CPI adia para amanhã leitura de relatório final

O adiamento foi provocado pela oposição, que protestou contra o curto prazo entre a apresentação e a leitura das conclusões do relator. A votação, porém, só deve ocorrer na próxima semana. Parlamentares querem reconvocar Cachoeira

Uma questão regimental adiou a leitura do relatório elaborado pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre as conclusões da CPI do Cachoeira. O documento seria apresentado na manhã desta quarta-feira (21), mas senadores questionaram o curto prazo de entrega do material, que foi divulgado durante a madrugada de hoje.

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Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), o regimento comum do Congresso estabelece que a pauta da reunião seja divulgada com antecedência de dois dias úteis. Outros parlamentares também reclamaram do volume de informações contidas no relatório e que não seria possível analisá-lo em tão pouco tempo. O documento está dividido em cinco volumes que contêm quase cinco mil páginas.

Antes da decisão de adiar a sessão, o vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), chegou a encerrar os debates e a autorizar o início da leitura do relatório. Com isso, os parlamentares presentes se insurgiram contra a determinação e convenceram o relator a alterar a data de leitura.

O relator aceitou o pedido e sugeriu que a leitura fosse transferida para a manhã desta quinta-feira (22). A reunião está marcada para as 10h15. Deputados e senadores já afirmaram que pedirão vista pelo prazo de cinco dias úteis. A comissão deverá, então, se reunir na próxima semana para iniciar a análise do documento, que deve ser votado até 22 de dezembro, data final de funcionamento da comissão.

Alguns parlamentares ainda reclamaram da nova data da leitura do relatório, que coincide com a posse do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar dos pedidos de adiamento para a próxima semana, a comissão manteve para amanhã a apresentação das conclusões do relator.

Odair Cunha admitiu ainda que discutirá mudanças no texto com os parlamentares. "É claro que entendo que tenho que submeter a Vossas Excelências o documento. O relatório não é meu. É da CPI. Precisamos minimamente estabelecer entre nós um roteiro de encaminhamento", disse.

Convocação de Cachoeira

Os parlamentares se articulam ainda para redigir um requerimento de convocação do bicheiro, que só poderá ser votado na semana que vem. Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), a soltura de Cachoeira tem influência direta nos trabalhos da comissão. "Quem sabe o passarinho possa cantar fora da gaiola. O fato do relator apresentar o relatório hoje não significa que a CPI deva ser encerrada hoje", disse.

"Certamente agora, liberto da Papuda, ele [Cachoeira] pode dizer alguma coisa, até porque ele prometeu que voltaria e falaria. Isso certamente ajudará no relatório", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). "Temos obrigação de tentar fazer o senhor Cachoeira falar. Quero propor ao plenário que prorroguemos a CPI pelo tempo regimental, até para que possamos dar melhores respostas à opinião pública. Não é possível que a CPI seja do Cachoeira e ele não falar", afirmou o deputado Silvio Costa (PTB-PE).

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