Defesa de João Magno: PT se recusava a fornecer recibos do dinheiro

Segundo os advogados do ex-deputado, os recursos que ele sacou no Banco rural não foram informados por falta de documentos fornecidos pelo partido. Para a defesa, porém, só o que houve foi caixa 2 eleitoral

Os advogados do ex-deputado João Magno (PT-MG) rejeitaram nesta terça-feira (14) a participação do petista no suposto esquema de compra de votos da base aliada no início do governo Lula. De acordo com a defesa, o dinheiro recebido pelo então parlamentar foi usado para pagar dívidas da campanha de 2002. "Ele não contabilizou porque o partido se recusou a entregar os documentos", disse o advogado Wellington Alves Valente.

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Magno é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) do crime de lavagem de dinheiro. De acordo com a denúncia, ele recebeu R$ 360 mil de empresas ligadas ao empresário Marcos Valério. O valor foi ocultado com a ajuda de um assessor e do tesoureiro de sua campanha. O petista chegou a responder a um processo por quebra de decoro na Câmara, mas foi absolvido.

A sustentação oral foi dividida entre dois advogados. O primeiro, Sebastião Tadeu Reis, disse que aproximadamente 200 recibos comprovam o uso do dinheiro para o pagamento das dívidas. "Tudo foi feito às claras", afirmou, apesar de o deputado não ter informado o recebimento do valor à Justiça Eleitoral. "A indicação para retirada do dinheiro foi feito pelo Delúbio", disse. De acordo com o advogado, Magno não tinha relação com a cúpula do PT.

Já Wellington Alves Valente, segundo advogado a subir à tribuna para defender o petista, disse que Magno passou a ser visto com desconfiança pelos colegas de partido por admitir que recebeu, na CPI dos Correios, cerca de R$ 360 mil para o pagamento de dívidas. "Esta casa está diante de uma situação configurada de caixa 2. Não há nos autos nenhum documento que prove que ele participasse de nenhum dos núcleos", afirmou, fazendo referência aos núcleos político, operacional e financeiro da denúncia da PGR.

Ambos os advogados questionaram a pressão da opinião pública pela condenação dos acusados. Pesquisa do instituto Datafolha divulgada no domingo informa que 73% dos entrevistados defende punição para os envolvidos. "Há um clamor para se condenar. Mas condenar sem prova? Não acredito que este tribunal tenha essa atitude", disse Valente. "O julgamento não pode ser uma resposta ao sentimento popular", completou Reis.

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