Governistas adiam convocação de Cavendish e de Pagot na CPI

Em votação apertada, parlamentares seguiram posição do relator pelo sobrestamento dos dois requerimentos. Análise de documentos é necessária, argumentam governistas

A base governista na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira fez valer sua maioria e conseguiu adiar a convocação de Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções, e do ex-diretor-geral do Diretor Nacional de Infraestrutura (DNIT) Luiz Antônio Pagot. Nas duas votações nominais, o resultado foi apertado. Na primeira, 16 a 13, enquanto na segunda 17 a 13.

Leia tudo sobre o Caso Cachoeira

Ex-presidente da Delta Construções, Cavendish disse, em gravação interceptada pela Polícia Federal, que chegaria a pagar R$ 30 milhões em propina para conseguir contratos para obras estatais. "Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para caralho. Pode ter certeza disso. Te garanto", disse Cavendish. A Delta afirmou na época que a gravação era clandestina e que o trecho divulgado foi editado.

Já Pagot trataria de dois assuntos na CPI. O primeiro seria a denúncia do uso de verbas públicas para formação de caixa 2 de campanhas eleitorais em São Paulo. O ex-diretor-geral também disse, em entrevista à revista Época, que contrariou interesses do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso em Brasília, e da Construtora Delta quando estava à frente do DNIT.

"Chamar o Pagot aqui é discutir contribuições de campanha, isso não é foco desta CPI", afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ele defendeu o argumento usado pelo relator da comissão, Odair Cunha (PT-MG), de que é preciso esperar pela análise de documentos antes de convocar tanto Cavendish quanto Pagot. "O maior trabalho desta comissão aqui é avaliar dados", completou Vaccarezza.

De acordo com o relator, a CPI busca identificar as pessoas corrompidas pela organização criminosa supostamente comandada pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Não podemos ficar submetidos à vontade das pessoas de falar ou não falar. O que tem que motivar a convocação ou não de uma pessoa é a análise da documentação. Entendo não ser necessária a votação", disse Cunha.

Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a CPI tem três núcleos de investigação. Além do alcance e atuação de Cachoeira com políticos, é preciso investigar o núcleo empresarial. O pedetista disse que Pagot é um "fio desencapado". "Querem transformar a CPI em uma CPI café com leite. Tem gente que tem medo. Dizer que não existem elementos é um absurdo, já existem provas nos autos da participação dos dois", disparou.

Leia também:

CPI aprova quebra de sigilo de governadores do DF e GO

Saiba mais sobre o Congresso em Foco (2 minutos em vídeo)

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!