Crianças impedem polícia de desocupar hotel no centro de Brasília

Ocupado desde outubro do ano passado, prédio do Torre Palace chegou a ter 150 moradores e a ser chamado de "cracolândia vertical". Polícia começou a desocupação, mas parou devido à presença de duas crianças que estão entre os 12 manifestantes que resistem

A Polícia Militar do Distrito Federal tenta desde ontem (quarta, 1º) desocupar o prédio onde funcionava o Torre Palace Hotel, na área central de Brasília, que está tomado por integrantes do Movimento Resistência Popular (MRP). Cerca de 150 pessoas ocupavam o prédio desde outubro do ano passado. A operação das forças de segurança pública para retirar as famílias do local se estende por mais de 24 horas devido à presença de duas crianças (uma de colo e outra de, aparentemente, 5 anos), o que impede a polícia de usar a força contra os manifestantes. Até o momento, além das duas crianças, apenas dez pessoas seguem ocupando o edifício.

Segundo a secretária de Segurança Pública, Márcia Araújo, o principal motivo da urgência na desocupação do local é a precariedade estrutural do edifício, que corre risco de desabamento. "Nós temos duas interdições ao prédio, uma da Defesa Civil e outra da Agefis (Agência de Fiscalização do Distrito Federal). Este é um prédio condenado. Qualquer outro lugar é mais seguro para qualquer pessoa viver do que o Torre Palace", explicou.

A secretária disse ainda que equipes das pastas de Habitação (Sedhab) e de Desenvolvimento Social (Sedest) participam da operação para receber as famílias em situação de vulnerabilidade social e cadastrá-las em programas habitacionais do Distrito Federal. As forças de segurança pública se reunirão hoje à tarde com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) para decidir os próximos passos da operação no Torre Palace.

Além das famílias do Movimento Resistência Popular, segundo a Polícia Militar, o prédio também era ocupado por usuários de drogas que faziam do local ponto de crimes como tráfico de drogas. “É um local muito insalubre”, disse o coronel Antônio Carlos, responsável pela operação. De acordo com o coronel, o prédio foi condenado pela Defesa Civil e será isolado após a desocupação.

Abandonado desde 2013, o edifício foi ocupado em outubro de 2015 por cerca de 150 pessoas do Movimento de Resistência Popular, que reivindica políticas de moradias no Distrito Federal.

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