GDF nega ter deixado de investir em habitação por causa de estádio

Segundo o governo de Brasília, gasto de R$ 1,4 bilhão com arena não a torna a mais cara da Copa do Mundo

O governo do Distrito Federal emitiu nota nesta quarta-feira (11) para dizer que nunca deixou de investir em habitação por causa do estádio Mané Garrincha, em Brasília, um dos palcos da Copa do Mundo. Ainda segundo o governo, não houve redução de oferta de moradias.

A nota foi encaminhada ao Congresso em Foco em resposta à matéria “Obra de estádio tirou prioridade de moradia em Brasília, diz ONG”, publicada no site na terça-feira (10). O governo diz ainda que o Mané Garrincha não é o estádio mais caro da Copa e que a comparação de gastos em relação a outras arenas é descabida. Em valores absolutos, o GDF usou R$ 1,4 bilhão de dinheiro público na obra.

Felipe Seligman: Objetivamente, Mané Garrincha é, sim, o mais caro da Copa

Veja a íntegra da nota

Nota de esclarecimento ao Congresso em Foco

Brasília, 11 de junho de 2014.

Em relação à matéria “Obra de estádio tirou prioridade de moradia em Brasília, diz ONG”, replicada por este veículo, a Coordenadoria de Comunicação para a Copa (ComCopa), do Governo do Distrito Federal (GDF), esclarece:

PROGRAMAS HABITACIONAIS

Ao contrário do que diz a reportagem, o Governo do Distrito Federal (GDF) NUNCA deixou de investir em habitação por causa do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Não houve redução de oferta de moradia.

Para diminuir o déficit habitacional na capital do país, as ações nesse sentido não foram alteradas devido à realização da Copa do Mundo. Sugerir o contrário é desconhecer as políticas públicas locais.

Desta forma, o GDF lançou, em 2011, o Programa Minha Casa, Minha Vida/Morar Bem, que tem como meta colocar em construção 100 mil moradias de interesse social até o fim de 2014. Já estão em processo de construção mais de 93 mil unidades habitacionais.

O GDF já destinou 2100 hectares para os programas habitacionais, que nos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida/Morar Bem oferecem moradia digna, com total infraestrutura – rua asfaltada, água encanada, luz, esgoto e escritura.

Destacamos que o cadastro habitacional do Programa Morar Bem tem 375.960 candidatos inscritos. Já foram convocadas mais de 207 mil famílias do cadastro. Até agora, mais de 97,8 mil pessoas foram habilitadas – comprovaram os dados do cadastro e estão de acordo com a política habitacional do DF, ou seja, aptas a receber a moradia de interesse social.

Ressaltamos que a Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) é parceira em todos esses projetos.

ESTÁDIO TOTALMENTE RECONSTRUÍDO

Não é verdade que o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha é o mais caro da Copa.

Diferentemente da maioria dos estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo, como o Maracanã, que passou por uma reforma, o estádio da capital federal foi totalmente reconstruído.

Qualquer comparação do investimento realizado no Mané Garrincha em relação aos demais estádios não pode ser feita apenas baseada em valores absolutos da obra. Muito menos se comparar gastos com reformas com investimento em uma arena totalmente nova, com capacidade para 72 mil pessoas.

Para cada R$ 1 investido no estádio, o Governo do Distrito Federal assegurou outros R$ 4 para infraestrutura, mobilidade urbana e segurança, o que ficará como legado dos grandes eventos para a cidade. São R$ 5,6 bilhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, somados ao orçamento local, que foram destinados ao Distrito Federal, por Brasília ser sede da Copa.

LIDERANÇA NA TRANSPARÊNCIA

O Governo do Distrito Federal alcançou o maior índice de transparência entre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo, de acordo com levantamento divulgado em dezembro pelo Instituto Ethos, organização não governamental que atua na área de gestão socialmente responsável. E recebeu nota máxima em participação popular na aplicação desses recursos.

SOBRE A AUDITORIA do TCDF

O Governo do Distrito Federal reitera que INEXISTEM irregularidades ou superfaturamento na obra do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

O TCDF faz auditoria permanente e chegou até a contar com uma sala no canteiro de obras do estádio na fase de construção, o que comprova comprometimento e transparência do governo com o órgão fiscalizador.

Além disso, técnicos do TCDF realizavam visitas mensais, acompanhando o dia a dia da obra.

AGENDA CHEIA

A decisão de construir o estádio tem se mostrado uma estratégia correta para estimular o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.

Em um ano de funcionamento, o Mané Garrincha já recebeu 43 eventos, sendo 30 partidas de futebol e quatro shows. Um público de 800 mil pessoas, mais que o dobro registrado em 36 anos de funcionamento do antigo estádio.

Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que a Copa das Confederações, em 2013, movimentou R$ 2,8 bilhões na cidade, o equivalente ao dobro do que foi investido na construção do Mané Garrincha, e abriu oportunidade de emprego para 39.242 pessoas.

Para a Copa do Mundo, a previsão é de que o evento movimente R$ 8,4 bilhões no DF.

Toda a cidade ganha com a operação do estádio: até 2 mil empregos diretos e indiretos são gerados a cada grande evento, que também impacta a economia local em aproximadamente R$ 12 milhões. Os dados são da Codeplan.

NA ROTA DOS GRANDES EVENTOS

Devido ao projeto do Estádio Nacional, Brasília conquistou uma posição estratégica no cenário nacional e internacional dos grandes eventos.

Além de jogos previstos do Campeonato Brasileiro, Brasília já foi confirmada como sub-sede das Olimpíadas de 2016 no futebol e, em 2019, receberá a Universíade, segundo maior evento esportivo que reúne mais de 12 mil atletas de todo o mundo.

Brasília também sediará 8º Fórum Mundial da Água, em 2018, a Fórmula Indy em março de 2015 e uma etapa do Mundial de MotoGP no mesmo ano.

Coordenadoria de Comunicação para a Copa
Governo do Distrito Federal

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