CPI: tucano recua e mantém assinatura, mas governista retira

Oposição tenta reunir 27 senadores para conseguir comissão de inquérito que investigaria o Ministério dos Transportes; nos bastidores, governo articula desistências

Segue o vai-e-vem em torno das assinaturas de adesão para a criação da CPI dos Transportes, pretendida pela oposição para investigar no Senado o esquema de corrupção supostamente capitaneado pelo PR junto ao Ministério dos Transportes. Suplente do governista João Ribeiro (PR-TO), o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) quase retirou, a pedido do colega paranaense, o nome da lista apresentada ontem (terça, 2) à Secretaria Geral da Mesa (SGM), com o número mínimo exigido de adesões (27 senadores). No entanto, a SGM informou que Ataídes não chegou a formalizar a retirada da assinatura, como havia sido noticiado (confira).

Hoje (quarta, 3) o próprio Ataídes se disse “perturbado” com a situação. “Eu não poderia manter esse compromisso com um amigo [referência a João Ribeiro], diante do quadro que se instalou nesse país”, declarou o senador tucano, referindo-se à crise que já levou à queda de quase 30 pessoas do Ministério dos Transportes e estatais subordinadas, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Ontem, o ministro demissionário e senador Alfredo Nascimento (PR-AM) subiu à tribuna do plenário para se defender, e ao partido, das acusações de corrupção naquela pasta.

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Segundo Ataídes, a intenção descartada em retirar o nome do requerimento da CPI estava “pesando na consciência”. “E eu quero que o povo tome conhecimento disso. Essa é a verdade”, acrescentou o senador.

Exclusão

Mas, a despeito do recuo de Ataídes, o êxito da coleta de assinaturas para a abertura da CPI, promovida pelo líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), continua ameaçado. Suplente e pai do senador titular Ivo Cassol (PP-RO), que se recupera de cirurgia e está licenciado do mandato, Reditario Cassol (PP-RO) também solicitou a exclusão de seu nome. Nos bastidores, o Planalto trabalha junto aos interlocutores no Senado para que mais governistas excluam seus nomes. Cerca de sete integrantes da base assinaram o requerimento da CPI.

Com a desistência de João Durval (PDT-BA), como este site registrou ontem, o requerimento de criação da CPI conta agora com 25 adesões. Para que o documento seja lido em plenário, depois da conferência de assinaturas na SGM, são necessários mais dois nomes, para então ser iniciado o procedimento de instalação da comissão. Ou seja, o pedido de CPI ainda não está validado junto à Mesa.

Alvaro Dias disse que vai reiniciar a coleta de assinaturas, e criticou a postura de quem retirou o apoio para a CPI. “Lamento a operação empreendida na calada da noite para a retirada de assinaturas. Lamento profundamente, porque desnuda o governo, revela a montagem de uma farsa”, disse o senador paranaense, para quem o Senado, em outras épocas e com outros representantes, tornaria “inevitável” a instalação da CPI. “Onde fica a altivez da tribuna, a majestade da Mesa [Diretora] e a grandeza desse plenário?”, questionou.

Atento às aspirações da oposição, o líder do governo do Senado, Romero Jucá (RR), já avisou que, caso Alvaro Dias consiga mais adesões na base governista, vai trabalhar por novas exclusões. “A oposição vai tentar fazer uma CPI a qualquer momento, mas a base do governo tem a condição de evitar uma CPI se senadores e senadoras não assinarem a CPI. É isso que vamos procurar mostrar”, argumentou Jucá, acrescentando que investigações sobre o assunto já estão em curso nos órgãos competentes.

A base governista conta com mais de 50 membros entre os 81 senadores, embora haja nomes considerados independentes nesse grupo, como os peemedebistas Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), que assinaram a lista.

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