Ex-presidente da Câmara quer receber cartas na prisão

Inspirado em Tarsila do Amaral, João Paulo Cunha diz que não quer sentir solidão no cárcere e pede correspondências a amigos. "Quero que mandem cartas para mim, porque eu respondo todos vocês, com certeza, vou ter muito tempo”

Condenado no julgamento do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) pediu a amigos e correligionários que lhe escrevam cartas enquanto ele estiver na prisão. Se perder um recurso no Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente da Câmara terá de começar a cumprir a pena de nove anos de prisão em regime fechado. O objetivo das cartas, segundo ele, é evitar a solidão do cárcere.

“Eu não quero ficar sozinho. Temos uma forma que podemos estabelecer, que eu combinei com uma jornalista ontem. Eu quero que mandem cartas para mim, porque eu respondo todos vocês, com certeza, vou ter muito tempo”, disse João Paulo na tarde desta quarta-feira (11) a uma plateia de assessores, militantes, jornalistas e curiosos no Anexo II da Câmara. Dali, ele seguiu para fazer um discurso no plenário da Câmara, onde atacou o relator do mensalão, o ministro do STF Joaquim Barbosa.

O deputado, que distribuiu uma revista com sua defesa aos seus colegas, disse que a ideia das cartas foi inspirada na artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973), que trocava correspondências com um amante e sempre enviava, simbolicamente, seu coração ao amado. “Deixo com vocês a revista, e em cada revista um pedaço do meu coração.”

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Ao comentar que pode perder o recurso, o deputado fez paralelo entre sua situação e a do líder sul-africano Nelson Mandela, que passou 27 anos na cadeia por combater a discriminação racial em seu país. “Se eu for preso, corro o risco de ir pro regime fechado se eu perder o [recurso] infringente. Da minha parte, não há nenhum problema. Longe de mim me comparar ao Mandela”, afirmou João Paulo pouco antes de ser aplaudido.

O deputado distribuiu aos colegas uma revista chamada A verdade, nada mais que a verdade sobre a ação penal 470. São 56 páginas em que ele rebate as provas usadas para condená-lo no processo. Ele negou ter praticado os crimes pelos quais foi condenado. “Eu sei o que eu fiz, o que não fiz, sei da minha vida e estou muito seguro de falar que eu nunca fiz nada errado. Se tivesse que fazer, não faria aqui”, completou João Paulo.

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