presidente  da Casa de "canalha" – fora do microfone.

"Talvez tenhamos ultrapassado um pouco o limite do aceitável. Isso aqui é o Senado da República", disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). "Eu acho que o que de grave aconteceu aqui foi a manifestação da senadora Gleisi de contestar a moral do Senado Federal. Ora, se ela acha que essa casa não tem moral ela deveria dela se ausentar, não participar ou então dizer que ela se insere naqueles que ela considera sem moral", atacou o senador tucano, que chegou a sugerir que os colegas tomem um chá de camomila e suco de maracujá para se acalmarem.

"É hora de botarmos panos quentes, vamos zerar daqui para trás e vamos olhar daqui para frente", concluiu Aécio.

"Desculpa falar, mas ele como bombeiro 'tocou' fogo né", disse Lindbergh Farias (PT-RJ). "Surpreendeu todo mundo, parecia descompensado. Eu acho, sinceramente, que o presidente Renan perdeu a chance de ficar calado, porque ele podia ter tido uma fala para acalmar os ânimos, mas fez o contrário: 'tocou' mais fogo", acrescentou o senador, que saiu em defesa da colega.

O próprio Lindbergh é protagonista usual de discussões acaloradas com o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO). Os dois repetiram a cena de ontem e trocaram ofensas na sessão de hoje. "É impressionante a capacidade de agressão que ele [Caiado] tem contra a gente, contra todos nós. Ataques pessoais impressionantes desde o dia de ontem. Se eles acham que a gente vai se intimidar com isso estão enganados. Nós não temos medo dele", disse Lindbergh. "Nós não temos sangue de barata, vamos reagir, agora, a gente pede o mínimo de respeito", completa o senador.

Caiado, por sua vez, nega qualquer comportamento desrespeitoso. "Não existe da minha parte nenhuma palavra agressiva a quem quer que seja em hora nenhuma deixei de cumprir as regras do decoro parlamentar", disse o senador goiano, que ainda está em dúvida sobre protocolar ou não uma representação contra Lindbergh no Conselho de Ética.

"Não é questão de tirar do sério, é questão de desqualificação. O cidadão [Lindbergh], ao invés de vir para o debate de conteúdo, vem com baixaria", reclamou Caiado.

Questionado sobre a imagem que está sendo passada pelos senadores para a sociedade, em função das constantes agressões, Caiado não aparenta preocupação. "Acho que a sociedade está analisando bem. Está vendo corretamente os que estão provocando, agredindo e usando palavrões. Toda ação tem uma reação, ninguém ali está para ficar ouvindo de pessoas que não têm a qualificação moral para falar de qualquer senador ali do plenário", concluiu.

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