Gleisi lamenta acolhimento de denúncia na Lava Jato: “Profunda tristeza”

Senadora criticou a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e disse que nesta etapa das investigações ela terá a oportunidade de se defender e esclarecer o caso - o que, segundo ela, ainda não ocorreu

Luma Poletti/Congresso em Foco
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que recebeu com "profunda tristeza" a notícia do recebimento da denúncia contra ela e seu marido pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde desta terça-feira (27). A petista criticou a peça apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e disse que nesta etapa das investigações terá a oportunidade de se defender e esclarecer o caso - o que, segundo ela, ainda não ocorreu.

"A peça apresentada pela Procuradoria-Geral da República é uma peça muito adjetivada, é uma peça muito ruim, que força muito a mão para tentar justificar o pedido de denúncia, e que por mais que a gente tenha tentado falar sobre ela nós não conseguimos esclarecer, até porque não é o momento em que os juízes de fato se dedicam a fazer análise de provas a fazer análise aprofundada dos autos. Por isso que eu creio que essa oportunidade do tribunal fazer a avaliação detida e me dar o benefício da dúvida é uma oportunidade que eu vou ter e que eu não tive nas outras instâncias, nem na Polícia Federal e muito menos no Ministério Público", disse Gleisi.

A senadora argumentou que a denúncia não é baseada em provas concretas, mas sim em delações do  doleiro Alberto Yousseff. "Eu não recebi esse dinheiro, eu não conheço esses personagens e nunca estive com Paulo Roberto Costa", enfatizou a senadora.

Gleisi e Paulo Bernardo são acusados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato por suspeita de receber R$ 1 milhão em quatro parcelas para a campanha da senadora em 2010. O valor teria sido repassado na forma de propina, a partir de esquema de fraudes em contratos de grandes empreiteiras com a Petrobras.

De acordo com a denúncia, o pagamento teria sido ordenado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e operacionalizado pelo doleiro Alberto Youssef.

"Eu acho que o momento em que estamos vivendo no país também levou o Supremo a preferir, na dúvida, abrir o processo, a denúncia para investigar. Eu acho, como eu disse a vocês, que pelo menos eu vou ter a oportunidade de ter uma instância em que eu tenha o benefício da dúvida, o que eu não tive até agora", concluiu Gleisi.

Leia a íntegra da nota divulgada pela senadora:

NOTA DA SENADORA GLEISI HOFFMANN SOBRE A DECISÃO DA 2ª TURMA DO STF

Embora nutra respeito pela Justiça de nosso País, é com profunda tristeza que recebo a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de acatar a denúncia formulada contra mim e meu marido pela Procuradoria Geral da República.

Em seu voto, o ministro relator Teori Zavascki concluiu dizendo que não dá para ter certeza de que os fatos ocorreram, mas que nesse momento basta uma dúvida razoável para aceitar a denúncia. Agora, pelo menos terei, no julgamento do STF, o benefício da dúvida. Estou ciente de que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar com profundidade o que foi apresentado nos autos, saberá julgar com serenidade, imparcialidade e isenção esse processo. Tais requisitos faltaram em outras instâncias. Por isso, vejo a decisão desta terça-feira como uma nova oportunidade de provar, sem sombra de dúvidas, a nossa inocência.

Desde o início desse lamentável episódio, quando injustamente fomos indiciados pela Polícia Federal, insistimos à exaustão que não há uma única prova concreta que aponte o recebimento de recursos ilícitos para minha campanha ao Senado, em 2010.

Como o meu advogado Rodrigo Mudrovitsch voltou a enfatizar hoje da tribuna do STF, a denúncia da PGR se baseia unicamente em questionáveis delações do doleiro Alberto Yousseff, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do sócio do doleiro, Antonio Carlos Pieruccini. Em sua delação, essa pessoa disse que transportou a suposta propina para minha campanha, em dinheiro, de São Paulo para Curitiba, em quatro viagens. Ele afirmou ainda que entregou a quantia para o empresário Ernesto Kugler, que sempre negou o fato.

Se Pieruccini esteve realmente quatro vezes com o empresário, por que a Polícia Federal não obteve provas físicas desses encontros? A bem da verdade, a denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido. Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se espera de uma acusação penal.

São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores que embasam a denúncia, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que seis versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram. Tenho certeza que a verdade prevalecerá.

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