Collor comemora absolvição e critica Joaquim Barbosa; veja vídeo

Em discurso, senador disse que a decisão do STF não apenas alivia as angústias que ele sofria há 23 anos, mas permite reescrever a história do Brasil, referente período em que ele passou na presidência da República

O senador Fernando Collor (PTB-AL) usou a tribuna do Senado nesta segunda-feira (28) para comemorar o julgamento de uma ação penal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em que ele era acusado de corrupção passiva, peculato e falsidade ideológica. Na última quinta (24), o parlamentar foi absolvido pelo STF. No discurso, ele disse que a decisão da corte não apenas alivia as angústias que ele sofria há 23 anos, mas permite reescrever a história do Brasil, referente período em que ele passou na presidência da República.

“Estou absolvido de todas, absolutamente todas as acusações. A ninguém é mais dado o direito, salvo por reiterada má fé, de dizer o contrário. Todavia, depois de mais de duas décadas de expectativas e inquietações pelas injustiças cometidas em relação a mim, cabe agora perguntar: quem poderá me devolver tudo aquilo que perdi, a começar pelo meu mandato presidencial?”, questionou Collor.

Veja o discurso de Collor:

O senador também alfinetou o presidente do STF, Joaquim Barbosa, que votou pela sua condenação. "Houve uma tentativa do ministro em resumir, de forma desmerecedora, todo o enredo da ação e do julgamento, deturpando o relatório da relatora [ministra Cármen Lúcia Rocha]. O presidente do Supremo, sob sua ótica, de tudo que se apurou, restou apenas a relação dos crimes com a figura do presidente da República. A relatora se debruçou nos autos por sete anos e todos os outros réus foram, sem exceção, inocentados pela Justiça comum. De que provas ele [Barbosa] fala? Que ordens ou determinações esperava encontrar o ministro? Se todos os acusados foram inocentados, a que fatos o ministro Joaquim Barbosa alega? Sinceramente não é esta a conduta da razoabilidade de um chefe de poder".

No final do julgamento, Barbosa criticou a morosidade da Justiça brasileira e afirmou que processo tramitou por 23 anos em diferentes instâncias "com tropeços e com mil dificuldades". "Se no Brasil a Justiça como um todo padece de letargia, como ele [Barbosa] reconheceu ao final do julgamento, o presidente da mais alta corte do país padece de liturgia, tem uma carência de liturgia para exercício de seu cargo", criticou Collor. O ex-presidente foi acusado de receber propina de empresários do setor de publicidade em troca de benefícios em contratos. Conforme a denúncia, o dinheiro era usado para pagar contas pessoais de Collor.

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