Disputa por cargos na Mesa faz senadora deixar PSDB

PSDB ignorou indicação de Renan Calheiros e preferiu Paulo Bauer a Lúcia Vânia para assumir a primeira secretaria. Senadora fez críticas veladas a Aécio Neves, que a teria exposto publicamente

A senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) anunciou nesta quarta-feira (4), durante discurso em plenário, que deixará seu partido depois de ter sido “publicamente exposta” em uma disputa por cargos da Mesa Diretora do Senado. Lúcia foi obrigada, pela liderança do PSDB, a sair do páreo em favor do colega Paulo Bauer (PSDB-SC), indicado pelo comando tucano para a primeira secretaria.

Leia a íntegra do discurso da senadora

Inicialmente indicada para o posto por Renan Calheiros (PMDB-AL), mantido na Presidência do Senado pela maioria dos pares, no último domingo (1º), Lúcia Vânia disse não suportar mais as dificuldades que tem encontrado, internamente, em seu partido. A postura dos tucanos em patrocinar Paulo Bauer para a primeira secretaria teria irritado tanto Renan quanto Lúcia Vânia.

No discurso em que manifestou indignação com a cúpula tucana, a senadora usou as entrelinhas para criticar o presidente nacional do partido, Aécio Neves (PSDB-MG), que travou discussão áspera com Renan em plenário. Ela revelou ainda que vem sendo “maltratada” pela legenda por meses. “Por tudo o que aqui expus, somam-se ainda diversos outros episódios de desprestígio político-partidário que, em última análise, têm afetado o próprio exercício do mandato que o povo goiano me conferiu”, discursou.

Em conversa com jornalistas, a senadora tucana disse que seus correligionários colocaram “em suspeição” a legitimidade de seu pleito. “Na verdade, o que acontecia é que eu estava disputando internamente, na bancada, o direito à secretaria, em uma disputa normal. Só que essa disputa extrapolou por uma briga interna de disputa da Mesa”, disse Lúcia Vânia, para quem Aécio deveria ter levado a questão para o debate na bancada, e não imposto uma decisão que a desgastou em público.

“A mágoa é em relação a este processo. A disputa é normal para quem é político, o que não é normal é deixar um companheiro ser massacrado. Ao menos o partido vai aprender que tem de ter mais delicadeza ao lidar com questões complexas”, acrescentou a senadora.

Comenta-se, nos bastidores, que a indicação de Paulo Bauer pelo PSDB foi uma retaliação a Lúcia, que supostamente votou em Renan para a Presidência do Senado, contrariando orientação da legenda. Os tucanos decidiram apoiar o candidato alternativo do PMDB, Luiz Henrique da Silveira (SC), como maneira de contestar a hegemonia de décadas exercida na cúpula do Senado pelo grupo de Renan. Irritada com as insinuações feitas reservadamente por colegas, Lúcia nega veementemente ter votado em Renan.

“Fui ao senador catarinense e garanti a ele o meu voto. E assim o fiz, com a certeza de que aqueles que conhecem o meu comportamento nesta Casa sabem da veracidade da minha afirmação”, finalizou Lúcia Vânia.

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