Governo não vai mais liberar emendas “no varejo”

Segundo Eduardo Braga, a construção da arregimentação de votos para as votações vai fugir do tradicional modelo do "toma-lá-dá-cá"

O novo líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse hoje (14) que sua missão é ampliar a interlocução entre a presidenta Dilma Rousseff e os senadores. O peemedebista garantiu que a presidenta está disposta ao diálogo com o Legislativo. Mas não exatamente nos termos que boa parte dos parlamentares cobra e gostaria. Segundo Braga, a negociação para conseguir votos para os projetos de interesse do governo não se dará mais na base da troca pela liberação de emendas ao orçamento e outras benesses. Segundo ele, a ordem de Dilma é para “construir convergência” e, assim, “assegurar votos ao Executivo”.

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"É fundamental ampliar a interlocução da presidenta com os senadores. Esta é uma casa de ex-presidentes, ex-governadores, políticos maduros (...) Vai haver esse diálogo com a presidenta. Ela está disposta", disse Eduardo Braga após ter se reunido por mais de uma hora e meia com o ex-líder do governo senador Romero Jucá (PMDB-RR), e com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Mais cedo, a ministra disse que espera que a troca de lideranças do governo na Câmara e no Senado seja “harmônica”.

A não-liberação de emendas parlamentares é um dos principais fatores da rebelião da base contra Dilma. Mas, outra vez, a presidenta não se mostra disposta a ceder. Eduardo Braga disse que a liberação das emendas será discutida dentro dos programas de governo, e não mais no “varejo”. Ele explicou que, além de trabalhar a aproximação dos senadores com o Planalto, ele fará reuniões periódicas com os líderes dos partidos da base aliada e da oposição com os ministros.

Votações

Sobre os próximos embates do governo, Eduardo Braga disse apenas que “votação é votação. Só se sabe quando acaba. Vou ganhar pedindo o que tenho que pedir, votos". Na reunião, Ideli reforçou o pedido do governo para aprovar a Medida Provisória 547/1, que tranca a pauta do Senado. A MP cria a Política Nacional de Proteção à Defesa Civil e deve ser votada na próxima terça-feira (20). A medida perde a validade em 21 de março.

Segundo Braga, o texto recebeu duas emendas do relator, senador Cassildo Maldaner (PMDB-SC). No entanto, devido ao curto prazo, o governo atua para conseguir criar um acordo e impedir que a medida perca a validade se precisar voltar para análise da Câmara. “Já há um parecer distribuído com duas emendas, que precisam ser contempladas no marco regulatório da Defesa Civil", disse o novo líder. Segundo o líder do governo, amanhã ele e o senador Cassildo Maldaner devem se reunir com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para negociar o texto definitivo.

Último discurso

Em seu discurso de despedida no Plenário do Senado, Romero Jucá disse novamente que sai de cabeça erguida e sem levar rancores. “Estou deixando a liderança com muita tranquilidade, sem nenhum tipo de rancor. Com sentimento do dever cumprido, de quem por 12 anos, se preocupou com o bem do país. [...] Dilma valorizou o PMDB ao escolher o novo líder do mesmo partido, por isso nosso partido se sente aquinhoado e afagado pela presidente”, disse na tribuna.

Jucá também elogiou o relacionamento que teve com parlamentares da oposição. “Eu, realmente, procurei exercer o meu mandato na liderança do governo com muita humildade, com muita responsabilidade, entendendo as circunstâncias de cada companheiro, entendendo a circunstância política de cada partido, respeitando os partidos políticos, respeitando os membros da base do Governo e ouvindo a base do governo, respeitando os membros da oposição – qualquer tamanho que fosse ela. A oposição já foi maior neste plenário e era ouvida”, disse. Jucá afirmou que agora se dedicará mais ao PMDB, ao seu estado e aos projetos de sua autoria.

Líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) lembrou o desafio que Eduardo Braga enfrentará para ter resultados iguais aos de Jucá, considerados por ele como excelentes. Ele voltou a ressaltar a unidade que o partido está perseguindo. “Nós vamos colaborar para que essa unidade do partido se fortaleça. Qualquer movimento no sentido da unidade tem que ser apoiado. Quando Dilma nos chamou e disse que tinha decidido pelo rodízio, eu disse que essa era uma decisão dela. Fiquei muito feliz quando soube que a escolha tinha caído em um membro destacado no Senado Federal”, afirmou Renan.

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