Cientista político prevê grande renovação no Senado

Renata Camargo
 
Nas últimas eleições legislativas, em 2006, sete dos 13 senadores que concorreram à reeleição renovaram seus mandatos. Foram reeleitos os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Eduardo Suplicy (PT-SP), José Sarney (PMDB-AP), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Pedro Simon (PMDB-RS) e Tião Viana (PT-AC). A senadora Heloísa Helena (Psol-AL) perdeu a cadeira na Casa ao concorrer ao Planalto.
 
Considerando-se as 21 vagas em disputa nas eleições passadas, o Senado teve taxa de renovação de 74%. Na Câmara, esse índice ficou em 47,5%. O cientista político Roberto Schmitt, doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) estima que, nas próximas eleições, o Senado será renovado em 80%. Schmitt acredita que os senadores que se envolveram em escândalos terão dificuldade de se reeleger, especialmente em estados com maior escolaridade.
 
“A renovação do Senado pode vir por parte dos senadores que vai preferir não disputar a reeleição ou por rejeição do eleitorado aos senadores que tentam mais um mandato. O senador abre mão de um novo mandato não necessariamente por rejeição do eleitorado. Pode desistir, por exemplo, por causa dos efeitos de uma crise [institucional]”, afirma o cientista político.
 
O Senado representa os estados e o DF, e se renova parcialmente a cada quatro anos. A Casa é composta por 81 senadores, três por estado, incluindo o Distrito Federal. O mandato dos senadores dura oito anos, o dobro dos deputados. A regra de eleição alterna a renovação em um terço e dois terços dos senadores.
 
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), candidato à reeleição, acredita que na próxima legislatura será possível mudar a pauta legislativa e o rumo do debate no Congresso. Mas Virgílio reconhece que, após a crise dos atos secretos, que pôs em xeque o cargo do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), houve uma acomodação por parte dos parlamentares, sem que se tenha chegado a uma solução para esta crise.
 
“Houve uma acomodação [em relação à crise], que não foi solução. Mas sinto que estamos vivendo um trânsito para uma legislatura melhor. Se não for, é de se entregar o boné”, diz Virgílio. “Eu sou candidato à reeleição e acredito ter vocação para a política. Mas eu não aguentaria mais um mandato desse nível”, afirma o tucano.

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