Falta de material básico impede cirurgias cardíacas no Hospital de Base, diz médico

Em depoimento à CPI da Saúde da Câmara Legislativa, o cirurgião Pedro Paniago avalia que o estado da principal unidade de saúde do Distrito Federal chegou “ao fundo do poço”

 

 

 

O médico cirurgião Pedro Paniago, afirmou nesta quarta-feira (9) que a situação Hospital de Base (HB), que é o único centro público de saúde do Distrito Federal que realizava cirurgias cardíacas, chegou “ao fundo do poço”. Segundo Paniago, há oito meses não é possível realizar cirurgias cardíacas no HB, considerada a principal unidade de saúde do Distrito Federal, por falta de material mínimo para os procedimentos.

O cirurgião, que trabalha desde 1988 na área de cirurgia cardiovascular, relatou ainda que mesmo os pacientes cardíacos que chegam ao Hospital de Base em estado grave precisam ser encaminhados ao Instituto do Coração porque o hospital não tem condições sequer de realizar cirurgias cardíacas de emergência. Faltam insumos básicos, como reagentes e fios cirúrgicos; até mesmo exames de cateterismo não têm sido realizados, narrou.

Paniago relatou a situação no Hospital de Base durante depoimento à CPI da Saúde da Câmara Legislativa. Ele sugeriu que os deputados membros do colegiado visitassem a unidade de saúde, que fica a menos de seis quilômetros do executivo local, para confirmarem o relato.

Rinaldo Morelli/CLDF
Rinaldo Morelli/CLDF
Autogestão

O presidente da CPI, deputado Wellington Luiz (PMDB), disse que esteve no Hospital de Base e realmente constatou que as condições são “caóticas”, com falta até de insumos que custam apenas R$ 0,30. Paniago afirmou que o grande problema do HB é a má gestão.

“O ideal seria que cada hospital fizesse sua autogestão”, opinou. Para ele, este é o melhor modelo, pois permite fazer constantes levantamentos, controlar os gastos de material, enxugar custos e adequar a demanda ao atendimento.

O deputado Lira (PHS) defendeu o modelo de adoção de Organizações Sociais (OS) na área de saúde – assim como o governador Rodrigo Rollemberg. Lira argumentou ter visitado hospitais em São Paulo que adotam o modelo e prestam bom atendimento a custo reduzido. Disse ainda que o mesmo não ocorre no Rio de Janeiro, porque o governo estadual deixou de fazer os repasses às OS.

Outro lado

A Secretaria de Saúde negou que o problema do Hospital de Base seja os insumos “mínimos”. Em nota enviada ao Congresso em Foco (íntegra abaixo), a pasta informou que “não está realizando cirurgias de grande porte por falta de materiais específicos, não básicos”. Ressaltou, ainda, que “as cirurgias para inclusão do marca-passo estão sendo feitas no HB normalmente, assim como o procedimento de cateterismo”.

“Os pacientes que necessitam de cirurgias de grande porte como ponte safena estão sendo encaminhados para o Instituto do Coração (ICDF). Um processo regular para o reabastecimento de materiais em toda a rede está em andamento”, concluiu.

Veja a íntegra da nota da Secretaria de Saúde:

“A unidade informa, ainda, que não está realizando cirurgias de grande porte por falta de materiais específicos, não básicos. As cirurgias para inclusão do marca-passo estão sendo feitas no HBDF normalmente, assim como o procedimento de cateterismo.

Os pacientes que necessitam de cirurgias de grande porte como ponte safena estão sendo encaminhados para o ICDF. Um processo regular para o reabastecimento de materiais em toda a rede está em andamento.”

Com informações da Agência CLDF

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