CPI do Cachoeira é instalada e pedirá informações ao STF

Na abertura de seus trabalhos, comissão confirma presidente e relator e decide pedir ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República íntegra dos inquéritos das duas operações que levaram o contraventor à prisão

Oficialmente instalada nesta manhã (25), a CPI mista que vai investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresas aprovou dois requerimentos. Os parlamentares decidiram pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a remessa de todos os inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que estejam em posse da Corte.

Eles também resolveram solicitar à Procuradoria-Geral da República que envie à comissão as informações que possui sobre as duas investigações. Autor dos requerimentos, o deputado Odair Cunha (PT-MG) considera esses dados o ponto de partida para as investigações. Na avaliação dele, o acesso aos inquéritos vai dar celeridade aos trabalhos do colegiado. Odair foi confirmado como relator da comissão nesta quarta-feira, um dia após ser indicado pelo PT para a função.

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Os parlamentares apresentaram mais de 50 requerimentos, mas apenas esses dois foram aprovados no primeiro dia de funcionamento da CPI. Entre os demais pedidos apresentados e não votados, estava um do senador Fernando Collor (PTB-AL), que chamava o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a esclarecer o andamento das investigações. Gurgel foi criticado por não ter encaminhado as apurações que indicavam a relação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com Carlinhos Cachoeira.

Outro requerimento não votado foi apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele quer que as informações e conclusões da CPI dos Bingos, realizada em 2005, sejam repassadas aos membros da CPI do Cachoeira. Segundo o deputado, o esquema que teria sido criado pelo bicheiro remontaria àquele período, e as informações obtidas na CPI seriam úteis às investigações da comissão.

Onyx pediu, ainda, para a CPI ouvir Waldomiro Diniz, pivô do escândalo que levou à CPI dos Bingos, e integrantes do governo do Distrito Federal, como o ex-chefe de gabinete do governador Cláudio Monteiro. Onyx também quer que o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, deponha na comissão. Os requerimentos devem ser incluídos na pauta da próxima reunião.

Plano de trabalho

A próxima reunião da CPI está marcada para quarta-feira (2) às 14h30. A comissão definirá o vice-presidente e, possivelmente, sub-relatores para auxiliar nos trabalhos. A proposta foi feita pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e deverá ser votada na reunião. O relator Odair Cunha também se comprometeu a apresentar plano de trabalho que o colegiado seguirá nos próximos 180 dias.

Apesar de ser da base governista e alinhado com o Planalto, Odair Cunha garantiu que atuará com isenção. "É minha intenção dirigir os trabalhos desta comissão de maneira isenta, acima e além de interesses partidários e de grupos", afirmou na reunião.

Promessa de empenho

Assim que assumiu o cargo, Vital do Rêgo destacou a importância da tarefa que terá e defendeu que os integrantes da CPI ajam com “lisura e transparência com os fatos divulgados pela imprensa”. “Não será uma tarefa fácil. Da minha parte, posso prometer empenho e muito trabalho”, afirmou o senador.

Apesar de ser da base governista e alinhado com o Planalto, Odair Cunha garantiu que atuará com isenção. "É minha intenção dirigir os trabalhos desta comissão de maneira isenta, acima e além de interesses partidários e de grupos", afirmou na reunião.

A CPI irá investigar as relações de Carlinhos Cachoeira, empresário do ramo de jogos em Goiás, com políticos como o senador Demóstenes Torres, os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e deputados, além de membros do Judiciário e do Ministério Público.

Também está prevista a investigação de agentes privados. Em especial, a construtora Delta, uma das maiores do país, e que teria relações com o bicheiro. Outro alvo da CPI será a “grampolândia” articulada por Cachoeira, uma ampla rede de espionagem especialmente de políticos em Brasília e outras cidades.

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