Deputados ouvem esclarecimentos de responsáveis por Jirau

Responsáveis pela construção de usina hidrelétrica em Rondônia responderão sobre denúncias de tortura e maus tratos contra trabalhadores

A CPI do Tráfico de Pessoas, em funcionamento na Câmara, promove amanhã (terça, 21), às 10h, audiência pública para colher os esclarecimentos dos responsáveis pela construção da Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (Rondônia), sobre as acusações de crimes cometidos contra trabalhadores da obra. Serão ouvidos os representantes do consórcio Energia Saudável do Brasil (ESBR) e da construtora Camargo Corrêa, respectivamente Victor Paranhos e Luiz Carlos Martins, diretor de Energia daquela empresa. A sessão será realizada no Plenário 7, localizado no corredor das comissões temáticas da Casa.

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Como o Congresso em Foco revelou em 10 de julho, denúncias de agenciamento de operários, confinamento, assédio moral, maus tratos e demais infrações trabalhistas foram levadas à CPI e à Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara, que atuam em parceria nas investigações – prontamente negados pelo consórcio e pela Camargo Corrêa. As informações foram levadas em depoimento à CDH, em 4 de julho, por um representante do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), José Pimenta, que acompanhou o operário Raimundo Braga Souza, 22 anos, ex-operário do empreendimento que resolveu delatar os supostos abusos.

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Em entrevista a este site, o presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, Arnaldo Jordy (PPS-PA), disse que o empreendimento não pode continuar nos moldes atuais. “É inaceitável. É um relato surreal o que ouvimos do Raimundo, um trabalhador aliciado por um ‘gato’ no interior do Piauí e atraído por conta da sua baixa escolaridade e refém das estatísticas absurdas de desemprego do Brasil. Ele ficou um mês lá e gastou todas as economias que levou, e depois ficou submetido às condições sub-humanas verificadas”, declarou o deputado, para quem o governo tem parcela de culpa ao não monitorar as condições de trabalho em Jirau.

O deputado Arnaldo Jordy é o autor do requerimento da audiência pública. Segundo o parlamentar, as práticas irregulares são executadas, principalmente, pelos chamados “gatos” no Nordeste Tais agenciadores, segundo a denúncia, exploram indivíduos sem preparo e os submetem a toda sorte de maus tratos, a começar pela cobrança de taxas de contratação em algum dos setores das obras de Jirau. Uma vez empregados, ainda de acordo com a denúncia, os trabalhadores passam por situações desumanas que envolvem até a Polícia Civil de Rondônia.

Por meio da assessoria de imprensa, a Camargo Corrêa entrou em contato com a reportagem e garantiu não recorrer ao expediente dos “gatos” nas contratações, mas sim obedecendo à legislação trabalhista em vigor. Ainda segundo a empresa, a foto que estampa esta reportagem, feita em uma das instalações do canteiro de obras e repassada ao site pelo vice-presidente da CDH, deputado Padre Ton (PT-RO), retrata ambiente que não está sob responsabilidade da Camargo Corrêa.

Também prestarão depoimento àquele colegiado o operário Raimundo Braga, que retorna à comissão, a diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, Irmã Rosita Milesi, e o juiz titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Porto Velho, Valdecir Castelar Citon.

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