Lava Jato: ex-sócio de Campos pediu propina de R$ 20 mi, diz delator

Aldo Guedes Álvaro negociou recursos para caixa dois da campanha do ex-governador pernambuco à reeleição ao governo de Pernambuco de 2010. Ex-presidente da Camargo e Correa conta que pagou R$ 8,7 milhões

O ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini disse, em depoimento de delação premiada a investigadores da Operação Lava Jato, que negociou propina de R$ 20 milhões com o empresário Aldo Guedes Álvaro, ex-sócio do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em agosto de 2014. No encontro, que ocorreu no Shopping Iguatemi de São Paulo, os empresários acertaram o valor do pagamento, que seria utilizado para abastecer o caixa dois da campanha de Campos à reeleição ao governo do estado, em 2010. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A suposta propina já havia sido mencionada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Primeiro delator da Lava Jato, Paulo Roberto citou, além de Campos, deputados e senadores que se beneficiavam com recursos ilícitos obtidos em contratos de empreiteiras com a estatal. Aldo já era investigado pela Polícia Federal, suspeito de ser o verdadeiro dono de avião que Campos usou durante campanha eleitoral.

Avancini contou que, ao cobrar a propina, Aldo afirmou que a vantagem indevida já havia sido acordada com o ex-diretor Paulo Roberto. O valor seria angariado de contratos nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Na época, Avancini era diretor de Óleo e Gás da empreiteira. Ele conta que disse a Aldo que a empresa não teria condições de arcar com esse valor de maneira imediata, mas que iria estudar “uma forma de realizar o repasse”. Segundo ele, o ex-sócio de Campos disse “que isso não era o combinado”, mas aceitou a proposta.

Na época diretor de Óleo e Gás da Camargo, Avancini afirmou a Aldo que a empresa não teria condições de arcar com o valor, o que teria deixado o empresário contrariado. Ele teria dito "que isso não era o combinado", mas acabou aceitando a proposta e mencionou que o "valor deveria ser disponibilizado rapidamente", relatou Avancini aos investigadores. O valor repassado chegou a R$ 8,7 milhões por meio de contrato de fachada da empreiteira com a empresa Master Terraplanagem.

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