Grevistas deixam Esplanada, mas intensificam movimento nos estados

Manifestantes criticam posicionamento do governo, reclamam de falta de negociação e prometem ampliar greve nos estados. Governo pode apresentar resposta até o fim do mês

Os cerca de 1,5 mil grevistas que ocupavam o canteiro central da Esplanada dos Ministérios há cinco dias, em Brasília, iniciaram no fim da manhã desta sexta-feira (20) a desocupação do local. Os servidores públicos esperam que o governo apresente propostas de reajustes para as várias categorias do setor até o fim de julho. Sindicalistas consideram que o movimento está no auge e tentarão, na próxima semana, intensificar a greve nos estados. No início de agosto, os grevistas devem se unir novamente em um protesto nacional.

Outros destaques de hoje no Congresso em Foco

Ontem (quinta, 19), o governo federal sinalizou que apresentará respostas aos movimentos sindicais até o fim deste mês. Os trabalhadores esperam que o governo apresente propostas concretas para as categorias do funcionalismo a tempo de negociá-as até 31 de agosto, quando termina o prazo para a conclusão do projeto orçamentário para 2013. O governo poderá apresentar ainda propostas de reajuste que serão concedidos ao longo de três anos.

No entanto, o governo alega que não pode conceder os reajustes pretendidos pelos grevistas porque o país deve enfrentar a crise econômica internacional, que é considerada como pior que a crise de 2008. Segundo o diretor-executivo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Pedro Armengol, o argumento do governo condiz com a situação atual, mas não é válido no caso dos reajustes.

“Do ponto de vista fiscal, o Brasil está bem. Negociar com as categorias e conceder os reajustes não vai colocar o país em risco”, disse. O governo, por sua vez, começa a dar mostras de, pelo menos, querer dialogar. O Palácio do Planalto determinou a cada ministério que receba as lideranças das categorias em greve e explique que, no momento, não há espaço no orçamento para atender à demanda exigida pelos servidores, que implicaria um aporte de R$ 92,2 bilhões, correspondente a quase metade da folha de pagamento atual.

A crise internacional tem atingido o país, que, segundo estimativas, deverá crescer menos da metade dos 4% previstos pelo Ministério da Fazenda. Por isso, o governo tem priorizado os empregos no setor privado. Além disso, o governo já mandou alguns recados para lembrar que os servidores tiveram vários aumentos durante a gestão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Falta de diálogo

Os sindicalistas, porém, reclamam da postura do governo, que não estaria abrindo espaço para negociação. Segundo Pedro, a política do governo de não abrir espaço de diálogo com as categorias irá aprofundar a crise com os trabalhadores públicos. “Não é com retaliação que se acaba com a greve. O governo tem que apresentar propostas, mesmo que sejam ruins. Porque só assim nós conseguimos abrir um canal de negociação”, explicou Pedro.

Para o coordenador-geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), Gibran Jordão, há um clima de “profunda decepção” por parte dos trabalhadores públicos em relação ao governo Dilma. “A crise econômica não é culpa dos trabalhadores e não pode ser usada como desculpa para não conceder os reajustes. Algumas carreiras, como a nossa, não tiveram ainda nem o ajuste da inflação”, disse e ressaltou que os movimentos têm encarado a falta de diálogo como uma “surpresa”. “Não esperavámos que um governo do PT pudesse se fechar para os trabalhadores. Mas é isso que está acontecendo. Não vamos desistir até que sejamos ouvidos”.

Negocia, Dilma

Até agora, o governo só apresentou uma proposta para os professores, que prometem recusá-la e apresentar uma contraproposta que atenda a mais setores da categoria. "O que o governo ofereceu só serve a alguns professores e ainda deixa a situação dos demais pior do que temos hoje", afirmou Gibran.

Ontem, manifestantes ocuparam o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e fizeram piquete na porta do local para impedir a entrada de qualquer pessoa. Com a pressão, um grupo foi recebido por Valter Correia e Sérgio Mendonça, secretários da pasta. No entanto, o movimento não conseguiu nenhum avanço concreto. “Conseguimos impor uma derrota ao governo porque eles foram obrigados a nos receber, coisa que o governo estava evitando desde que a greve foi deflagrada. A greve só vai terminar se o governo aceitar negociar. Não adianta se fechar, porque vamos manter o movimento”, explicou Gibran.

Acampamento

Os servidores públicos federais chegaram à Esplanada em 16 de julho, mas somente dois dias depois o acampamento ganhou reforços e concentrou as discussões dos grevistas. De acordo com integrantes da organização, os custos para manter o local foram rateados entre as entidades que compõem o Fórum de Entidades do Setor Público Federal.

Segundo Gibran, os objetivos do acampamento foram alcançados, uma vez que o local conseguiu concentrar os movimentos grevistas para as manifestações que aconteceram ao longo da semana. “Tivemos uma vitória política porque conseguimos pautar a greve na conjuntura política nacional”, disse. Ele explicou que agora, os movimentos sindicais estão deixando Brasília para atuar nos estados, em busca de unidade para continuar a greve.

Saiba mais sobre o Congresso em Foco

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!