Cerveró rebate Graça Foster e defende compra de Pasadena

Ex-diretor da Petrobras disse não ter sido responsável por envio de documentação ao conselho de administração da estatal

Ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró declarou nesta quarta-feira (16) que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, não foi um negócio ruim. “Classificar o projeto como malfadado é injusto. Quando se diz que o negócio causou prejuízo, é um prejuízo contábil, porque não obteve o rendimento esperado. Não é raro acontecer isso, mas o projeto em si não foi malfadado”. Mas ele admitiu que pode ter ocorrido "equívocos" na condução do processo de aquisição.

Ontem, a presidente da Petrobras, Graça Foster, admitiu que a compra da refinaria não foi um “bom negócio”. A Petrobras investiu US$ 1,23 bilhão na unidade, segundo Cerveró. A transação foi iniciada em 2006 e concluída em 2012.

"Eu admitiria que houve equívocos e que não foi o melhor projeto do mundo. Olhando no ponto de vista atual, evidentemente que não foi [um bom negócio]. O mercado e as situações de mercado mudam. É um projeto que não pôde ser concluído", defendeu Cerveró. Segundo ele, o empreendimento perdeu valor quando a estatal redefiniu prioridades e passou a investir no pré-sal.

Documentos

Ainda em audiência realizada pela Câmara, Cerveró afirmou ter encaminhado todos os documentos referentes à compra da refinaria de Pasadena para a diretoria da Petrobras. No entanto, ele disse que não era sua responsabilidade enviar a documentação ao conselho de administração da estatal.

Cerveró afirmou também desconhecer quando o conselho teve acesso ao relatório. Segundo ele, era equivocada a afirmação do seu próprio advogado de que o colegiado recebeu o documento com 15 dias de antecedência.

"Se foi encaminhado e o conselho de administração tomou conhecimento, a responsabilidade não é minha porque não era responsabilidade de cada diretor fazer o encaminhamento", disse Cerveró. A presidenta Dilma Rousseff, que comandava o conselho de administração na época da aquisição de parte da refinaria, alegou não ter tido acesso a cláusulas que embasaram a compra da metade da refinaria de Pasadena, em 2006. Ela disse que não aprovaria a operação se soubesse de todas os dados.

 

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