Entre idas e vindas, PSDB finalmente desembarca do governo; convenção aclamará Alckmin

 

O PSDB realiza neste sábado (9), a partir das 9h, sua convenção para eleger a nova executiva nacional do partido. Rachado desde as delações da JBS, o tucanato desembarca de vez do governo de Michel Temer (PMDB) e aclamará o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como novo presidente do partido. O desembarque começou oficialmente na tarde de ontem (sexta, 8), quando Antônio Imbassahy entregou sua carta de demissão do posto de ministro da Secretaria de Governo. Além de oficializar Alckmin como novo presidente, a convenção que acontece em Brasília também escolherá os novos membros do diretório e do Conselho Nacional de Ética e Disciplina da sigla.

A aclamação de Geraldo Alckmin como novo comandante tucano é uma tentativa de pacificação do partido, que vive uma crise interna desde a divulgação das delações da JBS, em maio deste ano. A agremiação rachou sobre a permanência na base de apoio de Temer, que foi denunciado duas vezes pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot em decorrência das delações. Nas votações que arquivaram ambas as denúncias contra Temer, metade dos deputados do PSDB votaram pelo prosseguimento das ações. Após aceitar assumir o partido, o governador paulista anunciou que o PSDB deixaria oficialmente o governo assim que assumisse o comando tucano.

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Crise no ninho

Em maio, o então presidente do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB), foi gravado pelo empresário Joesley Batista pedindo R$ 2 milhões que seriam propina por favores do tucano à empresa de Joesley. Investigado em nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e um dos principais investigados na Operação Lava Jato, Aécio nega qualquer irregularidade e se licenciou da presidência da sigla. O presidente Michel Temer (PMDB) também foi gravado, em uma reunião fora da agenda no Palácio do Jaburu, com Joesley.

Em 18 de maio, manhã seguinte à revelação dos áudios, o STF determinou o afastamento de Aécio, autorizou mandados de busca e apreensão nas residências do senador e a prisão preventiva da irmã dele, Andrea Neves, que depois passou a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Nessa quinta (7 de dezembro), o ministro do STF Marco Aurélio Mello liberou Andrea Neves da prisão domiciliar. Desde a abertura do novo inquérito, Aécio voltou ao Senado, foi afastado uma segunda vez e teve o mandato salvo pelos colegas em plenário e retornou ao exercício do mandato afirmando ser “vítima de ardilosa armação” por parte de delatores como Joesley Batista.

Ao se licenciar do comando tucano, Aécio indicou o também senador Tasso Jereissati (CE) para comandar o partido. Tasso engrossou o coro dos tucanos que pediam desembarque do governo Temer. Desde então, Tasso desagradou a ala governista do tucanato ao bancar a “autocrítica” do partido em propaganda veiculada em agosto e ao decidir tentar se reeleger como presidente da sigla.

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Disputa

No início de novembro, o governador de Goiás, Marconi Perillo, comunicou pessoalmente a Tasso sua intenção de concorrer à presidência do PSDB. Uma semana depois, Tasso também oficializou sua candidatura. Em reação à candidatura de Tasso e com as acusações de que o cearense estava usando a máquina do partido para se reeleger, Aécio destituiu Tasso do comando partidário e indicou o ex-governador de São Paulo e vice-presidente da sigla, Alberto Goldman, para garantir “isonomia” na disputa entre os tucanos.

Goldman, com apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, começou uma tentativa de restabelecer o consenso pelo menos sobre o comando do partido em um trabalho de convencimento para que Alckmin concordasse em assumir a presidência tucana se Tasso e Marconi abandonassem a disputa. O governador paulista só aceitou a incumbência quase 20 dias depois, em uma reunião com a presença de Goldman, FHC, Marconi e Tasso no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

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