Dilma: da “mãe do PAC” ao impeachment

Denúncias referentes ao período em que acumulou a Casa Civil e o Conselho Administrativo da Petrobras aumentaram a pressão nas ruas e no Congresso contra Dilma na Presidência. Mas foi na pasta que ela virou a aposta eleitoral de Lula para sucedê-lo

Antes de se tornar a primeira presidente da história do país – ou presidente, como preferia ser chamada –, Dilma Rousseff foi a primeira mulher a comandar a Casa Civil. Convocada para substituir Dirceu, a ex-ministra de Minas e Energia virou a “gerentona” do governo Lula e assumiu logo o protagonismo que a faria ser, mesmo nunca tendo disputado uma eleição, a grande aposta do então presidente para a sua sucessão na disputa de 2010.

Com perfil mais técnico do que político, enfrentou resistência dentro do próprio PT por não ser uma petista histórica. Sob a batuta de Lula, conduziu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em sua gestão, enfrentou algumas crises – pequenas, se comparadas às que experimentaria como presidente. Mas foi na sua passagem pela Casa Civil que acumulou a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

Denúncias relacionadas à sua atuação nessa época vieram a persegui-la já no final de seu primeiro mandato presidencial e a contaminar a sua segunda gestão. Preso na Lava Jato, o ex-diretor da estatal Nestor Cerveró reagiu à declaração de Dilma de que era ele o responsável pelo parecer técnico falho que a induzira a avalizar um negócio que causou prejuízo bilionário para a Petrobras: a compra da refinaria de Pasadena.

"Sacaneado"

Ao virar delator, Cerveró acusou Dilma não só de ter conhecimento de todos os detalhes sobre a compra da refinaria nos Estados Unidos, mas de saber que políticos do PT recebiam propina da Petrobras. Embora tenha dito que nunca recebeu pedido direto dela, o ex-executivo aumentou a pressão sobre a petista, então alvo de processo de impeachment por conta das pedaladas fiscais. Em um dos depoimentos, Cerveró disse ter sido “sacaneado” pela presidente.

“Quer dizer, ela me jogou no fogo, ignorou a condição de amizade que existia, que eu acreditava que existia –trabalhei junto com ela 15 anos– e preferiu, para [se] livrar, porque estava em época de eleição, tinha que arrumar um Cristo. Então: 'Ah, não, eu fui enganada'. É mentira! É mentira", afirmou.

Inimigo íntimo

As revelações da Lava Jato sobre o esquema de corrupção na Petrobras, estatal sobre a qual Dilma tinha grande poder desde os tempos de ministra de Minas e Energia, deram combustível para o seu impeachment. Com o rompimento com seu vice, Michel Temer, e a debandada do PMDB para a oposição, perdeu apoio político no Congresso e caiu.

Seus problemas não param aí. Dilma ainda é investigada sob a suspeita de tentar obstruir as investigações da Lava Jato ao nomear o ex-presidente Lula para a Casa Civil (decisão derrubada pelo ministro Gilmar Mendes no STF) e ao indicar Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso também rendeu a abertura de inquérito contra o magistrado, o ex-presidente, os ex-ministros José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante e o ex-presidente do STJ Francisco Falcão. Todos suspeitos de tentar “embaraçar” a Lava Jato.

A ex-presidente nega todas as acusações e argumenta que foi vítima de uma "conspiração" e de um "golpe" parlamentar, tramados por Temer, Eduardo Cunha, a oposição e setores da mídia e do Judiciário.

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