Delta entrega ao Senado documentos em sua defesa

A intenção declarada pelo novo presidente da empresa, Carlos Alberto Verdini, é contribuir com as investigações da CPI do Cachoeira. O empresário não deu detalhes sobre o conteúdo dos documentos entregues

O novo presidente da empresa Delta Construções, Carlos Alberto Verdini, esteve no Senado para entregar uma caixa repleta de documentos sobre a empresa. Ele chegou acompanhado de seu advogado e não esclareceu qual o conteúdo dos documentos entregues. De acordo com Verdini, a intenção é contribuir para as investigações que serão realizadas pela CPI do Cachoeira e preservar o emprego de 35 mil funcionários que a empresa possui.

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Ao chegar no Senado, Verdini foi breve com a imprensa e não deu detalhes sobre sua visita ao Congresso. Como a CPI ainda não tem uma estrutura burocrática estabelecida, ele protocolou a documentação junto à Presidência do Senado para que esta encaminhe os documentos à CPI. Cercado por jornalistas, Verdini saiu da presidência e seguiu para a sala de técnicos da CPI para entregar a documentação. Seu advogado, José Luis Oliveira, o acompanhou durante todo o trajeto. Oliveira é o mesmo advogado que defendeu o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no episódio do mensalão em 2005.

Em comunicado distribuído à imprensa, a empresa afirma que seus advogados ainda não tiveram acesso aos processos criminais sobre o suposto esquema de pagamentos a empresas de fachada, com base em escutas telefônicas autorizadas pela justiça. A empresa diz também que não tinha conhecimento sobre o envolvimento de diretores com o esquema ilegal comandado por Carlinhos Cachoeira. “Infelizmente, a Delta Construções S.A. foi envolvida nesses lamentáveis episódios por atos de um diretor da empresa [Claudio Abreu], afastado no dia 08/03/2012, até então responsável pela diretoria do Centro-Oeste. Tais atos, que se tornaram públicos através da imprensa, eram inteiramente desconhecidos pela administração desta empresa, e por seus acionistas”, explica o comunicado.

Hoje pela manhã, o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, renunciou à Presidência do Conselho de Administração, e o diretor Carlos Pacheco também pediu licença do colegiado. Verdini, então, assumiu o posto de presidente. Ele coordenará uma auditoria externa na Delta para investigar as denúncias que estão sendo feitas.

De acordo com o comunicado da empresa, o objetivo da auditoria é “verificar, com base nos dados imediatamente disponíveis à empresa, em que extensão essas ações foram executadas, burlando procedimentos de controle praticados na companhia”. Ainda segundo a nota, o afastamento de Cavendish e de Carlos Pacheco demonstra “a isenção com que se pretende que sejam conduzidos os procedimentos da auditoria”.  Apesar do afastamento da presidência, Cavendish continua dono da empresa, onde é sócio majoritário.

Ao sair da presidência do Senado, Verdini afirmou que a empresa está disposta a colaborar com as investigações. No comunicado, a Delta afirma que, assim que as conclusões da auditoria estiverem prontas, a empresa colocará a disposição das autoridades competentes, “sem ressalvas”,  todos os documentos que forem levantados e produzidos. “Sem prejuízo das conclusões dessa auditoria, a Delta Construções S. A. assume o compromisso de prestar toda e qualquer informação que lhe venha a ser solicitada pelas autoridades, e de colaborar com toda e qualquer diligência que as autoridades julguem necessárias para verificar as ações investigadas”, diz o documento.

A Delta é a principal empresa contrutora do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal. Ela já deixou o consórcio que reforma o Maracanã. A empresa também pediu para sair de obras que já estavam contratadas pela Petrobrás para o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e Reduc (Refinaria Duque de Caxias). Com a auditoria, a empresa tenta evitar sua falência, possibilidade admitida pelo próprio Cavendish, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo.

Prisão

Hoje pela manhã, o ex-diretor da empresa, Claudio Abreu, foi preso em Goiânia e será transferido para Brasília. Ele é apontado como membro do grupo de Carlinhos Cachoeira. A prisão aconteceu por causa da Operação Saint Michel, orquestrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, em conjunto com a Polícia Civil do DF. Foram realizadas outras prisões em Brasília, São Paulo, Anápolis e Goiânia. O servidor do GDF, Valdir Reis, também foi preso.

Minutos antes de Verdini chegar ao Congresso Nacional, o presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PR), aguardava a chegada de seu carro oficial para ir a um encontro com o vice-presidente da República, Michel Temer. Vital afirmou não saber da manifestação da Delta. “O que soube é que houve mudanças na diretoria, mas não sei ainda sobre essas informações”, disse. Cerca de dois minutos depois, Verdini chegou à chapelaria do Congresso, entrada principal da Câmara e do Senado. Os dois não se encontraram.

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