CPI da Petrobras quer ouvir Ricardo Pessoa na próxima semana

Convocação de ex-presidente da UTC Engenharia foi aprovada em abril, mas deputados aguardavam pela homologação da delação premiada. Delator citou repasses de recursos obtidos de maneira ilícita a 18 políticos, inclusive para a campanha de Dilma

O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), anunciou que vai marcar para a próxima semana o depoimento do empresário Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC Engenharia. A convocação de Pessoa foi aprovada em abril, mas o comando da comissão decidiu esperar pela homologação da delação premiada do empresário para ouvi-lo. Ricardo Pessoa é apontado como chefe do “clube das empreiteiras”, acusado de atuar em cartel e de se valer de contratos superfaturados em obras da Petrobras.

Em sua delação, Ricardo contou ter repassado dinheiro desviado do chamado petrolão para 18 políticos de seis partidos (PT, PMDB, PSDB, PP, PTB e PSB). Entre os beneficiários citados por ele, estão as campanhas da presidente Dilma, em 2014, e do ex-presidente Lula, em 2006. Ele afirma ter repassado R$ 7,5 milhões obtidos de maneira ilícita para a eleição de Dilma. O empresário repassou aos investigadores uma planilha que relaciona valores que, segundo ele, foram repassados a ex-tesoureiros do PT como caixa dois.

Lideranças oposicionistas, como o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), e o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), alegam que o depoimento abre caminho para o pedido de processo de impeachment contra a presidente. A relação de beneficiários também inclui um dos principais nomes da oposição, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice de Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial do ano passado. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) é outro oposicionista mencionado. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Collor (PTB-AL) também são apontados por Ricardo Pessoa como beneficiários de doação feita pela UTC a partir de dinheiro obtido de maneira ilícita.

Todos os citados que se manifestaram até agora negam ter recebido propina e dizem que as doações foram declaradas legalmente à Justiça eleitoral.

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