“Eles foram muito agressivos”, diz Roseli Pantoja

Comerciante que disse à CPI ter tido o nome usado indevidamente em empresa utilizada por grupo de Cachoeira terá proteção policial após relatar perseguição. Em entrevista ao Congresso em Foco, ela diz não se arrepender de depoimento

A comerciante Roseli Pantoja, que prestou depoimento à CPI do Cachoeira em 15 de agosto, relatou ao colegiado que está sofrendo ameaças desde que esteve no Congresso. A informação foi passada pelo presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), aos demais parlamentares no início da reunião desta quarta-feira (29). Ele determinou que seja providenciada proteção policial para Roseli e sua família. Em seu depoimento, a comerciante contou teve seu nome usado indevidamente no registro de uma empresa suspeita de ser utilizada como laranja pelo grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Tudo sobre o caso Cachoeira

Em entrevista ao Congresso em Foco, Roseli informou que ontem (terça, 28) policiais civis foram pessoalmente até a casa de parentes dela para fazer as ameaças. “Eles foram muito agressivos. Pediram meu endereço ou onde eu estava escondida. Achei isso estranho porque a Polícia Civil já esteve na minha casa e a CPI tem o meu endereço. Enfim, não é segredo”, contou.

Ela disse ainda que os policiais estavam com coletes da polícia e portavam armas de fogo. “Meus parentes não conseguiram identificar a viatura. Quem atendeu aos policiais me disse que ficou com muito medo e por isso não conseguiu perguntar nada. Só me disseram que agora pensam em sair de casa”, afirmou. Roseli disse que seu ex-marido, o contador Gilmar Carvalho Morais, também está sendo ameaçado.

A comerciante afirmou que não sabe por que está sendo ameaçada, pois acredita que não prejudicou ninguém em seu depoimento. “Eu não prejudiquei ninguém, não sei por que estão fazendo isso. Meu ex-marido ainda não foi prestar depoimento. Eu não sei se ele sabe de alguma coisa ou se querem verificar alguma coisa”, disse. Roseli afirmou que conversou ontem mesmo com o ex-marido, que contou ter contratado um advogado. “Eles foram às delegacias da Polícia Civil na região em que moram para saber se havia algo contra ele, se estavam atrás dele, mas não há nada nesse sentido”.

Depois do seu depoimento, a CPI aprovou diversos requerimentos para que  Gilmar compareça ao colegiado para prestar esclarecimentos sobre o seu possível envolvimento com o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Vital determinou à Polícia Legislativa do Senado que entre em contato com o contador para que ele vá à CPI ainda nesta quarta-feira. “Determinei que a Polícia do Senado, em regime de urgência, faça contato com o senhor Gilmar para saber se há possibilidade de sua presença em caráter extraordinário nesta comissão. A Polícia do Senado está tentando localizar. O primeiro novo depoimento da comissão será do senhor Gilmar Carvalho”, disse.

Em sua explanação, Roseli contou que passou uma procuração ao ex-marido para ele abrir uma empresa. Segundo a Polícia Federal, Roseli é identificada como sócia da empresa Alberto & Pantoja Construções, utilizada para lavar recursos da Delta Construções no Centro-Oeste. Ela confirmou que foi casada com Gilmar, que é sócio da G&C Construções Ltda, também apontada pela PF como empresa fantasma do esquema de Cachoeira.

Na comissão, Roseli negou que tenha qualquer sociedade com com o ex-marido e afirmou que nunca soube de nenhuma atividade ilegal praticada por ele. “Ele é contador, e pelo que eu saiba, não tem empresa nenhuma”, afirmou.

Mesmo diante das ameaças, Roseli afirmou que não se arrepende de ter falado à comissão. “Não me arrependo nem um pouco do meu depoimento na CPI. Não me arrependi, não tenho nada a esconder. Claro que não gosto de estar envolvida nisso, meus filhos ficam morrendo de medo”, disse.

Bordoni: “Fui pago com dinheiro sujo” por Perillo
Surge nova empresa fantasma do esquema Cachoeira

Saiba mais sobre o Congresso em Foco (vídeo de 2 minutos)

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!